Navios gigantes retomam escalas em quatro cidades catarinenses até abril de 2026, impulsionando comércio, hotelaria e serviços em meio a cenário de retração no Brasil
A temporada de cruzeiros 2025/2026 em Santa Catarina já começou e, mesmo diante de um cenário nacional de retração, deve movimentar mais de R$ 200 milhões na economia do Estado. Além disso, a expectativa é que mais de 270 mil passageiros circulem pelas quatro cidades que receberão embarques ou escalas até abril de 2026.
A informação foi divulgada pelo portal NSC Total, com base em dados das prefeituras e em estudo da Associação Nacional de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula o impacto econômico médio por passageiro.
Embora os números sejam menores do que os da temporada anterior, o setor segue estratégico para o turismo catarinense. Afinal, o fluxo de visitantes aquece comércio, gastronomia, transporte e hotelaria, especialmente nas cidades litorâneas que concentram as operações.
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Ao todo, Santa Catarina terá 95 escalas confirmadas, número 20% inferior às 120 registradas no verão passado. Ainda assim, o Estado mantém posição relevante no mapa dos cruzeiros do Brasil.
Impacto econômico ultrapassa R$ 200 milhões e reforça importância estratégica do setor
O cálculo do impacto financeiro considera o gasto médio estimado por passageiro. Segundo o estudo da Clia Brasil em parceria com a FGV, cada turista deixa em média:
- R$ 709,47 nas cidades onde faz escala
- R$ 918,15 nas cidades onde embarca ou desembarca
Esses valores incluem efeitos diretos, indiretos e induzidos em serviços como comércio, transporte, hotelaria e alimentação.
Durante toda a temporada, são esperados 279.322 passageiros nas quatro cidades catarinenses. Portanto, mesmo com retração nacional, o impacto total deve superar R$ 200 milhões.
Comparativamente, na temporada passada foram 415 mil passageiros e 120 escalas. Ou seja, a redução chega a 32% no número de turistas e 20% nas escalas.
No entanto, apesar da queda, as prefeituras enxergam a temporada como essencial para manter o ritmo da economia durante os meses de verão.
Itajaí
- 37 escalas (duas a menos que as 39 anteriores)
- 100 mil passageiros esperados
- Impacto estimado: R$ 70,9 milhões
- Início: 30 de novembro
A maioria dos passageiros deve embarcar e desembarcar na cidade, o que amplia o tempo de permanência e o volume de gastos.
Balneário Camboriú
- 47 escalas (13 a menos que as 60 anteriores)
- 160 mil passageiros, sendo 155 mil em escala e 5 mil em embarque/desembarque
- Impacto estimado: R$ 114,5 milhões
- Início: 13 de novembro
Além disso, Balneário Camboriú estreia como ponto oficial de embarque e desembarque, no Atracadouro Barra Sul. Essa mudança é estratégica, já que turistas que iniciam ou encerram viagem tendem a permanecer mais tempo na cidade.
Porto Belo
- 8 escalas (contra 17 no ano anterior)
- 17.822 passageiros
- Impacto estimado: R$ 12,6 milhões
- Início: 29 de novembro, com o navio Costa Favolosa e seus 3,5 mil passageiros
São Francisco do Sul
- 3 escalas (uma a menos que as 4 anteriores)
- 1,5 mil passageiros
- Impacto estimado: R$ 1 milhão
- Início: 15 de outubro
Embora receba navios menores, com capacidade entre 400 e 500 passageiros, o município aposta na economia criativa e no fortalecimento do artesanato local.
Por que a temporada caiu no Brasil e o que isso significa para SC

A redução nas escalas catarinenses reflete um cenário nacional mais desafiador. Em todo o Brasil, haverá dois navios a menos na temporada 2025/2026.
Além disso, a oferta total será de 670 mil leitos, cerca de 20% inferior ao verão anterior. Na última temporada, o impacto econômico nacional foi de R$ 5,4 bilhões.
Segundo a Associação Nacional de Cruzeiros Marítimos, os principais entraves incluem:
- Custos operacionais elevados
- Infraestrutura portuária
- Regulação e segurança jurídica
- Carga tributária
Portanto, embora o Brasil tenha potencial para crescer no turismo de cruzeiros, o setor depende de maior competitividade para atrair companhias internacionais.
Ainda assim, Santa Catarina mantém vantagem estratégica. Por estar localizada entre São Paulo e Argentina, os navios podem realizar escalas tanto na ida quanto na volta das rotas internacionais. Consequentemente, isso aumenta o fluxo e favorece permanência dos visitantes.
Além disso, a consolidação do porto de embarque em Itajaí e a novidade em Balneário Camboriú fortalecem o posicionamento do Estado no cenário náutico.
Assim, mesmo com retração nacional, SC segue como protagonista regional no turismo marítimo.
Você acredita que o Brasil deveria investir mais em infraestrutura e competitividade para atrair mais navios de cruzeiro nos próximos anos?


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