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Enquanto a Ferrogrão segue parada há 16 anos no Brasil, engenheiros chineses estão perfurando 34,5 km de rocha sob a montanha Gaoligong para abrir o maior túnel ferroviário da Ásia

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 13/05/2026 às 06:45
Atualizado em 13/05/2026 às 06:47
TBM perfurando 34,5 km de rocha no túnel ferroviário Gaoligong em Yunnan China
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Túnel da ferrovia Dali-Ruili enfrenta 19 falhas sísmicas e calor de 102 graus a 1.155 metros de profundidade

Enquanto a Ferrogrão segue parada há 16 anos no Brasil, engenheiros chineses estão perfurando 34,5 km de rocha sob a montanha Gaoligong, em Yunnan. O túnel vai ser o maior túnel ferroviário da Ásia.

O projeto está em fase final, conforme reportagem do The Star publicada em 19 de fevereiro de 2026. O furo principal deve ser concluído em dezembro de 2027.

A operação comercial da ferrovia inteira começa em 2028. São 14 anos contínuos de obra desde o lançamento em 2011.

Conforme dados oficiais do China Railway Tunnel Group, a subsidiária da CREC responsável pela obra, o avanço atingiu 50% em fevereiro de 2026.

Portanto, a metade final do túnel ainda precisa ser perfurada sob as mesmas condições geológicas extremas. Engenheiros chineses dizem que o trabalho restante é tão difícil quanto a primeira metade.

Dessa forma, o túnel Gaoligong entra no panteão dos maiores feitos da engenharia ferroviária mundial. Ele já está na lista dos 7 maiores túneis do planeta em qualquer modalidade.

TBM perfurando 34,5 km de rocha no túnel ferroviário Gaoligong em Yunnan China
Tunnel boring machine perfura rocha granítica do túnel ferroviário Gaoligong, referência China Railway Tunnel Group

Por que o túnel Gaoligong é considerado o ferroviário mais difícil do mundo

O Gaoligong atravessa 19 falhas sísmicas ativas. Esse número é maior que qualquer outro projeto ferroviário do planeta.

Para comparar, o túnel Tianshan, também na China, encontrou 16 zonas de falhas. Já o Gotthard Base, na Suíça, atravessa só 4 falhas relevantes.

Conforme detalhamento do Tunnels and Tunnelling, a obra ainda enfrenta calor extremo no subsolo. Algumas seções têm temperatura de até 102 graus Celsius.

A profundidade máxima do túnel chega a 1.155 metros. É um dos pontos mais altos de cobertura rochosa já enfrentados em uma ferrovia em construção.

Conforme análise do registro técnico da Dali-Ruili railway, o sistema hídrico subterrâneo da região Hengduan opera sob alta pressão.

Por isso, escavações em determinadas seções já desencadearam pequenos colapsos. Os engenheiros chineses descrevem episódios em que avançavam 3 metros e perdiam 1 a 2 metros em desabamentos.

De fato, a engenharia chinesa criou um termo para o problema: a “três altos, quatro ativos”. Significa altitude alta, geotermia alta, pressão hídrica alta, falhas geológicas e sísmicas ativas.

Cadeia montanhosa Gaoligong em Yunnan China atravessada pelo túnel ferroviário de 34,5 km
Cadeia de montanhas Gaoligong em Yunnan, atravessada pela ferrovia Dali-Ruili

O que é a ferrovia Dali-Ruili e onde fica o Gaoligong

O Gaoligong faz parte da ferrovia Dali-Ruili, que liga Dali (centro de Yunnan) a Ruili (cidade chinesa na fronteira com Mianmar). São 336,39 km no total.

A primeira fase da ferrovia, entre Dali e Baoshan (133 km), foi inaugurada em 22 de julho de 2022. Levou 14 anos pra ser concluída.

Conforme reportou o South China Morning Post, a segunda fase começou em 2015. Inclui o túnel Gaoligong como obstáculo central.

Dessa forma, 75% do trajeto inteiro da Dali-Ruili é feito por pontes e túneis. É um percentual sem precedentes em ferrovias chinesas recentes.

Por isso, a ferrovia inteira virou conhecida como “a mais difícil do mundo de construir”. Em chinês, recebe a alcunha de 关键控制工程 (projeto de controle crítico).

O Gaoligong em particular foi classificado como “projeto da garganta” (咽喉工程). Sem ele, nada do segundo trecho pode operar.

Quando estiver operando, a ferrovia Dali-Ruili vai reduzir a viagem entre Kunming (capital de Yunnan) e Ruili de 9 horas para 5 horas.

Trem chinês de alta velocidade saindo do portal do túnel ferroviário Gaoligong
Trem CRH chinês emerge do portal de um túnel ferroviário em Yunnan, referência industrial

Como a engenharia chinesa está resolvendo os obstáculos

A China Railway Tunnel Group usa estratégia de múltiplas frentes simultâneas. Diferentes seções do Gaoligong são atacadas ao mesmo tempo.

Há um poço inclinado de 3,8 km que serve como acesso secundário. É o maior poço inclinado já usado em obra ferroviária na China.

Conforme relatos da Engineering Magazine chinesa, o sistema permite drenagem reversa de águas subterrâneas. Sem isso, o túnel seria inundado a cada quilômetro.

Em paralelo, as máquinas TBM usam sistema pressurizado de ar para evitar colapsos durante perfuração em zonas de alta pressão hidrostática.

Por isso, a obra precisou desenvolver técnicas inéditas de injeção de cimento. O método agora vira referência para outros projetos similares ao redor do mundo.

Conforme dados oficiais publicados pela China News Service, a obra completou em dezembro de 2024 as estações subterrâneas de mistura de concreto.

De fato, o concreto produzido no próprio túnel reduz custos logísticos. As estações ficam a quilômetros do portal principal.

  • Comprimento: 34,5 km (maior túnel ferroviário da Ásia)
  • Profundidade máxima: 1.155 metros
  • Temperatura interna: até 102 graus Celsius
  • Falhas sísmicas atravessadas: 19 ativas
  • Progresso atual (fev 2026): 50% após 9 anos
  • Breakthrough previsto: dezembro de 2027
  • Operação comercial: 2028

Comparação com a Ferrogrão e a paralisia da infraestrutura brasileira

Enquanto o Gaoligong avança 50% em 9 anos sob 102 graus de calor, a Ferrogrão brasileira está parada há 16 anos. O projeto da BR-163 ferroviária acumula impasses jurídicos e ambientais.

Conforme análise da BNAmericas, a Ferrogrão envolve um investimento de US$ 16 bilhões em 933 km de trilhos no Brasil.

Dessa forma, a comparação BR-China não é só técnica. Mostra abismo decisório entre governos sobre obras estratégicas.

Para mais contexto sobre essa comparação direta, vale ler a cobertura do Click Petróleo e Gás sobre outras megaobras estratégicas.

Outro paralelo com a megaengenharia chinesa aparece também em outras apurações brasileiras do Click Petróleo e Gás.

Conforme detalhamento da Bastille Post, a integração com Mianmar foi reduzida. A extensão original do projeto até Mandalay parou por causa do conflito político em Mianmar.

Mapa do corredor ferroviário Yunnan-Mianmar incluindo o túnel Gaoligong
Corredor ferroviário Yunnan-Mianmar inclui o túnel Gaoligong como obstáculo central

O que o Gaoligong significa para as cadeias de energia globais

O túnel Gaoligong integra a Iniciativa Belt and Road (BRI) da China. O eixo serve para escoar petróleo e gás de Mianmar para Yunnan.

Por isso, o corredor energético chinês ganha redundância logística. Ferrovia, oleoduto e gasoduto seguem rotas paralelas pela mesma região.

Conforme dados do corredor econômico China-Mianmar, o eixo movimenta hoje cerca de 12 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano.

Dessa forma, quando o túnel entrar em operação em 2028, a ferrovia vai aumentar a capacidade de movimentação de carga geral. Inclui combustíveis, equipamentos e alimentos.

De fato, o impacto econômico para Yunnan é estimado em mais de 1 trilhão de yuans em 30 anos. O dado vem do plano estratégico do governo provincial.

Vale notar que o cronograma ainda pode atrasar mais. Os 1.155 metros de profundidade e as 19 falhas sísmicas restantes podem surpreender.

Apesar disso, o avanço de 50% em fevereiro de 2026 já é considerado um marco. O Gaoligong vai redefinir o padrão da engenharia ferroviária mundial.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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