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Como a Cazé TV quebrou um monopólio de 54 anos da Globo, faturou R$ 2 bilhões e se tornou a única emissora brasileira a transmitir os 104 jogos da Copa de 2026

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 09/02/2026 às 21:21
Atualizado em 09/02/2026 às 21:27
Assista o vídeoCasé TV revoluciona transmissões esportivas e quebra monopólio histórico da Globo
Casé TV será a única emissora brasileira a transmitir todos os jogos da Copa de 2026
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Canal nativo do YouTube desafia modelo tradicional da TV aberta, conquista público jovem e transforma direitos esportivos em um negócio bilionário com alcance internacional

Em 1970, a televisão brasileira viveu um marco histórico. Naquele ano, a Globo transmitiu pela primeira vez uma Copa do Mundo ao vivo no país. Desde então, passaram-se 54 anos. Durante todo esse período, praticamente todas as Copas assistidas pelos brasileiros passaram pela emissora.

No entanto, esse ciclo chega ao fim em 2026. A partir do próximo Mundial, a Casé TV, um canal que não existia há apenas quatro anos, será a única emissora brasileira a transmitir todos os 104 jogos da Copa do Mundo. Globo, SBT e N Sports exibirão apenas parte da competição.

Dessa forma, a mudança não é apenas simbólica. Pelo contrário, ela representa uma ruptura profunda no modelo de negócios da transmissão esportiva no Brasil. Além disso, sinaliza uma nova lógica de consumo, baseada em plataformas digitais e interação direta com o público.

A informação foi divulgada por “Exame”, conforme reportagem especial publicada na edição de capa da revista, baseada em entrevistas com os sócios do projeto. Segundo a apuração, o sucesso da Casé TV não se explica apenas pelo carisma de um influenciador, mas por uma estratégia empresarial bem definida.

A estrutura empresarial que permitiu enfrentar a Globo

Antes de tudo, é necessário desfazer uma confusão comum. Apesar do nome, a Casé TV não é um projeto pessoal de Casimiro. Na prática, o canal pertence à Live Mode, uma empresa especializada em direitos esportivos, patrocínios e monetização digital.

Além de Casimiro, a empresa tem como sócios Edgar Diniz e Sérgio Lopes. Foram eles que estruturaram o modelo de negócios e criaram a estratégia que permitiu ao canal disputar espaço com a Globo, algo impensável até pouco tempo atrás.

Nesse sentido, a experiência prévia dos três foi decisiva. Em 2014, eles trabalharam juntos no Esporte Interativo. Enquanto a Globo dominava o futebol brasileiro, o canal apostava em campeonatos europeus, como o Espanhol, o Inglês e a Liga dos Campeões.

A lógica era clara. Em vez de depender de um único produto, o objetivo era diversificar direitos e públicos. Mais tarde, em 2015, a Turner comprou o Esporte Interativo, que passou a se chamar TNT Sports. Casimiro permaneceu como funcionário, enquanto Diniz e Lopes deixaram o projeto.

Em 2017, eles fundaram a Live Mode com uma missão específica. Resolver um problema que quase ninguém atacava: clubes e federações brasileiras não sabiam monetizar o digital. Em geral, vendiam tudo para uma emissora só e encerravam a negociação ali.

Como a Live Mode provou que o modelo digital funcionava

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Vídeo do YouTube

A partir disso, a Live Mode passou a fragmentar direitos. Em vez de vender tudo para um único player, negociava com TV, streaming, YouTube, Facebook e outras plataformas. Como resultado, a receita total aumentava.

Em 2019, a empresa assumiu a Copa do Nordeste. Depois disso, em 2021, fechou acordo com a Federação Paulista. Apenas mudando a estratégia de distribuição, conseguiu elevar a receita em 40%.

Portanto, o modelo estava validado. Faltava apenas uma vitrine de grande escala. Essa oportunidade, curiosamente, surgiu em um momento de crise global.

A pandemia e a brecha que mudou tudo

Em 2020, com a pandemia, a Globo pediu à FIFA uma revisão nos valores dos direitos da Copa do Mundo. O mercado cortava custos, e a renegociação parecia natural. No entanto, durante o processo, a emissora abriu mão de algo que parecia secundário na época: os direitos de transmissão digital.

Quando a Live Mode percebeu que esses direitos estavam livres, começou a buscar interessados. Conversa vai, conversa vem, até que surgiu a pergunta decisiva: por que não transmitir por conta própria?

A FIFA aceitou o projeto por valores considerados simbólicos. Assim, a Casé TV nasceu literalmente no dia da estreia do Brasil contra a Sérvia. Não havia estrutura consolidada, nem histórico de audiência. Ainda assim, o risco fazia parte da estratégia.

Nas quartas de final entre Brasil e Croácia, o resultado surpreendeu. Cerca de 7 milhões de pessoas assistiram à transmissão ao vivo. Até hoje, esse número representa o recorde mundial de audiência de futebol na internet.

O formato que mudou a experiência do público

Apesar da audiência elevada, o diferencial não estava apenas nos números. Estava, sobretudo, no formato. A Casé TV colocou o rosto dos narradores e comentaristas na tela, reagindo em tempo real aos lances.

Assim, o espectador não assistia apenas ao jogo. Ele compartilhava a reação com quem transmitia. Além disso, o canal trouxe comentaristas fora do universo esportivo tradicional, como nomes da cultura pop, atraindo um público que não acompanhava futebol regularmente.

Outro ponto relevante foi a disposição para testar limites. Nas Olimpíadas, Pedro Scooby entrou no mar para entrevistar surfistas. No Mundial de Clubes, um influenciador apareceu fantasiado de ketchup. No Brasileirão, houve até festa de aniversário no gramado do Maracanã.

Segundo os criadores, a ideia nunca foi quebrar regras por quebrar. Pelo contrário, o objetivo era questionar quais regras ainda faziam sentido.

Os números bilionários por trás da disrupção

Os dados confirmam a aposta. Aproximadamente 80% da audiência da Casé TV tem menos de 44 anos. Trata-se de um público que estava desconectado da transmissão esportiva tradicional.

Do ponto de vista comercial, o impacto foi imediato. Casé TV e YouTube venderam 11 cotas de patrocínio para a Copa. Cada uma ao preço de tabela de R$ 185 milhões. Todas foram negociadas em apenas 20 dias.

No total, o mercado movimentou cerca de R$ 2 bilhões em cotas. O valor é semelhante ao estimado para a Globo. A diferença, porém, é clara: a Casé TV transmitirá todos os 104 jogos do Mundial.

Audiência, concorrência e o jogo que segue em 2026

Apesar do sucesso, os desafios permanecem. A TV aberta ainda lidera em audiência bruta. Nas Olimpíadas, a Globo chegou a 20 milhões de espectadores em alguns eventos, enquanto a Casé TV alcançou 5 milhões.

Como resposta, a emissora lançou a GE TV para competir no digital. Na final do Mundial de Clubes, a GE TV teve 5 milhões de espectadores, contra 4,1 milhões da Casé TV.

Além disso, existe um fator técnico relevante. Em muitas regiões, o sinal da TV chega alguns segundos antes da internet. Em jogos decisivos, isso faz diferença.

Por outro lado, o jogo mudou. No Instagram, a Casé TV gerou 16 milhões de interações durante o Mundial. A GE TV ficou em 1,8 milhão. Hoje, não basta ter mais gente ao vivo. É preciso dominar a conversa depois.

Em 2024, a Live Mode recebeu investimentos da XP e da General Atlantic. A empresa já garantiu os direitos da Copa Feminina de 2027 e das Olimpíadas de 2028. Além disso, anunciou expansão para Portugal.

Por fim, o que começou como improviso em 2022 virou, em apenas quatro anos, uma operação internacional estruturada. O mercado não mudou porque alguém foi genial. Ele mudou porque quem dominava subestimou o que vinha pela frente.

Você acredita que a Casé TV inaugurou um novo padrão definitivo para transmissões esportivas ou a TV aberta ainda retomará esse protagonismo?

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Gleiber
Gleiber
10/02/2026 08:24

Esse novo modelo no digital é algo que não tem mais volta. A diversificação de canais trás ao consumidor a possibilidade de experimentar e não ficar somente no que já se conhece. CaséTV abre uma janela de oportunidades que não se imaginava antes. Parabéns a todos os envolvidos.

Jefferson Augusto

Atuo no Click Petróleo e Gás trazendo análises e conteúdos relacionados a Geopolítica, Curiosidades, Industria, Tecnologia e Inteligência Artificial. Envie uma sugestão de pauta para: jasgolfxp@gmail.com

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