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Três sócios largaram a boate, convenceram o banco e decidiram construir maior maquete ferroviária do mundo; Miniatur Wunderland virou sucesso em Hamburgo, com 12 seções e expansão até 2028

Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/04/2026 às 16:00
Atualizado em 09/04/2026 às 16:04
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Maquete em Hamburgo venceu banco e criou o Miniatur Wunderland, maior ferrovia em miniatura do mundo.
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A maquete que nasceu de um sonho de infância e de uma decisão arriscada tirou três sócios do universo da boate e da gravadora para colocar Hamburgo no centro de um dos projetos mais ambiciosos do modelismo.

A maquete que começou como uma ideia vista com desconfiança acabou se transformando em um sucesso de público e em uma obra de longo prazo. O que parecia improvável em julho de 2000 avançou com rapidez: cinco meses depois a construção da primeira seção já havia começado e, apenas oito meses após isso, o Miniatur Wunderland foi inaugurado com seus três primeiros mundos temáticos.

A origem de tudo está em uma ligação feita de Zurique para Hamburgo. Frederik Braun viu uma loja de modelismo ferroviário, relembrou a infância e decidiu transformar a lembrança em projeto real. Ao falar com o irmão gêmeo Gerrit Braun, ouviu ceticismo no começo, mas a insistência foi tanta que a proposta passou a ser analisada do ponto de vista técnico e econômico.

Naquele momento, Frederik, Gerrit e o sócio Stephan Hertz administravam uma boate em Hamburgo e queriam se afastar da vida noturna por um tempo. O trio decidiu trocar um setor já consolidado por uma aposta cara, complexa e tecnicamente arriscada, mas que aos poucos deixou de parecer delírio para virar plano de negócios.

Maquete nasceu de um impulso e virou decisão de vida

A história do Miniatur Wunderland começa em julho de 2000, quando Frederik Braun passeava por Zurique e encontrou uma loja de modelismo ferroviário. A lembrança da infância despertou imediatamente uma ideia que, horas depois, já parecia grande demais para ser ignorada.

No mesmo dia, ele ligou várias vezes para Gerrit Braun com a mesma proposta: construir a maior ferrovia em miniatura do mundo. O que parecia exagero começou a ganhar forma quando o projeto foi analisado com frieza e, ainda assim, continuou parecendo possível.

Esse foi o ponto em que o sonho deixou de ser apenas entusiasmo. Gerrit avaliou que a proposta seria um desafio tecnológico, que o aspecto econômico seria muito arriscado e que, do ponto de vista empresarial, parecia uma loucura. Mesmo assim, a conclusão foi clara: dava para tentar.

Três sócios saíram da boate para bancar a ideia

Na época, os irmãos Braun e Stephan Hertz estavam ligados à vida noturna de Hamburgo, administrando uma boate e uma gravadora. A decisão de entrar no projeto do Miniatur Wunderland significava abrir espaço para uma mudança profunda de rumo.

Eles não queriam embarcar em uma aventura capaz de destruir o que haviam construído até ali, então precisavam entender se haveria público, se o projeto caberia financeiramente, se a parte técnica funcionaria e se Hamburgo teria um espaço compatível com a ambição da proposta.

Foi aí que resolveram testar a recepção da ideia. Mais de 3 mil pessoas de perfis diferentes participaram de uma pesquisa online sobre atrações que gostariam de visitar em Hamburgo. O resultado foi contraditório, mas não suficiente para derrubar o plano. A decisão final foi manter o projeto em pé.

Hamburgo virou escolha emocional e estratégica

Desde o início, os três queriam que a maquete ficasse em Hamburgo. A ligação com a cidade era forte, mas a escolha também precisava fazer sentido na prática. O local teria de agradar turistas e moradores, ser acessível, oferecer espaço amplo e ainda permitir expansão futura.

A busca não era simples. O projeto precisava de pelo menos 2 mil metros quadrados por andar, arquitetura adequada para a proposta e preço viável. Encontrar um lugar assim em uma cidade valorizada como Hamburgo parecia quase tão difícil quanto convencer as pessoas de que a maquete daria certo.

A solução apareceu na Speicherstadt, o histórico bairro dos armazéns. A HHLA se entusiasmou com a ideia e ofereceu o espaço em Kehrwieder em condições consideradas justas. Com isso, o projeto encontrou a base física que precisava para sair do papel.

Banco topou financiar a maquete com duas folhas de papel

Depois de encontrar um caminho para o espaço, faltava resolver o principal gargalo: dinheiro. Ficou claro que uma maquete desse tamanho, cheia de detalhes e com estrutura tecnológica complexa, custaria muito caro. O trio precisaria de empréstimo.

Frederik Braun marcou então uma reunião com o Hamburger Sparkasse, o Haspa, e levou apenas duas páginas resumindo a ideia e o pedido de empréstimo de 2 milhões de marcos alemães. A expectativa era que o gerente do banco risse da proposta, já que parecia improvável pedir tanto dinheiro com base em um sonho tão ousado.

O que aconteceu foi o contrário. O banco aceitou o financiamento rapidamente. Depois, a conta inicial se mostrou subestimada, já que o valor total subiu para 14 milhões de euros. Ainda assim, o projeto andou e conseguiu mostrar que o público existia. Segundo a base do próprio Miniatur Wunderland, mais de 1,4 milhão de visitantes passaram pelo local desde então.

Construção começou rápido e não parou mais

A rapidez com que o projeto avançou chama atenção. Da ideia inicial em julho de 2000 até o início da construção da primeira seção passaram-se apenas cinco meses. Oito meses depois, em agosto de 2001, o Miniatur Wunderland abriu as portas com Alemanha Central, Knuffingen e Áustria.

Esse ritmo inicial ajuda a explicar por que a maquete deixou de ser apenas um plano bonito para virar obra contínua. O projeto começou cedo a ganhar escala, narrativa própria e uma identidade que ia além dos trens, com mundos temáticos completos e muitos detalhes pensados para encantar públicos diferentes.

A última seção inaugurada foi Mônaco, em 25 de abril de 2024. Hoje, o complexo soma 12 seções completas e já projeta novas expansões até 2028, mostrando que a construção nunca foi tratada como algo encerrado.

Equipe foi montada com teste e apostou em artesãos

Para tirar a maquete do papel, os fundadores precisavam de gente capaz de transformar ambição em execução. Foi então que a equipe procurou Gerhard Dauscher, modelista e projetista de maquetes de Mühlhausen, no sul da Alemanha.

Gerhard abraçou a ideia imediatamente e cancelou outros projetos para liderar a equipe de modelismo do Miniatur Wunderland. A partir daí, começou a montagem do time. Mais de 150 pessoas se inscreveram para trabalhar no projeto, e 40 foram chamadas para um teste em dois dias.

Dessa seleção saiu um grupo escolhido pessoalmente por Gerhard. Apenas um dos integrantes era modelista profissional, mas todos eram descritos como excelentes artesãos. Isso ajudou a definir o espírito da obra: menos uma vitrine fria e mais um trabalho coletivo de construção detalhada, paciente e criativa.

Maquete foi pensada como mundo completo, não só como trem

Desde cedo, os idealizadores queriam evitar que o projeto virasse apenas uma exposição técnica atrás de vidro. A proposta era criar mundos temáticos em miniatura, nos quais os trens seriam só um dos muitos atrativos.

Essa visão ajudou a ampliar o alcance do Miniatur Wunderland. A maquete não foi concebida para agradar apenas quem já gostava de ferrovia em miniatura, mas para funcionar como experiência ampla de observação, surpresa e fantasia.

Foi isso que deu força ao conceito. Em vez de limitar o projeto ao universo ferroviário, a equipe transformou a obra em um espaço de imaginação contínua, capaz de atrair visitantes com perfis diferentes e manter o interesse vivo ao longo dos anos.

Projeto cresceu muito além do plano inicial

A expansão física do Miniatur Wunderland mostra o tamanho da virada. O que começou com 1.500 metros quadrados se transformou em uma estrutura de 10 mil metros quadrados de layout de modelos, com mais crescimento previsto até 2028.

Esse aumento revela duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, que a estimativa inicial era modesta perto do que o projeto realmente exigiria. Segundo, que a maquete encontrou público, viabilidade e força suficiente para continuar crescendo sem depender de subsídios públicos, segundo a base apresentada.

O que parecia impossível em 2000 passou a ocupar um espaço gigantesco e a se consolidar como uma das grandes atrações de Hamburgo, com uma construção que segue em andamento mais de duas décadas depois do primeiro impulso em Zurique.

Miniatur Wunderland virou prova de que uma ideia improvável pode ganhar escala

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A trajetória do Miniatur Wunderland impressiona justamente porque junta impulso, risco e execução. Três sócios deixaram um setor já conhecido, convenceram um banco com um projeto enxuto no papel e começaram uma obra que exigia tecnologia, equipe, espaço e público.

O resultado foi uma maquete que deixou de ser curiosidade para virar referência. Não por ter nascido grande, mas por ter sido levada adiante com rapidez, persistência e disposição para expandir quando quase tudo indicava excesso de ambição.

Hoje, com 12 seções completas, última expansão inaugurada em 2024 e novos passos previstos até 2028, o Miniatur Wunderland mostra como uma ideia tratada como loucura pode se transformar em projeto duradouro, rentável e simbólico para a cidade.

E para você, o que mais impressiona nessa maquete: a ousadia de largar a boate, o banco ter topado financiar a ideia ou o projeto ainda seguir crescendo depois de tanto tempo?

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Carla Teles

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