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Trabalhei 7 meses em um supermercado e nunca mais volto: jovem diz por que não recomenda esse trabalho a ninguém

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 31/12/2025 às 07:52
Atualizado em 31/12/2025 às 11:25
Relato real detalha por que o trabalho em supermercados, com salários baixos e falta de EPI, enfrenta crise de mão de obra.
Relato real detalha por que o trabalho em supermercados, com salários baixos e falta de EPI, enfrenta crise de mão de obra.
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O relato detalhado sobre a rotina exaustiva de um repositor em um atacarejo revela como salários líquidos baixos, jornadas sem EPI em câmaras frias e lideranças abusivas afastam trabalhadores das milhares de vagas abertas no varejo brasileiro.

A falta de trabalhadores nos supermercados brasileiros deixou de ser um ruído passageiro e se tornou um sinal claro de crise estrutural. Mesmo com milhares de vagas abertas, o setor enfrenta rejeição crescente de quem já viveu a rotina interna.

O problema não se resume apenas ao salário. Relatos recorrentes apontam jornadas exaustivas, pressão psicológica, desrespeito a direitos básicos e ausência de gestão humanizada, fatores que afastam novos candidatos e empurram antigos funcionários para fora.

Um desses relatos ganhou destaque nas redes sociais. No canal Gauttiz, um ex-funcionário narra em detalhes sua experiência e afirma que jamais voltaria a trabalhar em supermercado.

O depoimento ecoa experiências semelhantes em diferentes regiões do país. Jovens, sobretudo em primeiro emprego, descrevem ambientes marcados por humilhação, improviso e desgaste físico constante.

Trabalhei 7 meses em um supermercado e nunca mais volto: jovem diz por que não recomenda esse trabalho a ninguém

Estrutura operacional e a rotina do repositor

O jovem relata que sua rotina de trabalho no supermercado começava muito cedo, com entrada às 7h da manhã. Logo no início do expediente, ele precisava buscar paletes no estoque, transportar os produtos até o salão de vendas e organizar as mercadorias nas prateleiras, sempre seguindo o layout definido pela gerência da loja.

O controle de estoque exigia atenção absoluta. Cada produto precisava ser exposto com um número exato de fileiras nas gôndolas. No setor em que trabalhava, o limite correto era de cinco fileiras. No entanto, por falta de comunicação clara, o jovem acabou abastecendo sete, ultrapassando o padrão exigido.

Em supermercados de grande porte, especialmente no modelo atacadista, esse tipo de erro costuma gerar conflitos imediatos. A organização das prateleiras é considerada essencial para a logística de vendas e para o cumprimento dos acordos com marcas parceiras, que exigem exposição correta em cada corredor.

O problema, segundo ele, é que não houve qualquer treinamento técnico no início do trabalho. Sem orientações claras, o jovem precisou aprender tudo na prática, observando outros funcionários e tentando adivinhar os padrões adotados pela loja. Foi justamente essa falta de preparo que levou ao erro no abastecimento.

Mesmo assim, a falha acabou sendo usada como motivo para uma repreensão severa por parte de seu superior. O jovem conta que foi duramente cobrado, apesar de nunca ter recebido instruções formais sobre os limites de exposição dos produtos.

Para ele, o episódio deixou claro que, no ambiente do supermercado, erros operacionais são tratados com rigor, mesmo quando decorrem da ausência de treinamento adequado.

Ambiente hostil desde o primeiro emprego

Relato real detalha por que o trabalho em supermercados, com salários baixos e falta de EPI, enfrenta crise de mão de obra.

Segundo o relato, o problema não se limitava às tarefas operacionais. A postura da liderança também marcou negativamente sua experiência.

O jovem afirma que, em muitos supermercados brasileiros, o comando adota um tom agressivo, e que, no seu caso, havia um gerente que costumava humilhar funcionários em público, inclusive na frente de clientes que circulavam pelos corredores da loja.

Essas situações criavam um ambiente de trabalho hostil e constrangedor. A cobrança por resultados era feita de forma desproporcional, sem levar em conta que se tratava de seu primeiro emprego e de um período inicial de adaptação. Em vez de orientação, o que recebia eram críticas duras e exposições vexatórias.

O jovem conta que o gerente usava a hierarquia como instrumento de poder. Erros simples de layout, muitas vezes causados pela falta de instrução prévia, eram corrigidos aos gritos e com termos pejorativos. Esse tipo de abordagem, segundo ele, minava qualquer motivação logo nos primeiros dias de trabalho.

Outro ponto recorrente era o desrespeito aos horários de almoço. Em diversas ocasiões, supervisores impediam a saída para a refeição sob o argumento de que a reposição ainda não havia sido finalizada.

O jovem relata que precisava continuar trabalhando mesmo após o horário previsto para o descanso.

A privação de necessidades básicas, como a alimentação, provocou um desgaste psicológico significativo. Ele afirma que se sentia desamparado pela empresa, com a sensação de que sua saúde e bem-estar eram tratados como algo secundário diante da pressão para cumprir metas de abastecimento e manter o ritmo da loja.

Trabalho físico intenso e tarefas repetitivas

A situação se agravou quando o jovem foi transferido para o setor de frios e embutidos, o que mudou completamente sua rotina de trabalho. A partir desse momento, ele passou a ser responsável pela preparação diária de 48 frangos destinados à rotisseria do mercado, além de outras tarefas ligadas ao setor.

O preparo das aves exigia o manuseio constante de espetos metálicos e o uso de fornos industriais. Além disso, a limpeza da área era considerada uma das etapas mais pesadas do trabalho, devido ao acúmulo de gordura, resíduos orgânicos e sujeira difícil de remover ao final do expediente.

Outro ponto crítico, segundo o relato, era o trabalho dentro das câmaras frigoríficas. As temperaturas abaixo de zero exigiam o uso correto de equipamentos de proteção individual, como jaquetas térmicas, calças impermeáveis, luvas apropriadas e toucas de proteção, para evitar riscos à saúde.

Na prática, porém, a segurança era frequentemente negligenciada. O jovem afirma que recebia roupas usadas ou inadequadas para enfrentar o frio intenso, o que o expunha a condições extremas.

Em alguns momentos, ele sofreu ferimentos e pequenos cortes causados pelo contato direto com o gelo acumulado nas superfícies da câmara.

De acordo com o relato, a preocupação com a segurança só se tornava prioridade quando havia fiscalização externa. Ele conta que novos equipamentos de proteção só foram disponibilizados após a visita de órgãos de vigilância sanitária à unidade, evidenciando que as melhorias ocorriam apenas diante do risco de punições formais.

Turnos extensos, isolamento e falta de perspectiva

Para o jovem, o aspecto financeiro foi o principal fator que o levou a desistir do trabalho no supermercado. O adiantamento quinzenal de R$ 370,00 não era suficiente para garantir o sustento básico de alguém que vivia de forma independente e precisava arcar sozinho com as despesas do dia a dia.

Na época, o pagamento mensal líquido, em torno de R$ 680,00 após os descontos de impostos e previdência, causou choque logo nos primeiros meses. Com aluguéis na faixa de R$ 500,00, o valor restante mal cobria alimentação, transporte e outras necessidades essenciais.

Esse baixo poder de compra acabou desvalorizando a função de operador de loja. O jovem percebeu que o esforço físico diário, aliado à exposição constante ao frio e às condições desgastantes de trabalho, não se convertia em estabilidade financeira nem em perspectivas reais de crescimento.

A comparação entre a carga de trabalho exigida e o salário recebido gerou revolta e frustração. Ele relata a sensação de estar sustentando uma estrutura empresarial inteira enquanto sua própria subsistência permanecia em risco permanente.

A mudança para o turno da tarde e noite, das 14h às 22h, agravou ainda mais o descontentamento. O isolamento social, a dificuldade de convívio familiar e a ausência de um plano de carreira claro fizeram com que o pedido de demissão passasse a parecer a única saída possível.

Hoje, segundo o relato, o trabalho em supermercados é visto como um último recurso. As experiências negativas compartilhadas por ex-funcionários funcionam como um alerta para jovens que buscam oportunidades em setores mais valorizados e com melhores condições.

Para ele, as empresas do setor precisam rever com urgência suas políticas de recursos humanos e remuneração. Sem mudanças estruturais na forma de tratar os trabalhadores, as lojas continuarão enfrentando dificuldade para manter equipes completas e qualificadas.

O cenário atual, especialmente em 2025, exige que o varejo se adapte a uma nova mentalidade do trabalhador. A tolerância a abusos de liderança e salários baixos diminuiu diante da ampliação de alternativas de renda e trabalho fora do modelo tradicional.

Ao final, o jovem conclui que a crise de mão de obra nos supermercados é consequência direta de anos de precarização. O relato divulgado por Gauttiz, segundo ele, é apenas um recorte de um problema sistêmico que afeta o setor em todo o Brasil.

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Rosenildo berkenbrock
Rosenildo berkenbrock
04/01/2026 08:43

Mercado não indico ninguém a trabalhar
Trabalhei durante 5 anos, entrei como pacoteiro e tinha que ajudar em reposição em gondulas e ajudar em entregas.
Após passei repositor e era obrigado a ajudar em depósito e continuei em ajuda nas entregas, teve períodos que cobria férias dos motoristas e não ganhava nd por isso..
Várias vezes em ofertas de frango, tinha que largar o meu setor e ir abastecer a ilha de frangos, tendo que enfrentar câmera fria sem proteção e equipamento.
Tinha que fazer limpeza no sistema de resfriamento das câmeras frias, trocar lâmpadas e reator das mesmas sem conhecimento necessário para própria segurança.
Pasmem, teve uma vez que mandaram instalar uma fritadeira elétrica, sem conhecimento necessário até puxei uma tomada direto de um djuntor, porém era da câmara fria de bolos, e a fritadeira em uso acabou desarmando djuntor , no qual fui submetido a pagar os bolos que ali ainda restavam.. LEMBRANDO CARGO ERA REPOSITOR DE GONDULAS BEBIDAS.
Em outra ocasião, fui fazer entrega bateram no caminhão de entrega a rua enquanto tava fazendo na residência, quem bateu fugiu, ficando o prejuízo que foi me cobrado, lembrando que não recebia mais pela função.
PQ ACEITOU TUDO ISSO?
simples, como muitos fazem, medo de ganhar a conta..Pois quando se é pai de família, passamos por essas humilhações.
POR ISSO HOJE É FATO ESSA ROTATIVIDADE DE FUNCIONÁRIOS EM SUPERMERCADOS E ATE MESMO A FALTA DELES….SE vc tem chance em outro lugar vá, supermercado último lugar para procurar emprego..
Semana passada encontrei um ex colega de trabalho do supermercado, ele estava vendendo pastel na rua, conversei com ele como estava, falou que estava desempregado, tava vendendo pastel mais que preferia aquilo ainda do que ter que voltar a trabalhar em supermercado.

Anderson
Anderson
03/01/2026 17:44

Não entendi a jornada que começava bem cedo. Dês de quando 7h da manhã é bem cedo?

Edmilson
Edmilson
03/01/2026 14:01

Um plano bom de trabalho em um supermercado.
2 salários mínimo, nada de banco de HR, pagar HR extra caso fique até mais tarde.
1000 reais de alimentação ou refeição.
Plano de saúde para o funcionário e seu dependentes.
Um plano de carreira JUSTO, com escala e níveis para os funcionários bons.
Dessa forma eu ia querer ver se alguém ia querer sair, outra coisa capacitação dos líderes, de como eles devem agir e respeitar os funcionários isso é muito importante.

Altair
Altair
Em resposta a  Edmilson
05/01/2026 18:03

Bom acho que minha última esperança de entrar a trabalho em um super mercado foi por água abaixo,ja sofri muito na vida,eu não aceitaria isso jamais,, época de escravidão ja passou,,talvez seja liderança tóxica,só ao vosso reino,mas a mim nada.

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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