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Em vez de se aposentarem, dois senhores desafiam a lógica e constroem com as próprias mãos um motor V12 artesanal de 1.200 cv, instalado em uma máquina feita para rasgar o deserto da Califórnia a quase 430 km/h em busca de um recorde brutal de velocidade

Escrito por Ana Alice
Publicado em 19/06/2026 às 16:27
Atualizado em 19/06/2026 às 16:29
Assista o vídeoMotor V12 artesanal de 1.200 cv levou um lakester a quase 430 km/h no deserto de El Mirage em projeto feito por dois amigos na Califórnia. (Imagem: Reprodução/Brandan Gillogly)
Motor V12 artesanal de 1.200 cv levou um lakester a quase 430 km/h no deserto de El Mirage em projeto feito por dois amigos na Califórnia. (Imagem: Reprodução/Brandan Gillogly)
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Projeto artesanal criado por Pete Aardema e Kevin Braun levou um V12 de oficina a velocidades próximas de 430 km/h em El Mirage, reunindo engenharia própria, testes extremos e tradição das provas de velocidade em terra.

Pete Aardema e Kevin Braun levaram para uma oficina em San Diego, na Califórnia, um projeto incomum mesmo para o universo das provas de velocidade em terra: construir um motor V12 artesanal para equipar um carro feito para correr em lagos secos.

A iniciativa ganhou repercussão após o veículo alcançar 267 mph, cerca de 429,7 km/h, em El Mirage Dry Lake, no condado de San Bernardino, também na Califórnia.

A marca foi registrada em 9 de junho de 2024, segundo a revista americana Road & Track, com o piloto Scott Goetz ao volante.

Antes disso, o mesmo projeto já havia aparecido em uma passagem de 244 mph, aproximadamente 393 km/h, atribuída a Cal Rothe, o que indicou uma evolução gradual do conjunto mecânico desenvolvido pela dupla.

Motor V12 artesanal criado para provas de velocidade em terra

O centro do projeto é um motor V12 de 6,0 litros, também descrito por publicações especializadas dos Estados Unidos como 369 polegadas cúbicas.

Aardema e Braun desenvolveram o conjunto sem a estrutura de uma montadora, com foco em competições de velocidade em terra, categoria na qual veículos longos e baixos buscam reduzir o arrasto aerodinâmico para atingir altas velocidades em superfícies abertas.

Antes da instalação do sistema de óxido nitroso, o V12 naturalmente aspirado já produzia cerca de 920 cv e alcançava 9.500 rpm, de acordo com o site The Drive.

Esses números passaram a chamar atenção porque o motor não veio de um supercarro ou de um protótipo oficial de fábrica, mas de um trabalho independente de engenharia, usinagem e desenvolvimento em oficina.

A base técnica foi construída a partir de estudo e adaptação de componentes de competição.

Braun analisou motores antigos usados em categorias como NASCAR e IndyCar, desmontou peças e comparou soluções aplicadas nesses conjuntos.

A partir desse processo, ele e Aardema desenvolveram um desenho próprio para o V12, com uso de impressão 3D na criação de modelos e moldes.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Óxido nitroso elevou a potência do V12

A evolução do desempenho ocorreu com a adoção de óxido nitroso.

Segundo a Road & Track, o V12 recebeu um sistema descrito como “300 shot” de nitro, recurso que elevou a estimativa de potência para cerca de 1.200 hp, valor próximo a 1.200 cv na forma como o dado costuma aparecer em textos automotivos internacionais.

Com esse acréscimo, o carro superou a meta intermediária de 259 mph e chegou aos 267 mph em El Mirage.

A mesma publicação informou que o nitro passou a atuar por volta de 180 mph, ou cerca de 289 km/h, quando o veículo já estava em velocidade elevada em uma pista de silte compactado.

O tipo de superfície ajuda a explicar a complexidade da tentativa.

Em El Mirage, o piso não oferece as mesmas condições de aderência de uma pista asfaltada.

O piloto precisa administrar a estabilidade do carro, a tração disponível e as variações do terreno, fatores que ganham peso à medida que a velocidade se aproxima de 430 km/h.

Lakester artesanal foi testado em El Mirage

O veículo usado no projeto é um lakester, tipo de carro tradicional em provas de velocidade em terra.

Diferentemente de um automóvel de rua, ele é desenhado para uma função específica: reduzir a resistência do ar e manter controle direcional em velocidades muito acima das observadas em vias convencionais.

A estrutura recebeu chassi tubular personalizado, entre-eixos longo e transmissão manual sequencial.

Essa configuração permite explorar a faixa de rotação do V12, mas também exige acerto preciso de suspensão, aerodinâmica, pneus e relações de marcha para que o conjunto consiga transformar potência em velocidade de forma controlada.

Em um carro desse tipo, o desempenho não depende apenas do motor.

A distribuição de peso, o comportamento em linha reta e a capacidade de manter estabilidade durante a aceleração influenciam diretamente o resultado.

Por isso, cada nova tentativa costuma gerar dados para novos ajustes na oficina.

A trajetória de Aardema e Braun não se limita a esse V12 de 6,0 litros.

O site Engine Swap Depot registrou que a dupla também apresentou, em 2025, outro V12 artesanal de 4,96 litros, desenvolvido para a classe D de Bonneville, com cabeçotes formados a partir de peças de motores Oldsmobile Aurora V8 usados na IndyCar.

Projeto combina oficina independente e engenharia de competição

O interesse pelo V12 de Aardema e Braun está ligado à combinação de construção independente, potência elevada e aplicação em uma categoria de velocidade extrema.

Em um setor no qual muitos avanços passam por grandes centros de engenharia, simulação computacional e orçamentos elevados, o projeto mostra um caminho baseado em fabricação própria, testes sucessivos e conhecimento acumulado em oficina.

Essa leitura, no entanto, não transforma o trabalho em improvisação.

O bloco, os cabeçotes, o virabrequim e outros componentes foram feitos sob medida para o motor.

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Uma arquitetura de 12 cilindros exige controle rigoroso de vibração, alimentação, arrefecimento, lubrificação e resistência mecânica, especialmente quando opera em rotações próximas a 10.000 rpm.

A história também se conecta à cultura das provas de velocidade em terra nos Estados Unidos.

Locais como Bonneville e El Mirage reúnem há décadas construtores independentes, equipes pequenas e projetos experimentais, nos quais a busca por recordes envolve tanto capacidade técnica quanto sucessivas etapas de validação em pista.

Recorde em El Mirage veio após evolução gradual

A primeira marca de maior repercussão do projeto, na faixa de 244 mph, colocou o V12 de Aardema e Braun em evidência entre publicações especializadas.

Naquele momento, segundo o The Drive, a equipe ainda trabalhava para adicionar nitro e tentar chegar a 259 mph, objetivo que acabou superado quando o carro atingiu 267 mph em El Mirage.

A sequência segue uma lógica comum nesse tipo de competição.

Uma passagem bem-sucedida revela informações sobre temperatura, pressão, tração, estabilidade e resposta do motor.

Depois da tentativa, a equipe pode revisar dados, identificar limitações e reforçar peças antes de uma nova ida ao lago seco ou às salinas.

Registros em vídeo publicados posteriormente também mostraram que o projeto enfrentou problemas mecânicos em tentativas mais agressivas, incluindo danos associados a detonação e mistura pobre, segundo descrições técnicas relacionadas ao material.

Esse tipo de ocorrência é compatível com o nível de exigência de motores de alta potência, nos quais pequenas variações de combustível, ignição e temperatura podem afetar a confiabilidade.

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Chegar perto de 430 km/h exige mais do que potência

Ao atingir 267 mph, o carro passa a enfrentar um conjunto de limitações que vai além da aceleração.

A resistência do ar aumenta de forma expressiva conforme a velocidade sobe, o que exige muito mais potência para ganhos cada vez menores.

Nesse ponto, aerodinâmica, estabilidade e segurança mecânica passam a ser tão relevantes quanto o número de cavalos.

O espaço disponível em El Mirage também impõe restrições.

A Road & Track cita uma faixa de 1,3 milha, cerca de 2,1 km, distância na qual o carro precisa acelerar, manter trajetória e completar a passagem.

Para um veículo que se aproxima de 430 km/h, esse intervalo exige que motor, transmissão e piloto trabalhem dentro de uma margem estreita.

O caso de Aardema e Braun permanece relevante porque combina técnicas tradicionais de construção mecânica com ferramentas modernas, como impressão 3D para moldes e prototipagem.

O resultado é um V12 artesanal que saiu de uma oficina independente e chegou a velocidades normalmente associadas a projetos industriais de grande escala.

A continuidade do trabalho indica que o objetivo não era apenas registrar uma passagem isolada.

Cada tentativa passou a funcionar como etapa de desenvolvimento, com novas leituras sobre o comportamento do carro e do motor em condições extremas.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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