Em uma ferrovia abandonada cercada por mata fechada, Matt Spears avançou com um mini camper elétrico sobre trilhos, encontrou pontes antigas de madeira, árvores bloqueando o caminho e ainda precisou improvisar reparos após uma pane na bateria
O youtuber Matt Spears transformou uma antiga ferrovia abandonada nas montanhas em cenário de uma expedição incomum.
Em vídeo publicado em 1º de junho de 2026, ele mostrou uma viagem de vários dias a bordo de um pequeno veículo elétrico sobre trilhos, adaptado com rodas ferroviárias e um camper pop-up construído por ele mesmo.
A proposta era simples no roteiro, mas complexa na prática: avançar por uma linha isolada, acampar, cozinhar, pescar, explorar pontes antigas e descobrir até onde aqueles trilhos ainda poderiam levá-lo.
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O resultado foi uma aventura marcada por paisagens impressionantes, falhas mecânicas, encontros inesperados e momentos de tensão em estruturas antigas de madeira.
Uma noite antes da grande ponte
A jornada começou após um longo deslocamento até a área remota. Matt explicou que levou praticamente o dia inteiro para chegar ao ponto inicial da exploração. A bordo do mini rail car elétrico, ele seguiu pelos trilhos até encontrar uma grande ponte ferroviária, conhecida como trestle, já no fim da tarde.
Com a luz desaparecendo, ele decidiu não atravessar a estrutura naquele momento. A ponte, cercada pela escuridão e pelo cheiro de madeira molhada após a chuva, pareceu perigosa demais para ser cruzada à noite.
Para evitar qualquer risco de o veículo se mover acidentalmente em direção à ponte, Matt recuou o pequeno camper nos trilhos e montou uma iluminação improvisada.
Ele usou duas fitas de LED alimentadas por uma bateria Hercules. O próprio youtuber admitiu que o sistema era um pouco improvisado, mas funcionou bem o suficiente para transformar o pequeno espaço interno em um abrigo iluminado. Naquela noite, o jantar foi simples: pad thai aquecido em água quente dentro de um saco plástico.
Dentro do camper, com vapor no ar e a ponte escura logo à frente, Matt preparou a cama usando um colchão inflável comprado no Walmart e um saco de dormir.
O plano para o dia seguinte era ambicioso: atravessar a ponte e tentar superar uma área que ele chamava de “jungle”, uma sequência de árvores caídas que já havia bloqueado seus avanços em vídeos anteriores.
Cheiro de madeira, tar e café da manhã nos trilhos
Ao amanhecer, a ponte revelou uma vista impressionante. Antes de cruzá-la, Matt decidiu descer até a base para verificar a estrutura.
Ele comentou sobre o cheiro forte de madeira antiga e alcatrão, explicando que muitas tábuas pareciam ter sido tratadas com esse material.
Uma preocupação chamou atenção: um grande acúmulo de troncos preso à ponte, formado por árvores arrastadas pelo rio. Para ele, com o tempo, essa pressão poderia representar uma ameaça à estrutura. Mesmo assim, a ponte parecia estar em boas condições para a travessia.
Antes de seguir viagem, Matt tentou pescar no rio abaixo da ponte. Ele esperava encontrar trutas, mas teve apenas uma pequena fisgada, insuficiente para garantir o café da manhã.
Como alternativa, preparou aveia instantânea sobre a ponte, com bastante mel produzido por suas próprias abelhas. O cenário, segundo ele, era um dos lugares mais impressionantes onde já havia feito uma refeição.
Pane elétrica ameaça encerrar a aventura
Depois do café, Matt retomou a viagem com o mini rail car, que ele chama de Spyra. O veículo parecia rodar bem até que, de repente, perdeu toda a energia. Luzes, motor e comandos desligaram ao mesmo tempo.
A primeira suspeita foi uma falha grave na bateria ou no sistema de desligamento de emergência. Ele tentou trocar disjuntores entre os lados do circuito, mas nada mudou. Ao inspecionar melhor o conjunto, encontrou o problema: uma das células da bateria havia quebrado na parte superior. Segundo Matt, a solda a laser da célula falhou.
O pacote de bateria era formado por 24 células menores, e a vigésima havia falhado. Para continuar, ele precisou reconfigurar a ligação elétrica, remover o problema do circuito e reprogramar o sistema. Após o reparo improvisado, o veículo voltou a funcionar.
O alívio foi imediato. Matt comemorou ao ligar a chave e ver sinais de energia retornando. A viagem, que parecia prestes a terminar ali, pôde continuar.
A “ferrovia das pontes” e o avanço além da área bloqueada
Com o Spyra novamente nos trilhos, Matt seguiu até a área onde antes havia parado por causa das árvores caídas. Para sua surpresa, parte do caminho havia sido liberada. Alguém havia cortado os troncos que bloqueavam a passagem.
A partir dali, a exploração entrou em território novo. O youtuber passou por paredões de rocha, trechos ao lado do rio e uma sequência impressionante de pontes ferroviárias. Em determinado momento, ele avistou três pontes próximas, uma após a outra. Pouco depois, encontrou outra estrutura de grande porte.
A quantidade de pontes chamou tanto a atenção que Matt brincou dizendo que aquela parecia ser a “ferrovia dos trestles”, com mais pontes do que trilhos comuns. Antes de atravessar algumas delas, ele desceu para verificar as condições da madeira e da base.
Em uma das paradas, aproveitou para pescar novamente. Desta vez, conseguiu fisgadas com uma vara de fly fishing. Um dos peixes era um bull trout, espécie que ele destacou como especial e que deveria ser solta. Como os peixes eram pequenos e não poderiam virar refeição, Matt recorreu a outro plano: preparou um filé de salmão que havia pescado no Alasca no ano anterior, acompanhado de pimentões e arroz.
Encontro com dois homens que abriram caminho nos trilhos
Um dos momentos mais curiosos da aventura aconteceu quando Matt encontrou dois homens mais velhos que também circulavam pela ferrovia em um veículo improvisado sobre trilhos. Foram eles que haviam cortado a vegetação e liberado a passagem pela área que antes impedia o avanço.
Segundo os dois, o trabalho levou dois dias e consumiu bastante combustível de motosserra. O veículo deles chamava atenção: usava um motor Predator 212, transmissão por correia e rodas adaptadas. Eles afirmaram que já haviam chegado perto de 40 milhas por hora, mesmo sem capacetes ou cintos, em uma fala descontraída registrada no vídeo.
Os dois também mostraram a Matt uma antiga área de troca ferroviária, onde trens podiam ser manobrados e carregados no passado. Segundo eles, parte da estrutura teria sido retirada provavelmente nos anos 1980. Durante o caminho, ainda encontraram cogumelos morel, que Matt recolheu após receber autorização dos homens.
Antes de voltar, eles também indicaram uma antiga cabana próxima aos trilhos. Matt parou para filmar a construção, que, segundo o relato, teria sido usada por um homem que passava os verões ali.
Descarrilamentos, eixo torto e tempestade no retorno
Na volta, a aventura ganhou novos problemas. Pouco antes de uma ponte grande, o Spyra descarrilou com um barulho forte. Matt inspecionou a parte dianteira e traseira do veículo e, inicialmente, não encontrou danos graves. Colocou o carro novamente nos trilhos e tentou seguir.
Mas o descarrilamento voltou a acontecer. Ele percebeu que um trecho dos trilhos estava desgastado de forma desigual, com um lado aparentemente mais fino que o outro. Para evitar novo problema em cima da ponte, decidiu empurrar o veículo manualmente pela estrutura.
Depois, a corrente do sistema também saiu do lugar, provavelmente por causa do excesso de mato nos trilhos. Matt recolocou a corrente, seguiu devagar e notou outro problema: o eixo estava torto. Mesmo assim, o veículo continuava avançando, embora em ritmo mais lento e com uma condução bastante irregular.
Com uma tempestade se aproximando e o vento aumentando, ele conseguiu cruzar as últimas pontes e retornar ao caminhão. A jornada terminou com a sensação de missão cumprida: Matt havia conhecido novas pontes, pescado, cozinhado, encontrado outros exploradores ferroviários e avançado por uma área que antes parecia bloqueada.


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