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Japão transforma garrafas de vidro que iam ao lixo em “pedra-pomes” leve: fábrica em Hiroshima tritura, seca, queima a 900°C e expande o Super Sol para obras, jardins e agricultura

Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/04/2026 às 15:09
Atualizado em 09/04/2026 às 15:15
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Lixo em Hiroshima vira Super Sol com vidro e reciclagem de painéis solares em processo que cria material leve para obras, jardins e agricultura.
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Em Hiroshima, o lixo de vidro que antes seguiria para aterros sanitários passa por trituração, secagem, queima e expansão até se transformar no Super Sol, um material leve e espumoso aplicado em engenharia civil, paisagismo, agricultura e usos domésticos.

O lixo reaproveitado pela empresa Cocco Co., Ltd. mostra como garrafas de vidro descartadas podem ganhar uma nova função industrial sem voltar ao ciclo tradicional da reciclagem de embalagens. Em vez de encerrar o caminho no descarte, esse vidro entra em um processo técnico que cria um novo material com características próprias.

Na província de Hiroshima, no Japão, a empresa trabalha com garrafas de vidro usadas em bebidas e alimentos para produzir o chamado Super Sol. O resultado é um material frequentemente descrito como uma espécie de pedra-pomes artificial, obtido a partir da trituração, da queima e da expansão do vidro descartado.

Vidro que iria para o lixo ganha outro destino

Lixo em Hiroshima vira Super Sol com vidro e reciclagem de painéis solares em processo que cria material leve para obras, jardins e agricultura.

No Japão, cerca de 1 milhão de toneladas de garrafas de vidro são produzidas anualmente. Parte desse volume, especialmente no caso de algumas garrafas coloridas, não consegue entrar no fluxo convencional de reciclagem e acaba seguindo para aterros sanitários.

É justamente nesse ponto que a proposta da Cocco Co., Ltd. ganha força. A empresa direciona esse lixo de vidro para um processo de reaproveitamento que não tenta apenas recuperar a embalagem original, mas criar uma matéria-prima diferente, com aplicação em várias áreas.

Super Sol nasce da transformação do vidro descartado

Lixo em Hiroshima vira Super Sol com vidro e reciclagem de painéis solares em processo que cria material leve para obras, jardins e agricultura.

O Super Sol é apresentado como um material leve e espumoso, feito a partir de garrafas de vidro descartadas. A lógica é simples no conceito, mas exige uma sequência industrial precisa para transformar resíduos em um produto utilizável.

Em vez de tratar o vidro apenas como resto sem valor, a fábrica converte esse material em um produto que pode servir à engenharia civil, ao paisagismo, à agricultura e também a aplicações domésticas. Isso amplia o potencial de uso de um resíduo que, de outra forma, poderia seguir para o descarte definitivo.

Processo começa com coleta, secagem e remoção de impurezas

A fabricação do Super Sol começa com a coleta das garrafas de vidro descartadas. Depois disso, a matéria-prima passa por secagem completa com uso do calor residual do forno, uma etapa importante para preparar o material antes da moagem.

Na sequência, o processo inclui a retirada de impurezas. Tampas plásticas, rótulos colados ao vidro e outros resíduos indesejados são removidos antes e depois da trituração, para que a matéria-prima siga com mais uniformidade para as fases seguintes.

Trituração reduz o vidro a partículas finas

Depois da limpeza inicial, o vidro entra na etapa de trituração. As garrafas quebradas são moídas até alcançar um tamanho de partícula de aproximadamente 200 mícrons, com uso de esferas de cerâmica.

Em seguida, esse material triturado ainda passa por peneiramento para manter o padrão do pó de vidro. Esse controle de granulometria ajuda a preparar a base do Super Sol, que depois receberá aditivos antes de seguir para a linha de queima.

Queima entre 800°C e 900°C faz o material expandir

Após a mistura com aditivos, o pó de vidro é colocado na linha de queima. É nessa fase que o material passa por temperaturas na faixa de 800°C a 900°C e se expande, formando a estrutura leve e espumosa que caracteriza o Super Sol.

Esse é o momento central da transformação. O que começou como lixo de garrafas descartadas passa a assumir uma nova forma física, com propriedades que permitem seu uso em diferentes frentes.

Material reciclado vai para obras, jardins e agricultura

Lixo em Hiroshima vira Super Sol com vidro e reciclagem de painéis solares em processo que cria material leve para obras, jardins e agricultura.

O Super Sol tem uso principal como material de engenharia civil, mas não se limita a isso. A base enviada mostra que ele também pode ser aplicado em paisagismo, agricultura, usos domésticos e até como brita de segurança.

Essa variedade ajuda a explicar por que o material chama atenção. Não se trata apenas de reciclar por reciclar, mas de criar um produto novo com utilidade prática em setores diferentes, ampliando o valor industrial do resíduo reaproveitado.

Painéis solares descartados também entram como matéria-prima

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Além das garrafas de vidro, a empresa também aproveita o vidro de painéis solares descartados como matéria-prima para o Super Sol. Nesse caso, as estruturas de alumínio removidas dos painéis são recicladas como material de alumínio, enquanto o vidro segue para reaproveitamento.

O processo ainda inclui etapas específicas, como o jateamento de pequenas esferas de aço para remover o vidro da superfície dos painéis. Depois, os painéis sem vidro são enviados para fundição, onde ocorre a extração e a reciclagem da prata.

Reciclagem mostra que o lixo pode virar recurso industrial

Lixo em Hiroshima vira Super Sol com vidro e reciclagem de painéis solares em processo que cria material leve para obras, jardins e agricultura.

O caso da fábrica em Hiroshima ajuda a mostrar que o lixo não precisa ser visto apenas como etapa final de descarte. Quando existe triagem, processamento e aplicação industrial, o resíduo pode ganhar nova função e se transformar em insumo para outros setores.

No caso do Super Sol, essa mudança acontece com um material que sai do descarte e volta ao ciclo produtivo em outro formato. Garrafas que iriam para o lixo acabam convertidas em um produto leve, expandido e útil, com aplicação concreta em obras, jardins e agricultura.

Hiroshima transforma descarte em material com nova função

A experiência da Cocco Co., Ltd. resume bem essa lógica. Em vez de limitar o reaproveitamento ao modelo mais tradicional, a empresa cria uma rota em que o vidro descartado vira um material diferente, com identidade própria e uso amplo.

Ao triturar, secar, limpar, queimar e expandir o vidro, a fábrica mostra como o lixo pode ser reposicionado como recurso industrial. E, no caso do Super Sol, esse processo ainda entrega um produto que circula por áreas bastante distintas, da construção ao cultivo.

Você acha que esse tipo de solução para o lixo deveria ganhar mais espaço em outras indústrias também?

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Carla Teles

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