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Thwaites e Pine Island podem ser o gatilho de uma crise costeira global: as duas geleiras mais perigosas do planeta, gigantes da Antártida, já estão vulneráveis ao aquecimento atual e podem iniciar um colapso em cadeia capaz de elevar o nível do mar em pelo menos 1 metro

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 23/04/2026 às 14:10
Atualizado em 23/04/2026 às 14:18
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Thwaites e Pine Island podem ser o gatilho de uma crise costeira
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Geleiras Thwaites e Pine Island podem colapsar com aquecimento atual e elevar o nível do mar em até 1 metro, segundo estudos recentes.

Em 23 de janeiro de 2025, um estudo publicado na revista científica The Cryosphere, assinado por Tim van den Akker e colaboradores, analisou a estabilidade da camada de gelo da Antártida Ocidental com foco nas geleiras Thwaites Glacier e Pine Island Glacier, dois dos sistemas mais sensíveis da região para o futuro do nível do mar global. O trabalho combinou modelagem de gelo, observações por satélite de perda de massa, espessura e velocidade do gelo, além do ajuste do forçamento térmico oceânico para reproduzir as condições atuais. A conclusão foi incisiva: se esse forçamento oceânico de hoje persistir ao longo dos séculos, Thwaites e Pine Island colapsam em todos os membros do conjunto de simulações testado pelos autores.

Esse é o ponto central. O estudo não trata apenas de um risco condicionado a aquecimento adicional em cenários extremos, mas de um processo que pode já estar em andamento sob as condições oceânicas atuais. Segundo os autores, a perda de massa observada hoje já funciona como um precursor de uma deglaciação em larga escala na Antártida Ocidental, com potencial de elevar o nível médio global do mar em pelo menos 1 metro ao longo dos próximos séculos.

Por que Thwaites e Pine Island são consideradas as geleiras mais perigosas do planeta

As geleiras Thwaites e Pine Island não são estruturas isoladas. Elas funcionam como verdadeiros “pilares de contenção” da Antártida Ocidental, segurando grandes volumes de gelo no interior do continente.

Se essas geleiras perderem estabilidade, podem permitir que massas gigantes de gelo comecem a fluir para o oceano, acelerando a elevação do nível do mar.

A Thwaites, em particular, é frequentemente chamada de “geleira do juízo final” devido ao seu potencial de impacto global.

Juntas, essas duas geleiras controlam uma região que contém gelo suficiente para elevar o nível do mar em vários metros ao longo do tempo.

Aquecimento do oceano está corroendo as geleiras por baixo

O principal fator de instabilidade dessas geleiras não está na superfície, mas abaixo delas. Águas oceânicas mais quentes estão penetrando sob as plataformas de gelo flutuantes, derretendo a base das geleiras.

Esse processo enfraquece a estrutura de sustentação e reduz o atrito que mantém o gelo preso ao continente. Com menos resistência, o gelo começa a fluir mais rapidamente em direção ao mar.

Esse fenômeno é conhecido como “derretimento basal” e é considerado um dos mecanismos mais perigosos de perda de gelo.

Estudo indica que colapso pode ocorrer mesmo sem novos aumentos de temperatura

Um dos pontos mais preocupantes do estudo é a conclusão de que o sistema pode ter ultrapassado um limiar crítico. Mesmo se o aquecimento global fosse estabilizado hoje, o calor já acumulado nos oceanos pode ser suficiente para continuar o processo de derretimento por séculos.

Thwaites e Pine Island podem ser o gatilho de uma crise costeira global: as duas geleiras mais perigosas do planeta, gigantes da Antártida, já estão vulneráveis ao aquecimento atual e podem iniciar um colapso em cadeia capaz de elevar o nível do mar em pelo menos 1 metro
Thwaites e Pine Island podem ser o gatilho de uma crise costeira

Isso significa que o sistema pode ter entrado em um estado de autoaceleração. Esse tipo de comportamento caracteriza um ponto de não retorno, onde a reversão se torna extremamente difícil ou impossível na escala de tempo humana.

Colapso pode desencadear efeito dominó em toda a Antártida Ocidental

As geleiras Thwaites e Pine Island estão conectadas a uma rede maior de gelo. Se perderem estabilidade, podem iniciar um processo conhecido como “instabilidade da camada de gelo marinha”.

Nesse cenário, o recuo das geleiras expõe áreas mais profundas do leito rochoso, permitindo que o oceano avance ainda mais sob o gelo.

Esse processo pode se propagar para outras regiões, desencadeando um colapso em cadeia. O resultado seria a desestabilização de grandes partes da Antártida Ocidental.

Elevação do nível do mar pode ultrapassar 1 metro com impacto global

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O estudo indica que o colapso dessas geleiras pode contribuir para uma elevação de pelo menos 1 metro no nível médio global do mar ao longo do tempo.

Esse número, embora pareça moderado à primeira vista, tem implicações profundas. Um aumento dessa magnitude pode afetar diretamente centenas de milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras.

Cidades, portos, infraestrutura e ecossistemas seriam impactados. Além disso, o aumento do nível do mar amplifica efeitos de tempestades, marés e eventos extremos.

Impactos não serão uniformes e podem atingir regiões mais vulneráveis com maior intensidade

A elevação do nível do mar não ocorre de forma uniforme. Fatores como correntes oceânicas, gravidade e características locais podem intensificar o impacto em determinadas regiões.

Áreas densamente povoadas e com baixa altitude estão entre as mais vulneráveis. Isso inclui deltas, ilhas e grandes cidades costeiras.

O impacto também pode variar ao longo do tempo, com efeitos acumulativos que se tornam mais evidentes nas próximas décadas.

Geleiras já mostram sinais de instabilidade em observações recentes

Dados observacionais indicam que tanto Thwaites quanto Pine Island já apresentam sinais de mudança.

Entre eles estão:

  • Aumento da velocidade de fluxo do gelo
  • Afinamento das plataformas flutuantes
  • Recuo da linha de aterramento

Esses sinais são consistentes com o início de processos de desestabilização. Embora não indiquem colapso imediato, mostram que o sistema está em transformação.

Antártida passa de símbolo distante a fator direto no futuro das cidades costeiras

Por muito tempo, a Antártida foi vista como um ambiente isolado, distante da vida cotidiana. No entanto, mudanças no continente têm impacto direto no nível do mar global.

Isso conecta processos polares a decisões urbanas, econômicas e políticas em todo o mundo. O que acontece sob o gelo da Antártida pode influenciar o futuro de cidades costeiras em diferentes continentes.

Apesar das conclusões preocupantes, os pesquisadores reconhecem incertezas nos modelos. Fatores como dinâmica do gelo, comportamento do oceano e interações complexas ainda estão sendo estudados.

No entanto, a tendência geral aponta para aumento do risco, não redução. Isso significa que, mesmo com incertezas, o cenário exige atenção.

O que está em jogo com a possível instabilidade das geleiras mais críticas do planeta

A estabilidade das geleiras Thwaites e Pine Island não é apenas uma questão científica. Ela envolve o futuro do nível do mar, da infraestrutura costeira e da segurança de milhões de pessoas.

O processo é lento em escala humana, mas contínuo. Uma vez iniciado, pode durar séculos.

O caso dessas geleiras levanta uma questão fundamental. Como lidar com processos que não são imediatos, mas que podem alterar profundamente o planeta ao longo do tempo?

A Antártida deixa de ser apenas um ambiente remoto e passa a fazer parte de uma equação global. A pergunta que permanece é direta: até que ponto a humanidade está preparada para enfrentar muda

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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