O submarino Shogei desceu ao mar em Kobe com 84 metros e baterias de íons de lítio, mas ainda precisa de 17 meses de acabamento.
A Mitsubishi Heavy Industries lançou ao mar, na quinta-feira (8), o submarino Shogei, sétimo da classe Taigei da Marinha do Japão. A cerimônia de batismo foi no estaleiro de Kobe, na província de Hyogo. O casco recebeu o número SS-519, segundo o Naval News. Hoje, terça-feira, 13 de outubro, o barco segue em acabamento. A entrega à Força Marítima de Autodefesa do Japão está prevista para março de 2028.
O batismo estava marcado desde a semana anterior. No aviso da Força Marítima, publicado na quinta-feira anterior (1º), a cerimônia aparece das 11h às 11h10, no estaleiro da Mitsubishi Heavy Industries em Kobe. Quem a presidiu foi o vice-almirante Yoshihiro Goka, comandante do Distrito de Kure. O nome só seria revelado na hora.
Quanto custa e o que o submarino Shogei entrega à Marinha do Japão?
O Naval News informa um custo de construção de cerca de 80,5 bilhões de ienes, ou US$ 509 milhões. As medidas do casco vêm da própria Marinha do Japão, citada pelo veículo.
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| Item | Dado do submarino Shogei |
|---|---|
| Construtor | Mitsubishi Heavy Industries, em Kobe |
| Número do casco | SS-519 |
| Posição na classe Taigei | sétimo |
| Deslocamento padrão | cerca de 3.000 toneladas |
| Comprimento | 84 metros |
| Boca (largura) | 9,1 metros |
| Tripulação | cerca de 70 pessoas |
| Custo de construção | 80,5 bilhões de ienes (US$ 509 milhões) |
| Entrega prevista | março de 2028 |
A tripulação de cerca de 70 pessoas e a abertura da quilha, em 17 de abril de 2024, vêm do relato da Defence Security Asia, e não da lista do Naval News.
Por dentro, o submarino Shogei segue o padrão dos últimos barcos da classe Taigei. Como o Raigei, o Chogei e o Sogei, ele leva os novos motores diesel Kawasaki 12V 25/31, de maior potência.
O armamento inclui o torpedo Type 18, sucessor do Type 89. O sistema contra torpedos é o mesmo dos quatro últimos submarinos da classe Soryu. O casco também dispara o míssil antinavio Harpoon Block II, com alcance reportado de 248 quilômetros.
A energia submersa vem de baterias de íons de lítio de grande capacidade. O limite é conhecido: o submarino diesel-elétrico precisa subir perto da superfície, com o snorkel para fora, para recarregar. Isso aumenta o risco de ser detectado. Em velocidade alta, as baterias também descarregam mais rápido.
Por que o submarino Shogei só entra em serviço em março de 2028?
Lançar o casco não é entregar o barco: o submarino Shogei ainda tem pela frente instalação de equipamentos, testes e treinamento. Entre a abertura da quilha e a descida ao mar passaram-se cerca de 30 meses. Faltam outros 17 até a entrega. Da quilha à entrega, são quase quatro anos.
O ritmo é de um submarino por ano. O Sogei, que antecede o Shogei, deve chegar à frota por volta de março de 2027. A construção alterna entre a Mitsubishi Heavy Industries e a Kawasaki, em estaleiros vizinhos de Kobe.
O SS-520 e outros cascos já estão em obra, segundo a Defence Security Asia. A série costuma ser descrita como de dez barcos, mas o número final depende de autorização e de orçamento.
O nome também é novo. Shogei combina os ideogramas de “voar” e “baleia” e pode ser traduzido como “baleia que se eleva” (Soaring Whale, no inglês do Naval News). A Marinha do Japão nunca usou esse nome, e a antiga Marinha Imperial também não.
Quanto custa por tonelada o submarino Shogei?
Com os números do Naval News, a conta é simples. Dividir 80,5 bilhões de ienes por 3.000 toneladas dá cerca de 26,8 milhões de ienes por tonelada, algo perto de US$ 170 mil. Por metro de casco, são cerca de US$ 6 milhões. Por tripulante, cerca de US$ 7,3 milhões.
São médias simples, que servem de régua e não de preço de tabela. O custo informado não separa casco, motores, sensores e armas.
O que o lançamento do submarino Shogei tem a ver com propulsão nuclear?
O submarino Shogei é diesel-elétrico, e não nuclear. A discussão sobre propulsão nuclear é sobre o submarino que virá depois da classe Taigei.

Em 6 de julho, a agência de aquisição do Ministério da Defesa (ATLA) contratou a Mitsubishi Heavy Industries por 3,9 bilhões de ienes, cerca de US$ 24,6 milhões. O objetivo é pesquisar o projeto completo de um submarino de próxima geração com lançamento vertical (VLS) de mísseis de longo alcance. O estudo vai dos anos fiscais de 2026 a 2029. O contrato equivale a cerca de 4,8% do custo de um único Shogei.
Um painel de especialistas do ministério recomendou, em setembro de 2025, mais pesquisa sobre submarinos com VLS e sobre o que chamou de “propulsão de próxima geração”. O painel não citou a propulsão nuclear.
Em 11 de setembro, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, disse que o Japão não descarta submarinos de propulsão nuclear. O governo revisa até o fim do ano os três documentos de segurança nacional. Koizumi citou vantagens, como ficar submerso por muito tempo e navegar mais rápido. Citou também custos: casco maior, especialistas em reator e possível ruído acústico maior que o dos convencionais.
Não há decisão tomada. Para o Naval News, a questão central é qual missão a futura força submarina vai cumprir e qual propulsão atende melhor a essa missão sem pôr a tripulação em risco.
O que fica de concreto sobre o submarino Shogei?
Por ora, os números fechados são 80,5 bilhões de ienes de custo, 3.000 toneladas, 84 metros e março de 2028 como prazo de entrega. O submarino Shogei mantém a cadência anual da classe Taigei, feita pela Mitsubishi Heavy Industries e pela Kawasaki. A pergunta sobre propulsão nuclear fica para o próximo projeto, com um contrato de pesquisa que pesa menos de 5% do preço de um único casco.
