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MIT descobre como turbinas eólicas podem gerar mais energia com simples ajustes na rotação das pás, sem construir novos parques

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 14/10/2026 às 19:46 Atualizado em 14/10/2026 às 20:39
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Experimentos com pressão de até 240 atmosferas mostram como controlar melhor os aerogeradores diante das mudanças do vento e podem abrir caminho para aumentar a receita dos parques eólicos.
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Experimentos com pressão de até 240 atmosferas mostram como controlar melhor os aerogeradores diante das mudanças do vento e podem abrir caminho para aumentar a receita dos parques eólicos.

Uma mudança na forma de controlar as turbinas eólicas pode ajudar a produzir mais eletricidade sem a necessidade de construir novos parques. Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em 28 de setembro de 2026, cientistas desenvolveram uma maneira de testar o funcionamento dos aerogeradores em condições próximas às encontradas na atmosfera. Os resultados indicam que ajustes na velocidade de rotação das pás, conforme a direção do vento, podem melhorar a geração de energia. Além disso, os pesquisadores estimam que a otimização de diferentes parâmetros operacionais poderá acrescentar dezenas de milhares de dólares à receita anual de cada turbina.

MIT identifica possibilidade de aumentar geração de energia com ajustes nas turbinas

Quem observa um parque eólico pode imaginar que basta posicionar as turbinas na direção do vento para obter o melhor desempenho. Na prática, porém, a situação é mais complexa.

O vento muda de direção e intensidade constantemente. Por isso, mesmo os aerogeradores modernos nem sempre conseguem permanecer perfeitamente alinhados com o fluxo de ar.

Essa diferença pode afetar a quantidade de eletricidade produzida.

Para entender melhor o problema, pesquisadores do MIT, da Universidade de Princeton e de outras instituições analisaram como o alinhamento das turbinas influencia sua eficiência.

Os experimentos mostraram que ajustar a velocidade de rotação das pás de acordo com o desalinhamento em relação ao vento pode elevar a potência gerada.

Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial mostra como o ajuste da velocidade de rotação das pás, considerando o desalinhamento em relação ao vento, pode contribuir para aumentar a geração de energia em turbinas eólicas, conforme pesquisa do MIT.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial mostra como o ajuste da velocidade de rotação das pás, considerando o desalinhamento em relação ao vento, pode contribuir para aumentar a geração de energia em turbinas eólicas, conforme pesquisa do MIT.

Segundo o pesquisador John Kurelek, da Queen’s University, os testes demonstraram que é possível alcançar novos pontos de máxima potência apenas modificando a velocidade de rotação quando a turbina não está perfeitamente alinhada.

A descoberta chama atenção porque essa estratégia de controle ainda é pouco utilizada nos parques eólicos.

Túnel de vento com pressão de até 240 atmosferas permitiu simular turbinas maiores

Um dos maiores desafios da pesquisa era reproduzir, dentro de um laboratório, o comportamento de equipamentos que operam em ambientes abertos.

Para isso, os cientistas utilizaram um túnel de vento pressurizado, capaz de aumentar significativamente a densidade do ar.

Durante os testes, uma pequena turbina de 15 centímetros de diâmetro foi submetida a pressões de até 240 atmosferas.

Com o aumento da densidade do ar, os pesquisadores conseguiram reproduzir aspectos importantes do comportamento aerodinâmico de equipamentos muito maiores.

Segundo Kurelek, as condições utilizadas permitiram simular turbinas equivalentes a aproximadamente 15 a 20 metros de diâmetro, com possibilidade de alcançar condições correspondentes a equipamentos de até 35 metros.

Isso não significa que a turbina de laboratório tenha produzido a mesma quantidade de eletricidade de uma máquina industrial. O objetivo foi reproduzir características físicas do escoamento do ar para estudar seu comportamento.

Além disso, os experimentos ajudaram a validar um modelo computacional que poderá ser utilizado por engenheiros no desenvolvimento de novas estratégias de controle.

Nova estratégia pode aumentar a receita de parques eólicos existentes

Uma das principais vantagens da descoberta é a possibilidade de aplicar melhorias em instalações que já estão em operação.

Segundo o professor Michael Howland, do MIT, os resultados ajudam a aprimorar modelos utilizados para definir como as turbinas devem funcionar diante de diferentes condições do vento.

Os pesquisadores estimam que a combinação de ajustes no alinhamento, na inclinação das pás e na velocidade de rotação poderá gerar dezenas de milhares de dólares em receita adicional por turbina a cada ano.

Entretanto, essa projeção ainda depende de validação em condições comerciais. O estudo não estabelece um percentual universal de aumento de geração que possa ser aplicado a todos os parques.

A possibilidade de melhorar a produtividade ganha importância diante dos investimentos realizados no setor. Na Alemanha, por exemplo, um parque eólico offshore de 960 MW reúne 64 turbinas e tem capacidade projetada para atender o equivalente ao consumo anual de 1,1 milhão de residências, conforme reportagem de Roberta Souza publicada no CPG.

Em empreendimentos dessa dimensão, mesmo melhorias relativamente pequenas na eficiência podem representar ganhos relevantes ao longo da vida útil dos equipamentos.

Experimentos podem reduzir a necessidade de testes prolongados em parques reais

Além dos resultados sobre a rotação das turbinas, a pesquisa apresenta uma nova forma de estudar o comportamento dos aerogeradores.

Normalmente, os testes em parques reais enfrentam dificuldades porque as condições climáticas mudam o tempo todo.

Em estudos anteriores, a equipe de Howland precisou alterar deliberadamente o alinhamento de turbinas durante meses para observar como essas mudanças afetavam a produção.

Entretanto, esse tipo de experimento pode reduzir temporariamente a eletricidade gerada e exige acompanhamento prolongado.

Com o túnel pressurizado, os pesquisadores conseguiram isolar variáveis e testar diferentes estratégias de controle em poucas semanas.

Além disso, o modelo computacional validado durante os experimentos pode funcionar em computadores convencionais, sem exigir equipamentos de processamento de grande porte.

Essa combinação poderá facilitar o desenvolvimento de novos projetos e o aperfeiçoamento de turbinas existentes.

Avanço pode contribuir para a eficiência de projetos eólicos em terra e no mar

Os resultados são relevantes para uma indústria que continua ampliando a instalação de aerogeradores de grande porte.

Na Polônia, por exemplo, o projeto offshore Baltica 2 concluiu a instalação de 111 fundações, incluindo 107 destinadas a turbinas eólicas de 14 MW, conforme reportagem de Roberta Souza no CPG.

Já na França, um parque eólico de 496 MW avançou com a instalação de 31 das 62 turbinas previstas, segundo outra matéria da jornalista.

Esses projetos demonstram o tamanho dos investimentos necessários para ampliar a geração renovável. Por isso, encontrar formas de aproveitar melhor a infraestrutura existente também se tornou importante.

Entretanto, a pesquisa do MIT não confirma que a nova estratégia já esteja sendo utilizada nesses empreendimentos. Os exemplos mostram apenas a escala da indústria que poderá se beneficiar de futuras melhorias.

Pesquisa abre caminho para produzir mais energia aproveitando melhor o vento

O estudo foi publicado na revista científica PNAS Nexus e reuniu pesquisadores de instituições como MIT, Princeton, Queen’s University e Penn State.

Além de investigar a eficiência das turbinas, o trabalho demonstrou que experimentos pressurizados podem aproximar os testes de laboratório das condições encontradas em parques eólicos.

Segundo os cientistas, a metodologia poderá acelerar a avaliação de novos projetos e estratégias operacionais.

Por enquanto, os resultados representam um avanço experimental, e não uma tecnologia comercial já implementada em larga escala.

A descoberta, porém, aponta um caminho importante: antes de instalar novas turbinas, operadores poderão estudar maneiras de aproveitar melhor o vento que já passa pelos aerogeradores existentes.

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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