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Tecnologia e tradição se encontram: pesca artesanal no Rio de Janeiro usa energia solar para cortar gastos, reduzir poluição e transformar o futuro de centenas de famílias ribeirinhas

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 15/04/2026 às 10:37
Atualizado em 15/04/2026 às 22:57
Pescadores artesanais em barco utilizam equipamento com energia solar e luz de LED durante atividade de pesca no litoral do Rio de Janeiro
Tecnologia e tradição se encontram: pesca artesanal no Rio de Janeiro usa energia solar para cortar gastos, reduzir poluição e transformar o futuro de centenas de famílias ribeirinhas/ Imagem Ilustrativa
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Pesca artesanal no Rio de Janeiro adota energia solar para reduzir custos, ampliar a autonomia no mar e diminuir impactos ambientais, impulsionando a sustentabilidade e a renda de comunidades ribeirinhas.

A rotina da pesca artesanal no Rio de Janeiro começou a mudar de forma concreta a partir de 2025, quando barcos tradicionais passaram a operar com energia solar, reduzindo custos em pelo menos R$ 550 durante a alta temporada e mitigando o uso contínuo de combustíveis fósseis. Segundo publicação do MongaBay, o movimento, que já alcança cerca de 285 embarcações, revela uma transformação silenciosa: uma atividade centenária passa a incorporar tecnologia limpa com impactos imediatos na renda, no meio ambiente e na qualidade de vida.

Pesca artesanal no Rio de Janeiro ganha nova dinâmica com energia solar

Em comunidades como Arraial do Cabo, a pesca artesanal sempre foi aprendida na prática, passada entre gerações. Esse modelo tradicional, no entanto, convivia com limitações — especialmente nas pescarias noturnas, quando a captura de espécies como a lula depende de iluminação constante.

Por décadas, essa luz veio de geradores a diesel ou gasolina. O problema ia além do custo: o barulho constante, a fumaça e a necessidade de manutenção tornavam o trabalho mais desgastante e menos eficiente.

A chegada da energia solar muda essa lógica. O contraste é claro no dia a dia: o que antes era um ambiente ruidoso e poluente se torna mais silencioso, estável e previsível.

Como a energia solar redefine o funcionamento da pesca artesanal

O sistema adotado nos barcos é direto, mas eficiente. Cada embarcação recebe um kit fotovoltaico que permite operar durante toda a noite sem depender de combustível.

Esse kit geralmente inclui:

  • Placa solar para captação de energia durante o dia
  • Bateria para armazenamento da eletricidade
  • Holofotes utilizados na pesca noturna

Antes da mudança, um gerador com cerca de 20 litros de combustível oferecia autonomia média de apenas 6 horas. Com a energia solar, a iluminação funciona durante toda a noite, ampliando o tempo produtivo.

Outro ponto que faz diferença no cotidiano é a eliminação de tarefas repetitivas. Muitos pescadores precisavam retirar baterias ao amanhecer, recarregá-las em terra e retornar ao barco. Esse ciclo, que podia estender a jornada até 8h da manhã após voltar às 4h ou 5h, praticamente desaparece com o novo sistema.

Projetos impulsionam a sustentabilidade na pesca artesanal

A transformação não aconteceu de forma isolada. Projetos estruturados têm papel central nessa mudança, como o SustentaMar, iniciado em 2025 com apoio de recursos ambientais.

Após testes iniciais, o projeto instalou sistemas solares em 55 das 70 embarcações ligadas a uma associação local em Arraial do Cabo. Além disso, foi criado um ponto de recarga próximo à marina, facilitando a logística.

Os ganhos aparecem rapidamente no bolso:

  • Recarga de bateria solar custa cerca de R$ 20, metade do valor anterior
  • Redução de gastos pode ultrapassar R$ 550 em períodos de maior atividade
  • Menor dependência de deslocamento até postos de combustível

Essa combinação reduz custos e também melhora a organização da rotina de trabalho.

Segurança no mar: quando a energia solar vai além da economia

Se o custo é um fator importante, a segurança se tornou decisiva em regiões como São Francisco de Itabapoana, no norte do estado.

A Colônia Z-1, com mais de 1.500 pescadores distribuídos por cerca de 60 quilômetros de costa, enfrentava situações críticas. Em alguns casos, embarcações ficavam à deriva por falta de combustível ou energia.

Com a adoção da energia solar, mesmo em caso de falha principal, os pescadores conseguem manter funções básicas, como carregar celulares e estabelecer comunicação.

Isso é especialmente relevante para quem passa longos períodos no mar — há relatos de pescadores que ficam até um mês em alto-mar, navegando por regiões que vão de Ilhabela até o litoral da Bahia.

Pescadores artesanais em embarcação utilizam sistema de energia solar com iluminação noturna durante atividade no mar
Energia solar transforma pesca artesanal no Rio de Janeiro com mais autonomia e menos poluição/ Imagem Ilustrativa

Da desconfiança à adoção: o avanço gradual da tecnologia

A introdução da tecnologia não foi imediata. Muitos pescadores demonstraram resistência inicial, questionando a eficiência dos sistemas solares no ambiente marítimo.

Esse cenário começou a mudar após os primeiros resultados práticos. A instalação das placas solares em junho de 2025 marcou um ponto de virada.

O projeto Pescando Sol, que inicialmente previa 300 embarcações, já alcançou cerca de 230 barcos. Somando com Arraial do Cabo, o número chega a aproximadamente 285 embarcações adaptadas.

A experiência direta, mais do que qualquer argumento técnico, foi determinante para ampliar a adesão.

Impactos reais da sustentabilidade na pesca artesanal

A incorporação da sustentabilidade na pesca artesanal gera efeitos concretos em diferentes áreas.

No aspecto econômico, há aumento da previsibilidade e redução de custos. No ambiental, a diminuição do uso de combustíveis fósseis reduz emissões e resíduos.

Na prática, os benefícios mais percebidos incluem:

  • Menos exposição a fumaça e ruído
  • Redução do esforço físico diário
  • Maior tempo disponível para descanso
  • Aumento da eficiência nas pescarias noturnas

Esses fatores, combinados, ajudam a tornar a atividade mais viável no longo prazo.

Tecnologia que respeita o saber tradicional no Rio de Janeiro

Um dos pontos mais relevantes desse movimento é que a tecnologia não substitui o conhecimento tradicional — ela o complementa.

A pesca artesanal continua baseada na experiência acumulada ao longo de décadas. A diferença é que agora há uma ferramenta que amplia a capacidade de trabalho sem alterar a essência da atividade.

Esse equilíbrio ajuda a explicar por que a iniciativa tem potencial de expansão. A tecnologia é incorporada sem romper com a identidade cultural das comunidades.

O que esse movimento revela sobre o futuro da pesca artesanal

O avanço da energia solar na pesca artesanal no Rio de Janeiro indica uma mudança mais ampla do que parece à primeira vista.

O que está em curso não é apenas uma troca de equipamentos, mas uma reconfiguração da forma como essas comunidades lidam com energia, custo e risco.

A combinação de:

  • redução de despesas
  • aumento da segurança
  • menor impacto ambiental

mostra que modelos sustentáveis podem surgir dentro de atividades tradicionais, sem exigir rupturas radicais.

À medida que mais embarcações adotam o sistema e os resultados se consolidam, a tendência é que essa transformação ganhe escala — redefinindo o futuro da pesca artesanal em diferentes regiões do país.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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