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Pesquisa nos EUA modifica material usado em chips e reduz em 40% a energia exigida em processo elétrico

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 14/10/2026 às 20:31 Atualizado em 14/10/2026 às 20:35
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Pesquisa de laboratório americano utiliza íons de hélio para modificar o nitreto de alumínio e aponta uma nova possibilidade para memórias eletrônicas com menor consumo de energia.
Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial.
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Estudo do Oak Ridge National Laboratory mostra como alterações microscópicas no nitreto de alumínio podem favorecer o desenvolvimento de memórias eletrônicas mais eficientes.

Pesquisadores do Oak Ridge National Laboratory (ORNL), nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de modificar o comportamento elétrico de um material presente na fabricação de componentes eletrônicos. Segundo comunicado divulgado pelo laboratório em 7 de maio de 2026, a equipe utilizou íons de hélio para alterar a estrutura do nitreto de alumínio. Com isso, conseguiu reduzir em aproximadamente 40% a energia necessária para inverter a polarização elétrica do material.

A descoberta integra um estudo da revista científica Advanced Materials e pode contribuir para o desenvolvimento de memórias eletrônicas mais eficientes. Entretanto, a tecnologia ainda está em fase experimental e não possui previsão de aplicação comercial.

O resultado chama a atenção porque os pesquisadores trabalharam com um material que a indústria já conhece. Em vez de desenvolver um novo composto, a equipe introduziu pequenas alterações em sua estrutura cristalina. Dessa forma, conseguiu modificar uma propriedade importante para futuras aplicações em armazenamento de dados.

Por que os cientistas decidiram criar defeitos no nitreto de alumínio?

Na indústria de semicondutores, defeitos na estrutura cristalina geralmente representam um problema. Afinal, essas irregularidades podem prejudicar propriedades elétricas, aumentar perdas de energia e comprometer o desempenho dos componentes.

Entretanto, os pesquisadores do ORNL decidiram investigar se pequenas alterações poderiam produzir um efeito diferente no nitreto de alumínio.

Esse composto possui uma estrutura cristalina conhecida como wurtzita. Nela, os átomos seguem uma organização específica que influencia o comportamento elétrico do material.

Íons de hélio criam minúsculos defeitos no cristal hexagonal do nitreto de alumínio, permitindo a inversão da polarização elétrica com menos energia. Imagem: Adam Malin/ORNL, Departamento de Energia dos EUA.
Íons de hélio criam minúsculos defeitos no cristal hexagonal do nitreto de alumínio, permitindo a inversão da polarização elétrica com menos energia. Imagem: Adam Malin/ORNL, Departamento de Energia dos EUA.

Durante a pesquisa, a equipe observou que mudanças controladas nessa estrutura poderiam facilitar a inversão da polarização elétrica.

Para compreender a importância da descoberta, é necessário conhecer uma propriedade chamada ferroeletricidade. Materiais ferroelétricos conseguem manter determinados estados de polarização mesmo depois que deixam de receber tensão elétrica.

Por isso, esses materiais despertam interesse no desenvolvimento de memórias não voláteis, capazes de conservar informações sem alimentação elétrica contínua.

O desafio, porém, está na energia necessária para alterar esses estados. Nesse contexto, os cientistas buscaram uma maneira de facilitar a mudança da polarização.

Feixe de íons de hélio modifica regiões microscópicas do material

Para realizar o experimento, os pesquisadores utilizaram um feixe de íons de hélio com aproximadamente um nanômetro de largura. Essa medida corresponde à bilionésima parte de um metro.

Com essa ferramenta, a equipe introduziu pequenas alterações em regiões específicas do nitreto de alumínio. Ao mesmo tempo, conseguiu preservar a organização geral do cristal.

Segundo o pesquisador Kyle Kelley, do ORNL, o material apresentou resistência ao tratamento. Mesmo após a exposição a doses elevadas de íons, sua estrutura cristalina manteve características importantes.

Além disso, os testes revelaram uma mudança significativa no comportamento elétrico. O material tratado passou a exigir cerca de 40% menos energia para inverter sua polarização.

Entretanto, esse resultado não significa que celulares, computadores ou outros equipamentos passarão a consumir 40% menos eletricidade.

Na realidade, os cientistas observaram a redução em um processo específico do material. O consumo de um dispositivo completo depende de diversos fatores, incluindo seus circuitos e suas condições de funcionamento.

Alterações na estrutura cristalina ajudam a explicar a redução de energia

Além dos experimentos físicos, a equipe utilizou simulações computacionais para investigar o comportamento do nitreto de alumínio após o tratamento.

Os resultados indicaram que os defeitos introduzidos pelo feixe de hélio facilitam a mudança da orientação elétrica em pequenas regiões do cristal.

Em outras palavras, a inversão da polarização não precisa ocorrer de maneira uniforme em toda a estrutura. Pequenas colunas de átomos conseguem participar do processo de forma relativamente independente.

Consequentemente, o material precisa de menos energia para realizar essa mudança.

Esse comportamento contrasta com o que ocorre em diversos materiais ferroelétricos tradicionais. Neles, defeitos cristalinos frequentemente dificultam a alteração da polarização elétrica.

Segundo Bogdan Dryzhakov, pesquisador do ORNL, a técnica também permite explorar propriedades ferroelétricas em regiões selecionadas do nitreto de alumínio.

Portanto, o avanço não se limita à redução de energia. A pesquisa também apresenta uma possibilidade de controlar o comportamento elétrico do material em escala microscópica.

Como a descoberta pode contribuir para memórias eletrônicas mais eficientes?

Uma das aplicações que despertam interesse dos cientistas envolve o desenvolvimento de memórias ferroelétricas.

Nesses sistemas, diferentes estados de polarização podem representar informações digitais. Além disso, determinadas configurações conseguem preservar esses estados sem fornecimento contínuo de eletricidade.

Por essa razão, pesquisadores investigam o uso de materiais ferroelétricos em componentes que precisam armazenar dados com maior eficiência energética.

O nitreto de alumínio apresenta uma vantagem importante nesse cenário. Afinal, a indústria de microeletrônica já utiliza esse composto em componentes associados às comunicações sem fio.

Assim, a combinação entre o material e o tratamento com íons de hélio pode abrir novas possibilidades para pesquisas sobre armazenamento eletrônico.

A busca por memórias mais eficientes também mobiliza fabricantes de semicondutores. Em setembro de 2026, o CPG mostrou que a GlobalFoundries desenvolveu um chip de teste com uma nova tecnologia de memória. Segundo reportagem de Roberta Souza, a solução promete ocupar 40% menos área e utilizar até 60% menos potência que a memória SRAM utilizada como referência. Embora empreguem tecnologias diferentes, os dois projetos procuram melhorar a eficiência dos componentes eletrônicos.

Entretanto, o experimento do ORNL ainda não representa uma memória comercial pronta para fabricação.

Até o momento, os cientistas demonstraram o comportamento do material em condições de laboratório. Ainda será necessário investigar como essa propriedade funciona em componentes eletrônicos completos.

Além disso, o estudo identificou uma resposta piezoelétrica mais intensa após o tratamento.

Essa propriedade relaciona estímulos elétricos e deformações mecânicas. Por isso, também interessa ao desenvolvimento de filtros e ressonadores utilizados em sistemas de radiofrequência.

Dessa maneira, a pesquisa pode contribuir para diferentes áreas da eletrônica, além das tecnologias de memória.

Técnicas conhecidas pela indústria podem favorecer novas aplicações

Outro aspecto importante da descoberta envolve os métodos utilizados durante o experimento.

O nitreto de alumínio já possui aplicações na fabricação de componentes eletrônicos. Da mesma forma, a indústria utiliza feixes de íons em diferentes processos de modificação de materiais.

Portanto, os pesquisadores combinaram tecnologias conhecidas para investigar uma propriedade que ainda oferece possibilidades de desenvolvimento.

Isso não significa, porém, que as fabricantes poderão incorporar imediatamente o método às linhas de produção.

Antes de qualquer aplicação comercial, será necessário avaliar a estabilidade das regiões modificadas, a confiabilidade do processo e a capacidade de reproduzir os resultados em larga escala.

Além disso, os cientistas precisarão verificar como o tratamento afeta outras propriedades elétricas do material.

Essas etapas são fundamentais porque um resultado obtido em laboratório não garante o mesmo desempenho durante a fabricação industrial de milhões de componentes.

Enquanto novas tecnologias avançam nos laboratórios, fabricantes também investem em ampliar a capacidade dos chips atuais. Na China, por exemplo, a CXMT anunciou a produção em massa de uma nova geração de chips de memória LPDDR5X, conforme reportagem de Roberta Souza publicada no CPG em setembro de 2026. Os componentes de 24 gigabits buscam aumentar a capacidade de armazenamento de dados em dispositivos móveis. Apesar das diferenças tecnológicas, os dois avanços mostram a importância da evolução das memórias para a indústria eletrônica.

Enquanto isso, a equipe do ORNL já apresentou um pedido provisório de patente relacionado ao método de irradiação por íons.

O procedimento permite introduzir alterações específicas na estrutura cristalina sem destruir sua organização geral.

Pesquisa ainda precisa avançar antes de chegar aos dispositivos comerciais

Os cientistas realizaram parte dos experimentos no Center for Nanophase Materials Sciences, instalação de pesquisa vinculada ao Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Além das medições físicas, utilizaram modelos computacionais para compreender os mecanismos responsáveis pela redução de energia.

A preocupação com o consumo de energia também aparece na expansão das fábricas de semicondutores. Na Coreia do Sul, a Samsung recebeu uma proposta para antecipar cerca de US$ 15 bilhões em pagamentos de eletricidade até 2031, segundo reportagem de Roberta Souza no CPG. A medida busca financiar a infraestrutura elétrica necessária ao crescimento industrial. Entretanto, a pesquisa do ORNL aborda outro desafio: reduzir a energia exigida por um processo elétrico específico dentro do material.

Embora os resultados apresentem possibilidades para o desenvolvimento de novos componentes, o ORNL ainda não anunciou uma previsão de aplicação comercial.

Por enquanto, a principal contribuição do estudo está na demonstração de que pequenas alterações controladas na estrutura de um cristal podem facilitar a inversão de sua polarização elétrica.

Esse resultado também amplia as possibilidades de investigação sobre outros materiais utilizados na indústria de semicondutores.

Entretanto, os pesquisadores ainda precisam confirmar se a técnica consegue oferecer resultados estáveis e economicamente viáveis em dispositivos completos.

Se os próximos estudos demonstrarem essa viabilidade, o método poderá contribuir para o desenvolvimento de memórias eletrônicas e outros componentes com maior eficiência energética.

Fonte: Oak Ridge National Laboratory (ORNL), comunicado publicado em 7 de maio de 2026. Pesquisa publicada na revista científica Advanced Materials.

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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