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Tesouro do século 16 é resgatado a 1.500 metros no fundo do mar: navios da dinastia Ming com porcelanas intactas revelam relíquias de elite na antiga Rota da Seda Marítima

Escrito por Ana Alice
Publicado em 31/01/2026 às 04:22
Descoberta na China localiza dois naufrágios Ming a 1.500 m no Mar do Sul da China, com porcelanas, moedas e artefatos raros. (Imagem: Freepik)
Descoberta na China localiza dois naufrágios Ming a 1.500 m no Mar do Sul da China, com porcelanas, moedas e artefatos raros. (Imagem: Freepik)
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Dois naufrágios da dinastia Ming, encontrados a 1.500 metros de profundidade no Mar do Sul da China, reuniram porcelanas, moedas e materiais orgânicos recuperados em operações com robôs e submersíveis, em um achado que amplia o debate sobre rotas comerciais antigas.

Autoridades culturais da China anunciaram a localização de dois naufrágios atribuídos à dinastia Ming, a cerca de 1.500 metros de profundidade no Mar do Sul da China.

Segundo os órgãos responsáveis pelo patrimônio, os destroços guardavam um conjunto de artefatos como porcelanas, cerâmicas, moedas e outros materiais preservados no fundo oceânico, e a descoberta reforça o interesse de pesquisadores em reconstruir rotas e práticas de comércio ligadas à antiga Rota da Seda Marítima.

De acordo com informações oficiais, os sítios arqueológicos foram identificados em outubro de 2022 e apresentados publicamente em maio de 2023, quando a administração chinesa do patrimônio detalhou a existência de dois pontos de naufrágio próximos entre si.

As autoridades classificaram o achado como relevante para a história da navegação e do comércio, mas não divulgaram, até agora, um relatório público definitivo que feche a datação exata das embarcações dentro do período Ming.

Localização dos destroços no Mar do Sul da China

Os destroços foram mapeados em uma área do talude continental, em mar profundo, no noroeste do Mar do Sul da China, segundo comunicados do governo.

A própria localização, em uma faixa de profundidade pouco explorada em operações anteriores no país, passou a ser tratada como um elemento central da investigação, tanto pelo desafio logístico quanto pelo potencial de ampliar o conhecimento sobre rotas de navegação em alto-mar.

As autoridades chinesas passaram a se referir aos sítios como naufrágio No. 1 e naufrágio No. 2.

Em apresentações públicas, indicaram que os dois pontos pertencem à dinastia Ming (1368 a 1644) e relacionaram o contexto do achado às redes de circulação marítima que conectavam portos chineses a outras regiões da Ásia, do Oriente Médio e da África.

A documentação divulgada, no entanto, não detalha quais portos específicos estavam envolvidos no trajeto dessas embarcações.

Artefatos recuperados: porcelanas, cerâmicas e moedas

Um balanço oficial divulgado em junho de 2024 informou que 890 peças foram recuperadas no naufrágio No. 1.

Segundo as autoridades, a maior parte do material inclui porcelanas e objetos de cerâmica, além de moedas de cobre encontradas junto aos demais itens.

O inventário completo ainda não foi divulgado em detalhes, e os números apresentados até aqui são descritos como parciais, associados a etapas de coleta e registro.

No naufrágio No. 2, o mesmo informe oficial registrou a retirada de 38 artefatos.

(Imagem: Reprodução/Administração Nacional do Patrimônio)
(Imagem: Reprodução/Administração Nacional do Patrimônio)

Entre os itens citados estão madeira, produtos de cerâmica e porcelana, conchas do tipo “turban shell” e chifres de cervo.

Pesquisadores envolvidos no projeto destacaram que a presença de materiais orgânicos merece atenção nas análises, mas os comunicados não apresentam, por enquanto, uma descrição técnica pública sobre o estado de conservação de cada peça.

Em atualizações anteriores, a agência estatal Xinhua também havia informado a retirada de centenas de itens dos dois naufrágios, reforçando que a operação ocorre com documentação sistemática, incluindo registro visual, catalogação e procedimentos de conservação.

As autoridades não detalharam, no entanto, a lista completa do que já foi removido, o que permanece no local e quais peças serão submetidas a análises laboratoriais específicas.

Tecnologia de arqueologia subaquática em águas profundas

A profundidade impôs limitações que exigiram equipamentos de operação remota, segundo instituições científicas e órgãos culturais citados em divulgações oficiais.

De acordo com esses relatos, a equipe utilizou submersíveis e robôs para inspeção, filmagem, mapeamento do entorno e coleta controlada dos objetos, além de técnicas para transporte seguro do material até a superfície.

Autoridades também associaram o projeto a um avanço metodológico na arqueologia subaquática chinesa por ampliar o alcance das investigações para águas profundas.

Essa avaliação aparece em materiais institucionais e em reportagens de veículos estatais, que destacam a combinação entre exploração tecnológica e pesquisa arqueológica.

Ainda assim, os órgãos responsáveis não publicaram, em formato aberto, um protocolo completo de operação para comparação com outras missões internacionais.

Rota da Seda Marítima e comércio na dinastia Ming

As autoridades relacionaram a composição dos objetos a circuitos comerciais de longa distância que atravessavam o Mar do Sul da China.

A concentração de porcelanas e cerâmicas no naufrágio No. 1, segundo essa leitura, dialoga com a produção chinesa voltada ao comércio externo em diferentes fases da dinastia Ming, quando mercadorias circulavam por rotas marítimas ligadas a portos do Sudeste Asiático e a redes mais amplas.

Já a variedade de itens citados no naufrágio No. 2 foi apontada como um indicativo de carga com perfil diferente, embora os comunicados não concluam qual era a função de cada material na viagem nem o destino da embarcação.

Especialistas ouvidos por veículos estatais e por instituições chinesas indicaram que o conjunto pode contribuir para entender práticas de transporte e circulação de mercadorias, mas os próprios responsáveis pelo projeto tratam as interpretações como dependentes de análises em curso.

Outra questão em aberto diz respeito ao tamanho total do acervo ainda preservado.

As divulgações públicas usam números de retiradas já realizadas, mas não apresentam uma estimativa consolidada do que permanece nos destroços nem um cronograma fechado para novas etapas de recuperação e conservação.

O que já foi divulgado sobre as causas do naufrágio

Até o momento, os materiais consultados não trazem uma conclusão oficial sobre por que os navios afundaram.

Autoridades e reportagens vinculadas a fontes estatais mencionaram hipóteses gerais associadas a condições do mar e possíveis problemas estruturais, mas não há confirmação pública de um fator único, nem dados técnicos divulgados que sustentem uma causa específica.

Também não foi apresentado, em comunicados oficiais, um mapa detalhado que indique se as embarcações estavam próximas de um destino final no momento do afundamento.

O que se sabe, com base nas informações divulgadas, é a localização geral em mar profundo e a interpretação de que a região integra corredores históricos de navegação usados em diferentes épocas.

Com novas etapas de pesquisa previstas por instituições chinesas, a tendência é que o projeto avance com análises de origem dos materiais, comparação com achados de outros sítios e consolidação de um inventário mais completo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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