Bahia tem R$ 953,2 milhões aprovados para construir 13 embarcações no Estaleiro Belov, em Simões Filho, com previsão de 750 empregos diretos.
Um estaleiro instalado na Região Metropolitana de Salvador se prepara para ampliar sua produção de embarcações destinadas ao transporte de minérios, às operações portuárias e aos serviços marítimos. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, quatro projetos que somam R$ 953,2 milhões receberam aprovação de prioridade para financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante em 8 de outubro de 2026. As propostas contemplam a construção de 13 embarcações no Estaleiro Belov Offshore Industrial, em Simões Filho, na Bahia, com potencial para gerar 750 empregos diretos. As encomendas envolvem a LHG Logística, a SAAM Towage Brasil e a Belov Engenharia, com prazos de execução que chegam a quatro anos.
Estaleiro de Simões Filho concentrará a construção das 13 embarcações
A produção está prevista para o Estaleiro Belov Offshore Industrial, localizado em Simões Filho, às margens da Baía de Aratu, na Região Metropolitana de Salvador.
A unidade possui instalações destinadas à construção, manutenção e reparo de embarcações utilizadas em operações marítimas e fluviais.
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Os quatro projetos aprovados contemplam três tipos de embarcações, cada um preparado para uma atividade específica.
Serão quatro empurradores fluviais, seis rebocadores portuários e três balsas destinadas ao transporte de cargas e ao apoio marítimo.
A construção das unidades envolverá serviços de fabricação de estruturas metálicas, montagem, instalação de equipamentos e testes necessários à entrega das embarcações.
Projeto de R$ 402,7 milhões prevê quatro empurradores para transportar minério
O maior investimento individual pertence à LHG Logística, que teve aprovado um projeto de R$ 402,7 milhões.
A proposta prevê construir quatro empurradores fluviais, embarcações utilizadas para movimentar conjuntos de balsas carregadas.
Esses equipamentos serão destinados ao transporte de minérios pelos rios Paraguai e Paraná, em uma rota que conecta Corumbá, em Mato Grosso do Sul, a Nueva Palmira, no Uruguai.
No destino, o minério poderá ser transferido para navios maiores, utilizados no transporte marítimo internacional.
A execução do projeto está prevista para ocorrer ao longo de quatro anos, com estimativa de 300 empregos diretos.
Embora os empurradores sejam utilizados na região Centro-Oeste e em uma rota internacional, sua fabricação está prevista para a Bahia.
SAAM Towage planeja construir seis rebocadores com investimento de R$ 343,85 milhões
A SAAM Towage Brasil responde por dois projetos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante.
Juntas, as propostas somam R$ 343,85 milhões e contemplam a construção de seis rebocadores portuários.
O primeiro projeto prevê quatro embarcações, com investimento de R$ 223,35 milhões e prazo de execução de 36 meses.
O segundo envolve dois rebocadores, com valor de R$ 120,5 milhões e prazo de construção de até 18 meses.
Esses navios são utilizados para auxiliar embarcações maiores durante manobras de entrada e saída dos portos.
A força dos rebocadores permite movimentar navios de grande porte em áreas onde o espaço para navegação é limitado.
Dois novos rebocadores terão motores projetados para emitir menos CO₂
Entre as seis embarcações previstas pela SAAM Towage, duas terão motores projetados para reduzir a emissão de dióxido de carbono.
A tecnologia faz parte da proposta de R$ 120,5 milhões, com execução prevista em até 18 meses.
Os equipamentos serão utilizados em serviços de apoio portuário, como manobras de atracação e desatracação de navios comerciais.
A empresa não divulgou, no anúncio do financiamento, os portos onde os novos rebocadores serão empregados.
Também não foram apresentados percentuais de redução das emissões nem informações sobre a potência dos motores.
Os dois projetos da SAAM Towage possuem previsão conjunta de 300 empregos diretos durante sua execução.
Belov Engenharia investirá R$ 206,7 milhões na construção de três embarcações
A própria Belov Engenharia também teve aprovado um projeto destinado à ampliação de sua frota.
A proposta soma R$ 206,7 milhões e contempla três embarcações utilizadas em operações de transporte e apoio marítimo.
Duas serão balsas com 60 metros de comprimento, destinadas à movimentação de cargas gerais.
A terceira será uma balsa autoelevatória, utilizada em atividades de apoio marítimo e operações em alto-mar.
Esse tipo de equipamento possui estruturas que permitem elevar sua plataforma de trabalho acima da superfície da água.
A solução é empregada em determinadas atividades de construção, manutenção e apoio a instalações marítimas.
O projeto da Belov possui prazo de execução de 20 meses e previsão de 150 empregos diretos.
Construção das embarcações poderá gerar 750 empregos diretos na Bahia
A previsão de geração de empregos está distribuída entre os quatro projetos aprovados. A construção dos empurradores da LHG Logística deverá responder por 300 postos diretos.
Os dois projetos da SAAM Towage também preveem 300 empregos, enquanto a ampliação da frota da Belov Engenharia contempla outros 150.
A fabricação naval envolve diferentes atividades industriais, incluindo soldagem, caldeiraria, montagem, pintura, instalações elétricas e manutenção de equipamentos.
Os projetos também demandam serviços de engenharia, planejamento, inspeção e controle de qualidade. Os processos seletivos e os requisitos profissionais dependerão das necessidades de contratação durante a execução.
Estaleiro Belov já possui investimento de R$ 73 milhões para ampliar instalações
Antes da aprovação dos novos projetos, o Grupo Belov havia anunciado um contrato de financiamento para modernizar e ampliar seu estaleiro.
O acordo foi assinado com a Caixa Econômica Federal em 2 de outubro de 2026. O empreendimento de expansão possui orçamento de R$ 73 milhões, dos quais R$ 66 milhões serão financiados.
A operação prevê 24 meses de carência e prazo de amortização de 120 meses.
A modernização inclui novos galpões industriais, prédios administrativos e melhorias nos sistemas de produção.
A empresa também prevê ampliar a automação dos processos de fabricação e modernizar equipamentos utilizados no estaleiro.
Área industrial passará de 12 mil para 16 mil metros quadrados
O projeto de expansão da Belov prevê aumentar a área industrial construída de 12 mil para 16 mil metros quadrados.
As novas instalações deverão receber equipamentos e estruturas necessários à fabricação de embarcações maiores e ao aumento da capacidade operacional.
A companhia também pretende ampliar a utilização de energia solar e adotar processos industriais que reduzam a geração de resíduos.
Segundo a empresa, a capacidade produtiva anual deverá chegar a 11 mil toneladas depois da conclusão da ampliação.
Esse volume representa aproximadamente o dobro da capacidade anterior informada pela Belov. O processo de modernização começou em 2025 e já estava em andamento quando o contrato de financiamento foi assinado.
Investimentos na Bahia fazem parte de carteira nacional de R$ 8,3 bilhões
Os quatro projetos baianos integram um conjunto maior de iniciativas analisadas pelo Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante.
Na reunião realizada em 8 de outubro, o colegiado aprovou prioridade para R$ 8,3 bilhões em financiamentos.
A carteira reúne 26 projetos distribuídos por nove estados brasileiros, com potencial para gerar 6.530 empregos diretos.
As propostas incluem construção de embarcações, modernização naval e obras de infraestrutura portuária. Do valor total aprovado, R$ 4,28 bilhões estão concentrados em três projetos de terminais portuários.
Também existem investimentos previstos em estados como Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A aprovação de prioridade não significa liberação imediata dos recursos. Os projetos ainda precisam cumprir as exigências das instituições financeiras responsáveis pelos contratos.
Financiamentos ainda dependem de análise e contratação
O Fundo da Marinha Mercante é um instrumento de financiamento destinado a apoiar projetos relacionados à construção naval e ao transporte aquaviário.
Os recursos podem ser utilizados na construção, reparação e modernização de embarcações, além de projetos de infraestrutura ligados ao setor.
A aprovação pelo Conselho Diretor permite que as propostas avancem para análise dos agentes financeiros.
Nessa etapa, são avaliadas as condições de financiamento e os requisitos necessários para a contratação. Somente depois do cumprimento dessas exigências os recursos poderão ser contratados e desembolsados.
Portanto, os R$ 953,2 milhões anunciados para a Bahia representam projetos aprovados para avançar no processo de financiamento, e não dinheiro integralmente transferido às empresas.
Projetos possuem prazos de execução entre 18 meses e quatro anos
Os cronogramas apresentados pelas empresas variam conforme o tipo e a quantidade de embarcações. O menor prazo anunciado é de 18 meses, referente à fabricação de dois rebocadores da SAAM Towage.
As três embarcações da Belov possuem previsão de execução em 20 meses. A construção de outros quatro rebocadores poderá levar 36 meses, enquanto os empurradores fluviais da LHG Logística possuem prazo previsto de quatro anos.
Esses períodos estão associados aos projetos apresentados para financiamento. O início e a conclusão de cada construção dependerão das etapas contratuais e da execução industrial.
Novas embarcações conectarão a produção naval baiana a operações em outras regiões
Os 13 equipamentos previstos possuem destinos e finalidades diferentes. Os empurradores da LHG Logística serão utilizados no transporte de minério entre Mato Grosso do Sul e Uruguai.
Os rebocadores da SAAM Towage atenderão operações portuárias, embora os portos de destino ainda não tenham sido divulgados.
Já as embarcações da Belov ampliarão sua capacidade de atendimento a atividades de transporte de carga e apoio marítimo.
A produção ficará concentrada em Simões Filho, enquanto parte da futura operação ocorrerá longe do litoral baiano.

