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Texas multiplica por 25 as baterias da rede elétrica e bate recorde de consumo em calor acima de 38°C, mas atravessa o verão sem apagões nem pedidos para desligar o ar-condicionado; a energia solar armazenada durante o dia passa a sustentar o sistema quando o sol desaparece

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Escrito por Carla Teles Publicado em 13/09/2026 às 20:18 Atualizado em 13/09/2026 às 22:40
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Texas multiplica por 25 as baterias da rede elétrica e bate recorde de consumo em calor acima de 38°C, mas atravessa o verão sem apagões nem pedidos para desligar o ar-
Texas multiplica por 25 as baterias da rede elétrica, bate recorde de consumo e usa energia solar armazenada para atravessar o calor sem apagões.
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As baterias da rede elétrica passaram de 857 MW em 2021 para cerca de 21,7 GW em julho de 2026 no Texas. Com recordes de consumo e temperaturas acima de 38°C, o sistema combinou gás, solar e armazenamento para atender a demanda sem novos pedidos de economia aos moradores locais.

As baterias da rede elétrica assumiram um papel muito maior no sistema elétrico do Texas justamente quando o estado enfrentou um dos verões mais exigentes de sua história. Em 2026, temperaturas frequentemente superiores a 38°C coincidiram com sucessivos recordes de demanda, mas a operadora ERCOT não precisou repetir os pedidos para que consumidores reduzissem o uso de energia feitos em períodos críticos anteriores.

O contraste chama atenção porque, em agosto de 2023, durante outro verão intenso, a ERCOT chegou a solicitar economia de eletricidade seis vezes apenas na última semana do mês para tentar evitar problemas na rede. Três anos depois, a demanda estava ainda maior, mas uma combinação diferente de geração solar, gás natural e armazenamento permitiu ao sistema enfrentar os horários mais críticos.

Capacidade das baterias cresce 25 vezes em apenas cinco anos

A mudança mais expressiva ocorreu na quantidade de armazenamento disponível. Segundo dados citados pela Xataka a partir da consultoria Wood Mackenzie, o Texas tinha cerca de 857 MW de capacidade em baterias em 2021. Em julho de 2026, esse total já estava próximo de 21,7 GW.

Isso representa uma expansão de aproximadamente 25 vezes em cinco anos. Ao mesmo tempo, a geração fotovoltaica também ganhou espaço na matriz texana. Em agosto de 2026, a energia solar produziu mais eletricidade do que o carvão pela primeira vez, segundo a fonte.

A combinação entre essas duas tecnologias é importante porque a produção solar não acompanha necessariamente os horários de maior consumo. Durante a manhã e o meio do dia, quando existe grande disponibilidade de sol, parte dessa eletricidade pode abastecer diretamente a rede enquanto outra parcela é direcionada aos sistemas de armazenamento.

As baterias ficam carregadas para entrar em cena mais tarde. Quando o sol começa a desaparecer e a produção fotovoltaica cai, a energia armazenada durante o dia é devolvida à rede, reduzindo a diferença entre geração e demanda.

Energia solar é armazenada durante o dia para enfrentar o pôr do sol

Esse funcionamento ajuda a enfrentar um problema conhecido no setor elétrico como “curva do pato”. Durante as horas de forte produção solar, a necessidade de outras fontes pode cair rapidamente. No fim da tarde, porém, a geração fotovoltaica diminui enquanto residências e empresas continuam consumindo eletricidade.

É justamente nessa transição que as baterias da rede elétrica funcionam como uma ponte. Elas absorvem parte do excedente produzido anteriormente e começam a descarregar quando a oferta solar perde força, evitando que toda a demanda seja transferida subitamente para outras fontes.

O mecanismo ganhou importância particular no Texas porque o consumo continua elevado no fim do dia, quando milhões de aparelhos de ar-condicionado permanecem ligados em meio às altas temperaturas. O armazenamento não substituiu sozinho as demais fontes, mas ajudou a distribuir melhor a oferta ao longo das horas.

O resultado é uma rede menos dependente de conseguir gerar toda a eletricidade necessária exatamente no instante em que ela será consumida. Parte da produção passa a ser deslocada no tempo, permitindo aproveitar a energia solar de algumas horas antes quando ela já não está disponível diretamente.

Texas chega a 91.308 MW de consumo e estabelece novo recorde

O maior teste ocorreu em 22 de julho de 2026. Naquele dia, o consumo de eletricidade do Texas chegou a 91.308 MW às 18h, estabelecendo um recorde histórico para a rede administrada pela ERCOT.

A demanda não foi atendida por uma única tecnologia. Conforme os dados apresentados pela fonte, o gás natural respondia por 48% da capacidade naquele momento, enquanto a energia solar contribuía com 32%. As baterias começaram a assumir progressivamente uma parcela da carga conforme a produção fotovoltaica diminuía.

Essa composição mostra por que atribuir todo o desempenho do sistema exclusivamente às baterias seria impreciso. O gás natural permaneceu como a principal sustentação naquele momento de demanda máxima, enquanto a energia solar forneceu uma parcela significativa da eletricidade necessária.

O diferencial das baterias apareceu justamente na passagem entre essas fontes, liberando a energia previamente armazenada à medida que o sol se aproximava do horizonte. Em vez de provocar uma queda abrupta na oferta solar, o armazenamento permitiu uma transição mais gradual.

Baterias chegam a descarregar 13.256 MW de uma só vez

Os recordes continuaram nas semanas seguintes. Em 13 de agosto, a geração simultânea de fontes renováveis no Texas chegou a aproximadamente 53.000 MW, mostrando a escala alcançada pela participação dessas fontes no sistema.

Dez dias depois ocorreu outro marco. Em 23 de agosto, as baterias forneceram 13.256 MW em um único instante, o maior nível de descarga já registrado na rede elétrica texana segundo os dados reunidos pela fonte.

O número ajuda a dimensionar quanto o armazenamento deixou de ser um recurso marginal. Uma infraestrutura que poucos anos antes somava menos de 1 GW de capacidade havia passado a participar diretamente dos momentos em que dezenas de gigawatts precisavam ser entregues ao sistema.

Ao mesmo tempo, o preço da eletricidade aumentou apenas 2,3% em relação ao ano anterior, mesmo em um verão marcado por novos máximos de consumo. A fonte associa esse desempenho à combinação de maior oferta solar, armazenamento e outras fontes já presentes na rede.

Mais baterias ajudam a rede, mas criam um novo desafio para o mercado

A expansão também produz um efeito econômico curioso. Operadores de baterias costumam carregar seus equipamentos quando a eletricidade está barata e vendê-la de volta à rede nos momentos em que os preços sobem devido à escassez e à alta demanda.

Quanto mais armazenamento entra no sistema, porém, menor pode se tornar a diferença entre os preços de horários baratos e caros. A própria tecnologia que reduz os picos de preço e ajuda a estabilizar a rede pode diminuir as oportunidades de lucro baseadas justamente nesses picos.

A ERCOT começou a responder a essa transformação com o mecanismo RTC+B, sigla para um modelo de otimização em tempo real que incorpora as baterias e permite remunerá-las também por serviços auxiliares prestados ao sistema elétrico.

Na prática, o mercado precisa adaptar as regras à medida que o armazenamento deixa de atuar apenas comprando energia barata e vendendo-a nos horários caros. As baterias também podem ser valorizadas por sua capacidade de responder rapidamente às necessidades da rede.

Próximo teste pode ser ainda maior com data centers e inteligência artificial

O verão de 2026 mostrou que a rede texana conseguiu enfrentar uma demanda inédita, mas isso não significa que a pressão sobre o sistema tenha terminado. A própria ERCOT trabalha com a possibilidade de o consumo de eletricidade no Texas dobrar nos próximos anos.

Entre os fatores apontados estão a expansão de data centers, o avanço da inteligência artificial, a eletrificação dos transportes e o uso crescente de ar-condicionado. Todos esses elementos podem elevar ainda mais a quantidade de energia exigida da rede em determinados horários.

O Texas também não está sozinho nessa corrida. A Califórnia ampliou sua infraestrutura por meio de políticas regulatórias, enquanto o modelo texano foi impulsionado principalmente pelo mercado. Na Europa, a capacidade acumulada de armazenamento em baterias ultrapassou 100 GWh em 2025, com Alemanha na liderança e Espanha entre os principais mercados.

A questão agora é saber se a expansão das baterias da rede elétrica conseguirá continuar no mesmo ritmo da demanda. Em apenas cinco anos, o Texas multiplicou por 25 sua capacidade, passou a armazenar grandes volumes da geração solar e atravessou um verão de recordes sem repetir os pedidos de redução de consumo de 2023.

Você acredita que baterias gigantes ligadas à rede podem se tornar uma das principais soluções para evitar apagões em períodos de calor e consumo extremo, ou os países ainda precisarão ampliar fortemente outras fontes de geração? Conte nos comentários como você vê esse novo papel do armazenamento de energia.

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Carla Teles

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