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Mundo entra em alerta: Alemanha e Japão voltam a se rearmar 80 anos após a Segunda Guerra, com gastos militares recordes, orçamento japonês de US$ 58 bilhões, mísseis capazes de alcançar a China e nova cooperação em drones e armamentos.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/06/2026 às 16:44
Alemanha e Japão ampliam gastos militares, fortalecem alianças e aceleram rearmamento diante de China, Rússia e incertezas dos EUA.
Alemanha e Japão ampliam gastos militares, fortalecem alianças e aceleram rearmamento diante de China, Rússia e incertezas dos EUA.
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Pressões militares no Indo-Pacífico, guerra na Ucrânia e incertezas sobre o compromisso americano aceleram uma mudança sensível em duas potências derrotadas em 1945, que agora elevam gastos de defesa e buscam novas formas de cooperação estratégica.

Alemanha e Japão ampliam seus gastos militares e reforçam parcerias de defesa em meio ao avanço das tensões com China, Rússia e Coreia do Norte, além das dúvidas sobre a disposição dos Estados Unidos de manter compromissos de segurança assumidos no pós-guerra.

A mudança envolve duas potências derrotadas na Segunda Guerra Mundial, que reconstruíram suas economias sob forte dependência da proteção americana e mantiveram, por décadas, uma postura política associada à contenção militar, à diplomacia e ao uso limitado da força.

No Japão, o gabinete aprovou um orçamento recorde de defesa superior a 9 trilhões de ienes, cerca de US$ 58 bilhões, para o ano fiscal de 2026, segundo a Associated Press.

Na Alemanha, o governo de Friedrich Merz aprovou diretrizes para o orçamento de 2027 que elevam a despesa de defesa no orçamento central de 82,7 bilhões de euros em 2026 para 105,8 bilhões de euros em 2027, conforme a Reuters.

Rearmamento militar ganha força sem repetir o passado

A aproximação entre Berlim e Tóquio não significa retomada do Eixo formado nos anos 1940, mas indica uma cooperação defensiva entre aliados dos Estados Unidos que buscam reduzir vulnerabilidades em um cenário internacional mais instável.

Nesse novo ambiente, a Alemanha tenta reforçar sua capacidade de defesa diante da guerra da Rússia contra a Ucrânia, enquanto o Japão amplia sua vigilância em uma região pressionada por China, Coreia do Norte e disputas envolvendo Taiwan.

Durante visita ao Japão, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, tratou da cooperação bilateral com o ministro japonês Shinjiro Koizumi e defendeu maior aproximação entre países comprometidos com uma ordem internacional baseada em regras, segundo o Ministério da Defesa da Alemanha.

A cooperação também inclui áreas de tecnologia militar, com debates sobre drones, sistemas contra drones, helicópteros e projetos industriais de defesa, temas citados pelo governo alemão ao tratar da agenda de Pistorius no Indo-Pacífico.

Japão reforça defesa diante da China

A virada japonesa ocorre dentro de um processo gradual de revisão da postura adotada após 1945, quando a Constituição pacifista limitou o uso da força e consolidou as Forças de Autodefesa como estrutura voltada à proteção do território.

Segundo a Associated Press, o orçamento japonês de 2026 representa aumento de 9,4% em relação a 2025 e integra um programa de cinco anos para elevar os gastos de defesa ao equivalente a 2% do Produto Interno Bruto.

Parte dos recursos será destinada ao fortalecimento de mísseis de longo alcance, sistemas não tripulados e defesa costeira, em linha com o planejamento orçamentário apresentado pelo Ministério da Defesa do Japão.

O governo japonês afirma que o país enfrenta o ambiente de segurança mais severo e complexo do período pós-guerra, com menções à atividade militar da China, aos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte e à cooperação militar entre Rússia, China e Coreia do Norte.

Essa avaliação aparece em discurso oficial da primeira-ministra Sanae Takaichi, publicado pelo gabinete do primeiro-ministro do Japão, no qual o governo defende o fortalecimento da capacidade de defesa sem abandonar o compromisso declarado com uma trajetória pacífica.

China vê risco na mudança japonesa

O avanço japonês provoca reação da China, que acusa Tóquio de acelerar sua expansão militar e de se afastar do caminho pacífico defendido oficialmente desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A tensão regional aumenta porque Pequim considera Taiwan parte de seu território, enquanto Japão e Estados Unidos observam com preocupação a intensificação das atividades militares chinesas no Pacífico e nas áreas próximas ao arquipélago japonês.

Mesmo com o reforço de capacidades militares, autoridades japonesas evitam apresentar a mudança como abandono do pacifismo constitucional e defendem que o país precisa ampliar sua dissuasão para reduzir riscos em seu entorno estratégico.

Alemanha acelera gastos após guerra na Ucrânia

Na Europa, a transformação alemã ganhou força depois da invasão russa em larga escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, que expôs limitações militares acumuladas ao longo de décadas e levou Berlim a rever prioridades de defesa.

Ao incluir o fundo especial de defesa e recursos destinados à Ucrânia, os gastos alemães com defesa devem chegar a 144,9 bilhões de euros em 2027, o equivalente a 3,1% do PIB, conforme informou a Reuters.

Merz afirmou que acontecimentos recentes mostram a importância de investir na capacidade de defesa alemã, enquanto o ministro das Finanças, Lars Klingbeil, disse que os números ainda podem mudar conforme as necessidades da Ucrânia.

Essa nova orientação rompe com parte da tradição de contenção fiscal e militar da Alemanha reunificada, que durante anos manteve gastos de defesa abaixo das expectativas de aliados da Otan e priorizou investimentos sociais, industriais e de infraestrutura.

Dependência dos EUA pesa sobre aliados

A reorientação de Alemanha e Japão também reflete uma preocupação comum com a previsibilidade dos Estados Unidos, país que segue como principal aliado militar de ambos, mas cobra há anos que parceiros assumam parcela maior dos custos de defesa.

Donald Trump pressionou aliados europeus e asiáticos a elevarem seus gastos militares, reforçando uma discussão que já existia dentro da Otan e também no Indo-Pacífico, onde Washington busca conter a expansão militar chinesa sem carregar sozinho o peso regional.

Por isso, Berlim e Tóquio procuram ampliar parcerias com países de perfil semelhante, sem romper com a estrutura de alianças liderada pelos Estados Unidos e sem apresentar suas mudanças como um projeto ofensivo de expansão militar.

A reorganização do papel internacional de Alemanha e Japão ocorre de forma gradual, mas já altera a posição de duas potências que passaram décadas associadas à contenção militar e agora investem em defesa para lidar com ameaças regionais, pressão de aliados e um cenário global menos previsível.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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