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A ciência afirma que trabalhar sentado o dia todo faz mal: por que mesas com esteira estão virando aliadas de quem faz trabalho remoto

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 06/01/2026 às 09:49 Atualizado em 06/01/2026 às 10:00
Trabalho remoto cresce e estudos indicam que mesas com esteira podem reduzir sedentarismo e melhorar indicadores de saúde no dia a dia.
Trabalho remoto cresce e estudos indicam que mesas com esteira podem reduzir sedentarismo e melhorar indicadores de saúde no dia a dia.
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Com mais de 6,7 milhões de australianos trabalhando em casa ao menos parte da semana, estudos analisam como o uso de mesas com esteira pode elevar passos diários, reduzir o tempo sentado e gerar ganhos graduais de saúde no longo prazo

Pesquisas indicam que mais de 6,7 milhões de australianos trabalham em casa ao menos parte do tempo, aumentando o sedentarismo. Evidências mostram que mesas com esteira podem elevar passos diários, reduzir gordura corporal e melhorar indicadores de saúde ao longo do dia de trabalho.

O avanço do trabalho remoto alterou de forma significativa a rotina de milhões de pessoas. Estimativas recentes apontam que mais de 6,7 milhões de australianos, quase metade de todos os trabalhadores, realizam atividades remuneradas ou não remuneradas em casa pelo menos parte do tempo. A maioria está concentrada em grandes centros urbanos como Sydney, Melbourne e Canberra.

Com menos deslocamentos e menos atividades físicas incidentais, como caminhar até o transporte, circular pelo escritório ou sair para almoçar, cresce o tempo passado sentado. Esse comportamento já é amplamente reconhecido como prejudicial à saúde, especialmente quando se prolonga por várias horas consecutivas ao longo do dia.

Trabalho remoto e o aumento do tempo sentado

Trabalhar em casa facilita a permanência contínua em frente ao computador. Ao fim do expediente, muitos trabalhadores apenas mudam de ambiente, passando da cadeira de trabalho para o sofá, mantendo o padrão sedentário. Em contraste, a ida física ao local de trabalho costuma estimular movimentos frequentes e pausas naturais para caminhar ou permanecer em pé.

Esse cenário se torna mais preocupante ao considerar que muitos australianos já não atingem as recomendações mínimas de atividade física. Diante disso, surge a proposta de integrar movimento à rotina profissional, utilizando esteiras ergométricas ou tapetes de caminhada posicionados sob a mesa de trabalho.

A ideia central é simples: transformar períodos que seriam totalmente sedentários em momentos de atividade leve e distribuída ao longo do dia, sem a necessidade de sessões estruturadas de exercício físico.

Quantos passos são necessários para gerar benefícios

Os benefícios da caminhada são amplamente documentados por estudos recentes. Pesquisas que estimularam o aumento do volume semanal de caminhadas observaram melhorias consistentes em indicadores de saúde, como pressão arterial e tolerância à glicose.

Evidências mais recentes apontam que cerca de 7.000 passos por dia representam uma meta ideal para a prevenção de diversas doenças. Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde revisou suas orientações, deixando de exigir sessões mínimas de 10 minutos e adotando a diretriz de que “cada movimento conta”, independentemente da duração.

Experimentos também indicam que pausas curtas e frequentes para caminhar ou agachar, evitando longos períodos sentados, podem produzir resultados superiores aos de uma única caminhada prolongada. Isso reforça a ideia de que a atividade física pode ser acumulada ao longo do dia, por meio de interrupções regulares.

Nesse contexto, caminhar para cuidar da saúde não precisa ser um hábito rigidamente estruturado. Atividades ocasionais, distribuídas durante o expediente, já podem gerar efeitos positivos quando mantidas de forma contínua.

Evidências científicas sobre mesas com esteira

Apesar de ainda existirem poucos estudos específicos sobre mesas com esteira no ambiente de trabalho, a maioria das pesquisas disponíveis aponta efeitos benéficos. Os resultados incluem mudanças na perda de gordura corporal, melhorias no colesterol, na pressão arterial e no metabolismo, com alguns impactos observados a longo prazo.

Um estudo mostrou que trabalhadores de escritório sedentários aumentaram o número de passos diários entre 1.600 e 4.500 quando tiveram acesso a uma esteira, em comparação com pessoas que não utilizaram o equipamento. A maior perda de peso foi observada entre participantes com obesidade.

Outro estudo, realizado com médicos com sobrepeso e obesidade, identificou que o uso bem-sucedido da esteira ergométrica resultou em uma redução média de 1,9% na gordura corporal durante o período analisado. Já uma terceira pesquisa apontou um aumento de 43 minutos diários de caminhada leve, embora os trabalhadores relatassem dificuldade em encaixar a atividade em agendas profissionais exigentes.

Os resultados variam entre os estudos, mas mesmo mudanças modestas tendem a gerar benefícios quando mantidas ao longo do tempo. Pequenos acréscimos diários de movimento podem representar ganhos relevantes para a saúde geral.

Impactos na produtividade e nas tarefas cognitivas

Uma das principais preocupações em relação às mesas com esteira é a possibilidade de prejuízo à atenção e ao desempenho no trabalho. No entanto, um estudo específico não identificou impacto significativo nas habilidades cognitivas entre pessoas que permaneceram sentadas e aquelas que caminhavam em ritmo confortável enquanto trabalhavam.

Por outro lado, há evidências de que mesas para caminhar ou pedalar podem afetar negativamente a digitação e, principalmente, a precisão do uso do mouse. Isso torna esse tipo de configuração menos adequada para atividades que exigem movimentos finos constantes ou uso intensivo do mouse.

Para pessoas que enfrentam dificuldades ao digitar enquanto caminham, ferramentas de digitação por voz surgem como alternativa viável. Algumas dessas soluções já estão integradas aos sistemas operacionais, como em computadores Apple ou Chromebooks, facilitando a adaptação ao novo formato de trabalho.

Custos, viabilidade e decisão de investimento

Apesar dos benefícios potenciais, a adoção de mesas com esteira envolve custos financeiros. Modelos básicos de esteira custam entre A$ 180 e A$ 200, enquanto versões mais avançadas, que permitem corrida, podem ultrapassar A$ 1.000. Em muitos casos, também é necessário investir em uma mesa com altura ajustável para garantir ergonomia adequada.

Diante desses valores, surge a questão sobre custo-benefício. Antes de investir em uma nova configuração de mesa, vale considerar se não seria mais simples e barato adotar pausas regulares para se afastar da mesa e caminhar ao longo do dia, sem equipamentos adicionais.

Ainda assim, para algumas pessoas, a presença da esteira funciona como incentivo visual e lembrete constante para interromper o sedentarismo. Especialmente para quem tem pouco tempo ou enfrenta barreiras para sair da mesa durante o expediente, essa solução pode facilitar a incorporação do movimento à rotina diaria.

Mesmo pequenas mudanças na atividade física podem fazer grande diferença, sobretudo entre trabalhadores altamente sedentários, tanto no trabalho quanto em casa. A decisão final depende de perfil, orçamento e das exigências específicas de cada função profissional, mas as evidências indicam que reduzir o tempo sentado é um passo relevante para melhorar a saúde no longo prazo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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