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2 comentários 6 min de leitura

Treze marta-dos-pinheiros são soltas no noroeste da Inglaterra, retornam após mais de um século, percorrem florestas, ajudam a equilibrar ecossistemas, pressionam esquilos-cinzentos invasores e reacendem um experimento real de recuperação da vida selvagem britânica em escala regional

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 18/01/2026 às 00:24 Atualizado em 18/01/2026 às 00:28
Assista o vídeoVida selvagem ganha novo impulso com martas-pineiras no Lake District, onde a reintrodução pressiona o esquilo-cinzento e reorganiza ecossistemas florestais.
Vida selvagem ganha novo impulso com martas-pineiras no Lake District, onde a reintrodução pressiona o esquilo-cinzento e reorganiza ecossistemas florestais.
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Vida selvagem britânica ganha novo capítulo em Cumbria com 13 marta-dos-pinheiros vindas da Escócia, reintroduzidas em Grizedale e no Vale de Rusland para formar população viável, restaurar ecossistemas florestais e favorecer o esquilo-vermelho nativo

A vida selvagem do noroeste da Inglaterra voltou a registrar um predador que desapareceu da região no fim do século XIX: treze marta-dos-pinheiros foram soltas no Lake District, em Cumbria, retornando às florestas onde antes eram comuns e reativando um equilíbrio ecológico interrompido por mais de um século.

A reintrodução envolve oito fêmeas e cinco machos transferidos de populações estabelecidas na Escócia, agora vivendo em áreas como a Floresta de Grizedale e o Vale de Rusland, com acompanhamento para entender como elas se deslocam, caçam, escolhem abrigos e começam a formar uma população estável na paisagem de Cumbria.

Onde as marta-dos-pinheiros foram soltas e como elas entram na paisagem

As treze marta-dos-pinheiros foram reintroduzidas em 2024 no Lake District, em Cumbria, no noroeste da Inglaterra.

A soltura foi concentrada em duas áreas florestais citadas como pontos principais: a Floresta de Grizedale e o Vale de Rusland.

Essas áreas funcionam como corredores e refúgios naturais, oferecendo cobertura vegetal, locais de abrigo e rotas para deslocamento noturno.

O retorno da espécie não é tratado como um evento pontual, mas como o início de uma presença contínua.

A expectativa é que as marta-dos-pinheiros passem a percorrer bosques, bordas de floresta e diferentes manchas de habitat, ocupando gradualmente um território que havia ficado sem esse predador por mais de um século.

O que são marta-dos-pinheiros e por que elas chamam tanta atenção

A marta-pineira é um mamífero de corpo longo e esguio, com pelagem marrom-chocolate e uma mancha amarelo-clara ao redor da garganta.

Em tamanho, ela se aproxima de um gato doméstico pequeno: mede entre 60 e 70 cm e pode pesar até 2 kg.

Ela é aparentada a outros mustelídeos, como texugos e lontras, e é descrita como ecologicamente importante por ocupar um papel de mesopredador.

Isso significa que ela regula populações menores e ajuda a manter o funcionamento do ecossistema florestal sem necessariamente estar no topo absoluto da cadeia alimentar.

As marta-dos-pinheiros são principalmente noturnas, caçando do crepúsculo ao amanhecer.

Essa rotina discreta, combinada com agilidade e capacidade de escalar e se mover em ambientes densos, faz com que a espécie seja difícil de ver, mas muito influente no equilíbrio da vida selvagem local.

Dieta, comportamento e por que elas “costuram” a floresta por dentro

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As marta-dos-pinheiros são descritas como onívoras e oportunistas, consumindo o que for sazonalmente abundante. Isso inclui pequenos mamíferos, insetos, fungos, frutos silvestres, pequenas aves, ovos e carniça.

Essa dieta ampla é central para entender por que a espécie é vista como reforço de cadeias alimentares.

Ao alternar entre diferentes fontes de alimento ao longo do ano, a marta-pineira se adapta ao que a floresta oferece e mantém uma pressão predatória constante sobre determinadas presas, além de contribuir para limpeza ecológica quando consome carniça.

Nos bosques de folha larga e nas florestas de coníferas, ela se sente igualmente à vontade, o que é relevante porque o Lake District reúne paisagens florestais variadas.

Isso aumenta a chance de a espécie usar múltiplos ambientes, ampliando sua área de ocupação.

Por que elas sumiram de Cumbria e por que o retorno é histórico

A marta-pineira era comum em Cumbria até o final do século XIX, mas acabou localmente extinta por erradicação deliberada e perda de habitat.

Durante décadas, a região passou a funcionar sem esse predador, o que altera o equilíbrio de presas e competidores dentro do ecossistema.

Em 2022, uma marta-pineira foi registrada por armadilha fotográfica no sul de Cumbria, mostrando que a recolonização natural estava ocorrendo, mas lentamente.

O movimento atual acelera esse processo, colocando novamente indivíduos suficientes na paisagem para aumentar a chance de reprodução e formação de uma população viável.

O efeito mais aguardado: pressão sobre esquilos-cinzentos invasores

Um dos pontos centrais do retorno das marta-dos-pinheiros é o impacto sobre esquilos.

A espécie é um dos poucos animais ágeis o suficiente para caçar esquilos, e embora possa se alimentar tanto de esquilos-vermelhos quanto de esquilos-cinzentos, o material destaca que o alvo principal tende a ser o esquilo-cinzento.

Os esquilos-cinzentos são não nativos no Reino Unido e foram introduzidos no século XIX vindos da América do Norte.

Eles se espalham para o norte do país, competem com os esquilos-vermelhos por alimento e carregam o vírus da varíola dos esquilos, que é inofensivo para os cinzentos, mas fatal para os vermelhos.

Na prática, a presença de marta-dos-pinheiros cria uma pressão predatória que pode reduzir a vantagem do esquilo-cinzento, ajudando a reequilibrar uma disputa que, sem predadores eficientes, tende a favorecer o invasor.

Como isso pode favorecer o esquilo-vermelho nativo

Em Cumbria, pesquisadores acreditam que, conforme o número de marta-dos-pinheiros aumente, a população local de esquilo-vermelho, atualmente em declínio, pode ser beneficiada.

O mecanismo esperado é indireto: com mais marta-dos-pinheiros na floresta, a pressão sobre esquilos-cinzentos aumenta e, com isso, o esquilo-vermelho ganha espaço e reduz exposição a uma dinâmica dominada pelo invasor.

Esse tipo de efeito é chamado de cascata ecológica: uma mudança em um nível da cadeia alimentar provoca impactos em outros níveis, alterando a estrutura do ecossistema.

Como as marta-dos-pinheiros serão acompanhadas no dia a dia

As marta-dos-pinheiros soltas foram monitoradas por equipes acadêmicas e veterinárias, além de voluntários e estudantes.

O acompanhamento inclui radiotelemetria para rastrear deslocamentos e armadilhas fotográficas remotas para verificar presença, comportamento e padrões de atividade.

Esse monitoramento busca responder perguntas práticas e decisivas: para onde as marta-dos-pinheiros se movem depois da soltura, como elas escolhem áreas de descanso, quais rotas usam para atravessar a paisagem, como reagem a áreas mais abertas e como exploram florestas densas.

Além disso, foi instalada uma rede de caixas-toca em toda a região, oferecendo locais seguros de abrigo e reprodução na próxima primavera.

Esses abrigos têm papel crucial porque reprodução e sobrevivência de filhotes são indicadores diretos de que a reintrodução está se consolidando.

Por que oito fêmeas e cinco machos importa no objetivo de criar população estável

A composição do grupo soltado, com oito fêmeas e cinco machos, é um detalhe importante porque uma população viável depende de reprodução consistente ao longo dos anos.

Sem uma base reprodutiva suficiente, a presença de marta-dos-pinheiros poderia permanecer frágil ou desaparecer novamente.

A expectativa de reforçar a presença da espécie inclui uma segunda soltura em 2025, com objetivo de alcançar cerca de 30 animais translocados no total. Isso aumenta as chances de diversidade, ocupação territorial e criação de uma base populacional mais resiliente.

Uma espécie discreta, mas capaz de reorganizar a vida selvagem regional

As marta-dos-pinheiros são discretas, noturnas e raras de se ver, mas o efeito delas não depende de visibilidade.

O impacto ocorre quando elas se estabelecem, caçam, se reproduzem e voltam a exercer um papel ecológico que ficou ausente desde o século XIX.

O retorno no Lake District é retratado como um passo concreto para reconstruir a funcionalidade da floresta, fortalecendo cadeias alimentares e alterando o equilíbrio entre espécies nativas e invasoras em Cumbria.

Na sua opinião, o retorno das marta-dos-pinheiros ao Lake District pode virar o exemplo mais forte de recuperação da vida selvagem no Reino Unido, ou ainda é cedo para apostar que elas vão se estabelecer de vez?

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Maria
Maria
18/01/2026 18:33

Ingleses e seu hábito exótico de carregar animais de um continente para outro!

Saulo Ferreira
Saulo Ferreira
18/01/2026 07:43

Achei interessante essa medida e aposto muito nos resultados esperados.

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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