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Vetorial avisa sindicato que vai parar a usina de ferro-gusa de Ribas do Rio Pardo em 11 de dezembro, depois fala em suspensão por tempo indeterminado, e prefeito estima até 240 empregos afetados

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 07/11/2026 às 01:41
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Vista aérea do alto-forno e dos galpões de telhado metálico da usina, cercados de árvores e estrada de terra vermelha.
Usina da Vetorial em Ribas do Rio Pardo, em foto da galeria oficial da empresa. Foto: Divulgação/Vetorial
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A carta de 4 de novembro cita 11 de dezembro; a nota de 6 de novembro fala em parar até o fim de 2026, sem dia marcado. Veja quem diz o quê em Ribas do Rio Pardo, quantos postos entram na conta e o que vem antes de qualquer demissão.

O dia escrito na carta é 11 de dezembro. A Vetorial Siderurgia colocou essa data no comunicado ao sindicato, datado de 4 de novembro, para interromper a produção de ferro-gusa em Ribas do Rio Pardo (MS), a 97 quilômetros de Campo Grande. Contando deste sábado, 7 de novembro, são 34 dias (conta nossa).

Na sexta-feira (6), a empresa trocou a palavra. A nota enviada ao Campo Grande News, assinada pelo diretor-presidente Gustavo Correa, fala em suspensão por tempo indeterminado. A parada ocorre até o fim de 2026, e o cronograma sai depois dos preparativos operacionais. A usina fica preservada para uma eventual volta, sem previsão de retomada.

O tamanho da conta veio da prefeitura. Roberson Luiz Moureira, prefeito de Ribas do Rio Pardo, estimou ao Campo Grande News, na sexta, entre 200 e 240 empregos na operação industrial. Ele ressalta que a empresa ainda precisa confirmar o número. Carvoarias e outras atividades da cadeia ficam fora dessa estimativa.

A Vetorial vai fechar ou suspender a usina de Ribas do Rio Pardo?

Pela nota mais recente, suspender. “A paralisação é por tempo indeterminado”, diz o texto da companhia. Ela afirma manter a estrutura em condições de voltar a funcionar se o mercado mudar.

A carta anterior usava outra linguagem: encerrar a produção, com desligamentos. O documento foi assinado pela Diretoria de Recursos Humanos e pelo Departamento Jurídico, registra a Folha MS, e chegou ao sindicato na tarde de quinta (5).

DataQuem dizO que diz
4/11Vetorial, carta ao sindicatoEncerrar a produção em 11/12, com desligamentos
6/11Vetorial, nota à imprensaSuspensão por tempo indeterminado, até o fim de 2026, sem dia fechado
6/11Prefeito Roberson MoureiraEstimativa de 200 a 240 empregos, a confirmar, sem carvoarias
6/11Sindicato, Johans Loureiro220 empregos diretos, sem terceirizados

Quem olha o calendário fica assim: 11 de dezembro segue como o único dia citado num papel da empresa. A nota de sexta não repete essa data. Os 220 diretos informados por Johans Rogério de Pinho Loureiro, presidente do sindicato, caem exatamente no meio da faixa do prefeito (conta nossa).

O número da empresa fica para a reunião com o sindicato. Na carta, a Vetorial prometeu levar a quantidade de afetados, as funções e o cronograma.

Por que falta carvão vegetal para fazer ferro-gusa em Ribas?

O carvão vegetal sai da madeira de eucalipto. É nessa madeira que a Vetorial coloca a principal razão da parada em Ribas do Rio Pardo.

Fileiras de fornos retangulares soltando fumaça branca em pátio de terra escura, com árvores ao fundo.
Planta de carvão em foto da galeria oficial da Vetorial, grupo que cita a falta de madeira como principal motivo da parada. Foto: Divulgação/Vetorial

Na carta de 4 de novembro, a siderúrgica cita dificuldade de abastecimento de carvão vegetal, por causa da concorrência de celulose e etanol de milho pelo eucalipto. Diz conviver com o problema há cerca de um ano e ter avaliado até matéria-prima importada, sem chegar a condição viável. Na nota do dia 6, o peso vai para as indústrias de etanol de milho que chegaram a Mato Grosso do Sul. Elas usam biomassa como energia e, segundo a empresa, pressionam o preço do eucalipto.

O restante da lista é de custo: inflação, transporte sob o frete mínimo, expectativa de mais imposto com a reforma tributária e crise nacional da siderurgia. O setor siderúrgico é um dos principais compradores do ferro-gusa de Ribas do Rio Pardo, diz a companhia. A unidade opera sem resultado positivo desde o início de 2026, ainda segundo a nota.

Moureira desenha o mapa da disputa a partir da leitura dele: celulose em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, florestas para o projeto da Arauco em Inocência e etanol de milho em Dourados, Maracaju e Sidrolândia. Mais procura pela madeira, carvão vegetal mais caro.

A usina de Ribas já ficou parada antes?

Ficou sete anos sem produzir. A unidade de Ribas do Rio Pardo parou em 2014, com a retração do mercado de ferro-gusa, e voltou em agosto de 2021 com cerca de R$ 25 milhões investidos. Se a parada vier em dezembro, a retomada terá durado cerca de 5 anos e 4 meses (conta nossa).

Homem de camisa azul discursa ao microfone sob tenda, diante de telão e de convidados de máscara sentados em fila.
Jaime Verruck, então secretário estadual, na retomada da usina em 2021. Foto: Reprodução/Semadesc, Governo de MS

O governo de Mato Grosso do Sul registrou na época capacidade de 237 mil toneladas por ano, 194 postos diretos e 80 indiretos. Os 220 de agora são 26 a mais que aqueles 194 (conta nossa).

Em 2021, o então secretário Jaime Verruck, da Semagro, ligou o retorno aos incentivos fiscais do Estado. Em 2026, Loureiro aponta para o mesmo endereço, com sinal trocado: “O culpado disso tudo é esse governo do Estado”, disse ele ao Campo Grande News. Para o presidente do sindicato, celulose e etanol de milho avançaram sobre o eucalipto sem considerar as siderúrgicas já instaladas. A Semadesc, secretaria estadual procurada pelo jornal, não havia respondido até a publicação daquela reportagem.

O que a Vetorial precisa fazer antes de demitir os trabalhadores?

Antes de demitir em massa, a empresa precisa chamar o sindicato. O Supremo Tribunal Federal fixou em junho de 2022 que a intervenção sindical prévia é exigência em dispensa coletiva. A mesma decisão deixa claro que isso não é autorização do sindicato.

Na carta, a Vetorial pediu reunião e se comprometeu a não fazer desligamentos ligados ao encerramento antes dessa etapa. Até sexta (6), segundo Loureiro, não havia encontro marcado.

O sindicato quer outra conversa primeiro. A diretoria decidiu procurar fornecedores de carvão vegetal, inclusive em outras localidades. “Estamos tentando ver se conseguimos arrumar carvão em algum lugar, para não haver essa demissão”, afirmou o presidente da entidade. Se aparecer carvão mais caro, ele pretende discutir redução de custos para manter a usina.

Onde pode surgir vaga para quem sair da usina?

Corumbá é a primeira porta citada. A unidade de ferro-gusa do Pantanal continua e deve acelerar a produção para compensar parte da capacidade de Ribas do Rio Pardo, de acordo com a nota da empresa. A explicação é a venda mais voltada à exportação. Mineração, portos, logística e carbonização também ficam, com possíveis ajustes de capacidade. A carta admite aproveitar parte dos profissionais em outras unidades ou atividades.

Galpões metálicos e estruturas de alto-forno soltando vapor, vistos de cima, em área de terra vermelha.
Usina da Vetorial em Corumbá, que segue em operação segundo a nota de 6 de novembro. Foto: Divulgação/Vetorial

A segunda porta está no mesmo eucalipto da disputa. Moureira conta que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico prepara reunião com trabalhadores, Senai e Governo do Estado, prevista para a próxima semana. O objetivo é montar cursos voltados a celulose e silvicultura.

As funções que ele lista são concretas: motorista, mecânico, soldador, eletricista, operador de máquinas e trabalhador de plantio e colheita de eucalipto. Parte dessas vagas, diz o prefeito, hoje fica com gente de outras cidades por falta de mão de obra qualificada no município. Loureiro faz a ressalva pelo outro lado: a Vetorial emprega moradores da região, e parte das vagas novas pede qualificação específica.

Sobre mudar a decisão, Moureira considera difícil no curto prazo, por envolver questão comercial e custo de madeira. A prefeitura pediu ainda uma reunião com a empresa, o Governo do Estado e a Reflore, entidade do setor florestal.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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