1. Início
  2. Indústria Naval
  3. Transpetro prepara investimento de R$ 42 milhões para modernizar sua frota e aposta em navios capazes de utilizar etanol para reduzir o consumo de combustível
Faça um comentário 8 min de leitura

Transpetro prepara investimento de R$ 42 milhões para modernizar sua frota e aposta em navios capazes de utilizar etanol para reduzir o consumo de combustível

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 16/10/2026 às 17:13 Atualizado em 16/10/2026 às 17:40
Google News
Assista o vídeoEstaleiro no RS começa a construir navios encomendados pela Transpetro
Estaleiro no RS começa a construir navios encomendados pela Transpetro
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Transpetro anuncia R$ 42 milhões para modernizar navios, reduzir emissões e desenvolver embarcações preparadas para combustíveis como o etanol.

O Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, iniciou em 15 de outubro de 2026 a montagem do primeiro navio Handymax encomendado pela Transpetro, enquanto a companhia prepara uma nova etapa de modernização de sua frota marítima. Segundo o portal Portos e Navios, a subsidiária da Petrobras anunciou R$ 42 milhões em investimentos para reduzir o consumo de combustível e as emissões de seus navios, em um programa apresentado durante a Navalshore 2026, realizada em agosto, no Rio de Janeiro. A estratégia inclui melhorias nos cascos, utilização de robôs, sistemas digitais de navegação e desenvolvimento de embarcações preparadas para diferentes combustíveis. O etanol aparece entre as alternativas defendidas pela empresa para substituir parte dos derivados de petróleo utilizados no transporte marítimo.

Transpetro prepara R$ 42 milhões para reduzir o consumo de combustível dos navios

O novo ciclo de investimentos foi apresentado pelo diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Soares, durante a Navalshore 2026. O planejamento prevê R$ 42 milhões para tecnologias de eficiência energética e redução de emissões, com ações programadas para o período de 2026 a 2030.

Estaleiro no RS começa a construir navios encomendados pela Transpetro
Estaleiro no RS começa a construir navios encomendados pela Transpetro – Divulgação/Agencia Brasil

Os recursos serão direcionados a soluções capazes de melhorar o desempenho das embarcações existentes. Entre elas estão equipamentos instalados nos cascos, sistemas digitais de navegação e tecnologias destinadas à conservação das superfícies que permanecem em contato com a água.

A companhia pretende combinar diferentes medidas, sem depender exclusivamente da substituição dos combustíveis. Parte das ações envolve equipamentos que já podem ser utilizados em navios convencionais, enquanto outras dependerão de adaptações nas embarcações e na infraestrutura portuária.

Investimento anterior de R$ 37 milhões evitou 55 mil toneladas de CO₂

Antes de anunciar o novo programa, a Transpetro havia destinado R$ 37 milhões à modernização energética de sua frota entre 2022 e 2025. As iniciativas contemplaram 32 navios utilizados no transporte de petróleo, derivados e outros produtos.

Segundo Jones Soares, as medidas executadas naquele período permitiram evitar a emissão de aproximadamente 55 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂). O resultado foi apresentado pela companhia durante as discussões sobre descarbonização do transporte marítimo.

Os projetos incluíram melhorias operacionais e utilização de tecnologias destinadas a diminuir o consumo de combustível. A nova etapa terá orçamento superior ao ciclo anterior e ampliará a aplicação de equipamentos e sistemas de controle.

Revestimentos especiais poderão reduzir o consumo e as emissões dos navios

Uma das tecnologias destacadas pela Transpetro envolve tintas anti-incrustação, utilizadas para dificultar o acúmulo de organismos marinhos nos cascos. Cracas e outros organismos podem aderir às superfícies e aumentar a resistência encontrada pelo navio durante a navegação.

Quando essa resistência aumenta, os motores precisam realizar mais esforço para manter a velocidade, elevando o consumo de combustível. A aplicação de revestimentos apropriados ajuda a conservar as condições da superfície e diminuir esse efeito.

Segundo os dados apresentados na Navalshore, tecnologias de revestimento anti-incrustante podem proporcionar reduções de 10% a 20% nas emissões, conforme as condições consideradas. Esses percentuais representam o potencial das soluções, não uma redução comprovada em todos os navios da companhia.

Equipamentos instalados nos propulsores podem economizar até 5% de combustível

Outra medida envolve dispositivos instalados em regiões próximas aos propulsores. Essas estruturas procuram melhorar o comportamento da água ao passar pelo casco e pelas hélices, diminuindo as perdas de energia durante a navegação.

A Transpetro apresentou tecnologias capazes de proporcionar reduções estimadas de 4% a 5% no consumo de combustível por meio dessas modificações. Os resultados dependem do projeto da embarcação, das condições de operação e dos equipamentos utilizados.

As melhorias podem ser incorporadas durante períodos de manutenção programada, quando os navios passam por inspeções e reparos. Antes da instalação, é necessário avaliar se o dispositivo é compatível com as características técnicas de cada unidade.

Robôs poderão limpar cascos e retirar organismos acumulados debaixo d’água

A companhia também incluiu a limpeza de cascos por robôs entre as tecnologias consideradas no plano de modernização. Os equipamentos podem retirar materiais acumulados nas superfícies submersas, reduzindo a necessidade de executar determinadas atividades manualmente.

A limpeza contribui para manter o casco em condições adequadas de navegação. Sem esse cuidado, o crescimento de organismos marinhos pode elevar a resistência ao deslocamento e aumentar o esforço exigido dos motores.

Os procedimentos precisam considerar as condições do revestimento, as regras ambientais e os locais autorizados para executar os serviços. A Transpetro não divulgou quantos robôs serão utilizados nem apresentou um cronograma específico para sua aquisição.

Sistemas digitais vão ajudar os comandantes a escolher rotas com menor consumo

Os investimentos também contemplam algoritmos de otimização de rotas. Esses sistemas digitais analisam informações utilizadas no planejamento das viagens, permitindo identificar alternativas para reduzir o gasto energético durante o transporte.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O desempenho de um navio depende de fatores como velocidade, distância percorrida, condições do mar e funcionamento dos motores. Pequenas alterações na programação da viagem podem modificar a quantidade de combustível necessária para completar o percurso.

A utilização de ferramentas digitais permite acompanhar essas informações e apoiar decisões operacionais. A companhia não informou uma economia específica atribuída exclusivamente aos algoritmos que pretende utilizar.

Navios poderão desligar geradores e receber eletricidade diretamente dos portos

Outra tecnologia prevista é o fornecimento de energia elétrica aos navios enquanto permanecem atracados. O sistema permite utilizar eletricidade proveniente da infraestrutura terrestre em substituição à energia produzida pelos geradores auxiliares da embarcação.

Esses geradores normalmente são utilizados para manter equipamentos funcionando durante a permanência nos terminais. A conexão com a rede terrestre pode diminuir a necessidade de queimar combustível nesse período.

Jones Soares citou o Porto do Pecém, no Ceará, entre as instalações previstas para receber infraestrutura compatível com essa operação. A utilização depende de equipamentos apropriados tanto nos terminais quanto nos navios.

A medida faz parte das alternativas estudadas para reduzir o consumo durante as operações portuárias, sem alterar necessariamente os motores principais responsáveis pela propulsão.

Etanol entra nos planos para substituir combustíveis tradicionais da navegação

A Transpetro também está avaliando alternativas para modificar os combustíveis utilizados em sua frota. Entre elas está o etanol, defendido pela companhia como uma possibilidade para a transição energética marítima.

O Brasil possui uma cadeia industrial estabelecida para produzir etanol, utilizado principalmente no abastecimento de veículos terrestres. Sua aplicação em grandes embarcações exige motores compatíveis, sistemas adequados de armazenamento e infraestrutura de abastecimento.

Durante a Navalshore, a empresa destacou a importância de considerar combustíveis que possam ser fornecidos de maneira regular aos navios. Também foram discutidas alternativas como gás natural liquefeito, metanol e amônia, que apresentam exigências técnicas diferentes.

A adoção do etanol ainda depende de condições comerciais, regulamentação e disponibilidade de equipamentos. A preparação de embarcações para diferentes combustíveis não significa que elas já estejam operando regularmente com etanol.

Transpetro testou misturas com até 30% de biocombustível em motores marítimos

A companhia informou que realizou testes utilizando misturas de combustível marítimo com diferentes proporções de biocombustíveis. As concentrações avaliadas foram de 10%, 24% e 30%, sem interferências relatadas no funcionamento dos motores durante os testes.

Essas experiências permitem estudar alternativas que aproveitem parte dos equipamentos e da infraestrutura de abastecimento existentes. A utilização comercial contínua depende das características do combustível, das especificações dos motores e das regras aplicáveis.

Os testes com misturas de biocombustíveis não significam que os navios possam utilizar automaticamente etanol puro. Cada combustível possui propriedades diferentes e exige avaliação técnica específica antes de sua adoção.

Programa Mar Aberto prevê 16 navios preparados para diferentes combustíveis

A modernização também está relacionada à renovação da frota pelo Programa Mar Aberto, que contempla a contratação de embarcações mais eficientes para o Sistema Petrobras.

O conjunto de encomendas inclui quatro navios da classe Handy, oito gaseiros e quatro navios de médio porte MR1. Os projetos foram concebidos para incorporar tecnologias de eficiência energética e permitir adaptações à evolução dos combustíveis marítimos.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Em entrevista ao Sinaval, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, explicou que a estratégia busca preservar a flexibilidade dos navios diante das mudanças tecnológicas e regulamentares do setor.

A companhia estima que os novos projetos possam proporcionar redução de até 30% nas emissões de gases de efeito estufa, em comparação com embarcações da frota atual. Trata-se de uma projeção de desempenho, cuja comprovação dependerá da operação das novas unidades.

Estaleiro Rio Grande começa a montar novos navios para a Transpetro

A renovação da frota avançou em 15 de outubro de 2026, quando o Estaleiro Rio Grande realizou o batimento de quilha do primeiro navio Handymax contratado pela Transpetro. A cerimônia marcou uma nova etapa da montagem depois do início do processamento das chapas de aço.

O estaleiro, administrado pela Ecovix, possui uma carteira de 13 navios para a Transpetro, formada por quatro Handymax, cinco gaseiros pressurizados e quatro embarcações MR1. Os trabalhos incluem fabricação de estruturas, montagem de sistemas e instalação de equipamentos.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o conjunto de projetos possui potencial de gerar até 5 mil empregos diretos e indiretos. A fabricação ocorrerá em diferentes etapas nos próximos anos, acompanhando o cronograma contratado para cada embarcação.

Indústria naval terá de adaptar motores, equipamentos e sistemas de abastecimento

A utilização de combustíveis alternativos exige mudanças que vão além da instalação de motores. Estaleiros e fornecedores precisam considerar sistemas de armazenamento, tubulações, controle de segurança e equipamentos compatíveis com cada combustível.

A construção de navios preparados para futuras adaptações também envolve decisões tomadas durante o desenvolvimento dos projetos. Espaços internos, características dos tanques e sistemas de alimentação precisam ser planejados conforme as possibilidades técnicas escolhidas.

O setor marítimo internacional segue discutindo as regras para reduzir as emissões das embarcações. A Transpetro pretende acompanhar essas definições enquanto executa medidas de eficiência energética e amplia sua frota.

O plano anunciado de R$ 42 milhões concentra investimentos em tecnologias de modernização, enquanto a construção das novas embarcações possui contratos e orçamentos próprios.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x