Empresa fundada em 1938 começou produzindo conexões de ferro maleável, avançou sobre motores, ferrovias e tecnologia industrial e terminou 2024 com receita bilionária e presença global
Uma pequena fundição aberta em Joinville, Santa Catarina, acabou se transformando em uma das maiores companhias industriais brasileiras.
Naquela época, o Brasil ainda dependia do exterior para obter conexões de ferro maleável.
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O componente não era produzido nacionalmente, o que abriu espaço para a criação de uma fábrica voltada justamente a essa demanda.
Quase nove décadas depois, a antiga operação catarinense alcançou R$ 10,7 bilhões em receita anual e presença em mais de 40 países.
Dados institucionais da companhia também apontam aproximadamente 18 mil colaboradores e mais de 70% da produção destinada ao mercado externo.
Joinville acompanhou o crescimento da Tupy
A expansão industrial ganhou força em 1954, quando a empresa transferiu suas atividades para o parque fabril ligado à atual sede em Joinville.
O espaço acompanhou o crescimento da companhia e se tornou um dos principais centros de suas operações industriais.
Um novo avanço aconteceu em 1957, quando a Tupy assinou seu primeiro contrato para fornecer autopeças à Volkswagen do Brasil.
O acordo aproximou definitivamente a empresa da indústria automotiva nacional.
A nacionalização da produção de veículos abriu novas oportunidades para fabricantes brasileiros de componentes.
A Tupy passou, então, a ocupar espaço cada vez maior nesse mercado.
Formação profissional virou parte da estratégia industrial
A expansão das fábricas também criou a necessidade de trabalhadores especializados.
Hans Dieter Schmidt criou, em 1959, a Escola Técnica Tupy.
A instituição foi inspirada em um tradicional modelo suíço de formação voltado à fundição.
Muitos profissionais formados pela escola seguiram carreira dentro da própria empresa ou em outras indústrias da região.
Joinville, paralelamente, fortaleceu sua posição como importante polo metalúrgico e industrial brasileiro.
Produção deixou de ficar restrita às conexões de ferro
A diversificação ganhou velocidade durante as décadas seguintes.
A Tupy passou a produzir componentes destinados a tratores em 1963.
Um Centro de Pesquisas Tecnológicas foi criado em 1973 para desenvolver materiais e processos industriais.
A companhia entrou em outra etapa em 1976, quando iniciou a produção de blocos e cabeçotes de motores.
Esses componentes passaram a atender caminhões, máquinas agrícolas e outros veículos pesados.
O setor ferroviário também entrou no portfólio da companhia.
A empresa forneceu, nos anos 1980, aproximadamente três milhões de placas de apoio para a Estrada de Ferro Carajás.
A fabricação de virabrequins também começou naquele período.

Década de 1990 mudou a escala da empresa
Uma transformação importante ocorreu em 1995.
BNDESPar, Previ, Telus, Aerus e Bradesco assumiram o controle acionário da companhia naquele período.
A Tupy também adquiriu a fundição da Mercedes-Benz.
Uma unidade moderna de usinagem começou a operar em Joinville no ano seguinte.
A estratégia de expansão continuou em 1998, quando a empresa comprou a fundição da Cofap, em Mauá, São Paulo.
A sequência de aquisições aumentou a capacidade produtiva e ampliou a presença da companhia no setor automotivo.
Tecnologia do ferro vermicular ampliou projeção internacional
O início dos anos 2000 marcou um dos avanços tecnológicos mais relevantes da trajetória da Tupy.
Depois de anos de pesquisa, a companhia avançou na produção em larga escala de blocos de motor fabricados em ferro vermicular, conhecido como CGI.
O material oferece elevada resistência mecânica e permite soluções voltadas à redução de peso.
Essas características passaram a ser importantes para motores utilizados em caminhões, máquinas agrícolas e equipamentos pesados.
A atuação da empresa também deixou de ficar concentrada exclusivamente em peças fundidas.
Serviços de usinagem, montagem, testes, protótipos e soluções de engenharia foram incorporados ao negócio.
Expansão internacional levou fábricas ao México
A internacionalização ganhou novo impulso em 2012.
Naquele ano, a Tupy adquiriu duas fábricas no México, localizadas em Saltillo e Ramos Arizpe.
Uma nova fundição também foi inaugurada em Joinville.
A companhia passou ainda a integrar o Novo Mercado da antiga BM&FBovespa, atual B3.
O movimento reforçou uma estratégia de crescimento baseada em escala industrial, internacionalização e governança corporativa.
Portugal e MWM abriram novas frentes de atuação
Outra etapa começou em 2021.
A empresa criou a ShiftT, aceleradora direcionada à inovação industrial.
A Tupy também fechou a compra das fundições da Stellantis localizadas em Betim, Minas Gerais, e Aveiro, Portugal.
A expansão continuou em 2022, quando a companhia adquiriu a MWM do Brasil.
A operação levou a empresa ao segmento de Energia & Descarbonização.
Soluções relacionadas à geração de energia, agronegócio e transição energética passaram a integrar essa nova frente.
Receita de R$ 10,7 bilhões mostra tamanho alcançado pela Tupy
Os resultados de 2024 mostram a dimensão atingida pela companhia.
A Tupy registrou R$ 10,7 bilhões em receita naquele ano.
O EBITDA ajustado alcançou o recorde de aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
A geração operacional de caixa chegou a cerca de R$ 1,4 bilhão.
As operações industriais passaram a incluir unidades no Brasil, México e Portugal.
Os componentes produzidos pela empresa abastecem fabricantes de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, construção e sistemas de geração de energia.
Mais de 70% da produção é destinada ao exterior, alcançando aproximadamente 40 países.
De uma peça que o Brasil importava para uma multinacional global
A história da Tupy começou com um desafio relativamente simples: fabricar no Brasil uma peça que ainda precisava ser comprada no exterior.
O crescimento posterior levou a companhia para segmentos muito diferentes daquele mercado original.
Motores, tratores, ferrovias, caminhões, equipamentos pesados e soluções ligadas à energia passaram a integrar sua trajetória.
Joinville continuou ligada ao centro dessa expansão quase nove décadas depois.
A pequena fundição criada em 1938 passou, assim, a fornecer componentes industriais para dezenas de mercados ao redor do mundo.
Fontes: histórico institucional da Tupy; Tupy Relações com Investidores; Relatório de Sustentabilidade Tupy 2024; informações corporativas da Tupy e B3.
Uma empresa criada para substituir uma única peça importada conseguiu atravessar quase nove décadas e alcançar dezenas de países. Na sua opinião, qual foi o ponto mais decisivo para essa transformação: tecnologia, expansão internacional ou diversificação industrial?
