Templo perdido no Egito ressurge depois de 2.200 anos e revela bacia circular de 35 metros dedicada ao deus da lama Pelúsio
Arqueólogos egípcios anunciaram, em abril de 2026, a descoberta de um templo circular de 2.200 anos dedicado ao deus local Pelúsio (Pelusius), ligado à lama do rio Nilo. A estrutura tem cerca de 35 metros de diâmetro e foi identificada no sítio de Tell el-Farma, na antiga cidade de Pelúsio, no norte da península do Sinai, segundo a Smithsonian Magazine. Esse templo perdido no Egito havia ficado fora dos mapas arqueológicos por mais de dois milênios.
De acordo com a publicação americana, a missão é conduzida pelo Conselho Supremo de Antiguidades do Egito e supervisionada por Hesham Hussein, chefe da Administração Central de Antiguidades do Baixo Egito e do Sinai. Em paralelo, Hisham El-Leithy, secretário-geral interino do Conselho Supremo, acompanha os trabalhos de campo. Conforme reportagem do G1, a descoberta foi confirmada em comunicado oficial do Ministério do Turismo e Antiguidades.
O quote técnico mais relevante atribuído a Hussein descreve a função do espaço: “Escavações em curso e estudos comparativos mudaram completamente nosso entendimento. Agora sabemos que era uma instalação sagrada de água usada em rituais religiosos, não uma estrutura política.” Por isso, o local passou a ser tratado como complexo cerimonial.
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Pelúsio: deus da lama e guardião da fronteira oriental do Egito
O deus Pelúsio foi venerado entre o século II a.C. e o século VI d.C., conforme datação preliminar baseada no estilo arquitetônico e em fragmentos cerâmicos. Em síntese, a cidade homônima funcionava como entreposto comercial e ponto de defesa da fronteira oriental do Egito antigo. Portanto, o templo combinava função religiosa e simbolismo geográfico.
Segundo o conselho, Pelúsio era associado à lama do Nilo, considerada fertilizante natural que sustentava a agricultura egípcia. Conforme contexto histórico, esse simbolismo se ligava ao culto a Ísis e Osíris, divindades centrais do panteão local. Em consequência, a bacia circular de 35 metros teria abrigado rituais de purificação e oferendas com água sagrada conectada ao rio.
De acordo com a Smithsonian, o sítio fica na borda oriental do delta do Nilo, onde correntes do rio se encontravam com águas do Mediterrâneo. Conforme registros greco-romanos, Pelúsio chegou a abrigar mais de 30 mil habitantes em seu auge. Em comparação, era uma das três maiores cidades portuárias do Egito antigo.

O que o muro de tijolos vermelhos escondeu por 2 mil anos
Em primeiro lugar, a equipe identificou inicialmente um muro de tijolos vermelhos durante escavações exploratórias em 2019. Em seguida, a continuação dos trabalhos revelou uma fundação circular, infraestrutura para circulação de água e um pedestal quadrado central. Por consequência, a hipótese de função política foi descartada.
Conforme relata a Smithsonian, o complexo tem cerca de 115 pés (~35 metros) de largura. Para entender a escala, isso equivale ao diâmetro de uma rotatória urbana moderna ou à metade da extensão de uma piscina olímpica. Da mesma forma, o conjunto incluiria canais subterrâneos que conduziam água do Nilo até a bacia central durante as cerimônias.
Além disso, as paredes circulares apresentam vestígios de revestimento em pintura e gesso, comum em templos do período greco-romano. Por isso, os pesquisadores avaliam usar imagens de drone, fotogrametria e georreferenciamento de alta precisão para mapear cada camada antes de qualquer remoção física.
Por que o templo perdido no Egito reescreve a geografia religiosa do delta
Antes da descoberta, mapas arqueológicos do delta oriental do Nilo registravam apenas templos retangulares dedicados aos grandes deuses do panteão. Em outras palavras, o templo perdido no Egito é o primeiro caso bem documentado de planta circular conhecida em Pelúsio. Em consequência, abre nova frente de pesquisa sobre divindades locais.
Segundo análise do Conselho Supremo, o achado dialoga com o British Museum, que mantém coleção sobre o período greco-romano no Egito. Da mesma forma, pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Instituto Arqueológico Alemão têm publicado trabalhos sobre cultos hídricos no leste mediterrâneo. Conforme as evidências, Pelúsio teria papel central nessa rede ritual.
- 35 metros de diâmetro da bacia circular
- 2.200 anos desde a construção original
- Século II a.C. a VI d.C. de uso continuado
- 1 pedestal quadrado central identificado
- 2 nomes divinos associados: Pelúsio e Ísis
Tell el-Farma: o sítio que mistura mito e geopolítica antiga
Tell el-Farma fica na península do Sinai, a cerca de 280 quilômetros a leste do Cairo. Conforme dados oficiais do Ministério do Turismo e Antiguidades, a área já recebeu missões internacionais desde os anos 1990. Em paralelo, fortes romanos próximos da costa indicam que Pelúsio servia como porta de entrada para legiões vindas da Síria-Palestina.
Por outro lado, a cidade caiu em declínio após a conquista árabe do Egito no século VII d.C. Por isso, o templo circular foi soterrado pelo avanço da areia e pelo recuo do litoral mediterrâneo. Em outras palavras, a geografia local mudou tanto que o porto antigo hoje fica vários quilômetros para o interior.
De acordo com o conselho, o próximo passo da missão é abrir trincheiras adicionais ao redor da bacia para mapear o circuito hidráulico completo. Da mesma forma, amostras de argila serão enviadas para datação por luminescência opticamente estimulada em laboratórios europeus.

O que esse templo perdido no Egito pode ainda revelar
Em primeiro lugar, a expectativa da missão é encontrar estatuetas votivas, recipientes cerimoniais e possíveis inscrições que confirmem o vínculo direto com Pelúsio. Em segundo lugar, há esperança de localizar uma cripta sacerdotal ou uma sala de tesouro associada à bacia central.
Conforme análise comparativa, templos circulares de função aquática aparecem também em Petra (Jordânia) e em Baalbek (Líbano), o que sugere intercâmbio cultural entre o Egito helenístico e o Levante. Da mesma forma, o achado fortalece a hipótese de que cidades portuárias do Mediterrâneo oriental compartilhavam rituais de purificação ligados ao comércio.
Por consequência, novos achados na próxima temporada de escavação podem reposicionar Pelúsio no mapa do turismo arqueológico egípcio. Em comparação, Saqqara, Luxor e Gizé concentram hoje a maioria dos visitantes — mas o delta oriental segue subexplorado, com potencial enorme.

Ressalva sobre datação e atribuição do culto
Embora a Smithsonian Magazine cite a hipótese principal de Pelúsio como divindade homenageada, parte dos pesquisadores prefere falar em “cultos hídricos sincréticos” em vez de atribuir o templo a um deus específico. Em outras palavras, é possível que múltiplas divindades fossem cultuadas no mesmo espaço.
Da mesma forma, a datação de 2.200 anos é preliminar e poderá ser refinada após as análises laboratoriais. Por isso, vale acompanhar comunicações futuras do Conselho Supremo de Antiguidades. O Brasil também concentra investigações arqueológicas relevantes, como mostra a cobertura de descobertas arqueológicas no Click Petróleo e Gás, o que abre paralelo com missões internacionais. Será que outras divindades locais do delta nilótico aparecem nas próximas trincheiras?
