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TEA em idosos aumenta riscos à saúde e exige diagnóstico precoce

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 05/01/2026 às 16:06
Autismo na terceira idade ainda passa despercebido no Brasil, dificultando diagnóstico, tratamento e políticas públicas.
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Autismo na terceira idade ainda passa despercebido no Brasil, dificultando diagnóstico, tratamento e políticas públicas.

O Transtorno do Espectro Autista em idosos já atinge cerca de 306,8 mil pessoas com 60 anos ou mais no Brasil, segundo dados do Censo Demográfico de 2022 analisados por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

O levantamento aponta que 0,86% da população idosa brasileira se autodeclara dentro do espectro, revelando uma realidade ainda pouco visível, marcada por diagnóstico tardio de autismo, dificuldades de acesso à saúde e ausência de políticas públicas específicas.

O estudo foi conduzido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) e reforça a urgência de ampliar o olhar para o autismo na terceira idade, condição que acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida.

Prevalência do TEA no Brasil entre idosos chama atenção

A prevalência do TEA no Brasil na população idosa revela diferenças importantes por gênero. Entre os homens com mais de 60 anos, a taxa chega a 0,94%, enquanto entre as mulheres é de 0,81%.

Embora os números pareçam modestos à primeira vista, especialistas alertam que podem estar subestimados, justamente pela dificuldade de identificação do Transtorno do Espectro Autista em faixas etárias mais avançadas.

Além disso, quando observados em conjunto com dados globais, os números ganham ainda mais relevância.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de TEA

condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social.

Autismo na terceira idade ainda é pouco reconhecido

Embora muitas pessoas associem o TEA à infância, especialistas reforçam que a condição acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida.

No entanto, o autismo na terceira idade permanece amplamente invisível no sistema de saúde.

Em adultos mais velhos, profissionais de saúde ainda reconhecem o transtorno de forma limitada, tanto no diagnóstico quanto no acesso a terapias e acompanhamentos adequados.

“Do ponto de vista das políticas públicas de saúde, esses dados reforçam a importância de desenvolver estratégias para a identificação e o apoio a adultos mais velhos com TEA.

A prevalência tem crescido nos últimos anos, porém a literatura científica nacional e internacional ainda é escassa em relação ao que se sabe sobre o TEA no contexto do envelhecimento”, afirmou a pesquisadora do PPGCS da PUCPR, Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro.

Diagnóstico tardio de autismo é um dos principais obstáculos

O diagnóstico tardio de autismo em idosos representa um dos maiores desafios enfrentados por essa população.

Segundo a pesquisadora, profissionais de saúde enfrentam dificuldade para identificar o TEA em pessoas mais velhas

pois manifestações como isolamento social, rigidez comportamental e interesses restritos costumam ser confundidas com sinais de ansiedade, depressão ou até demência.

Além disso, mudanças nos critérios diagnósticos ao longo das décadas e a falta de profissionais capacitados dificultam ainda mais a detecção correta.

O idoso frequentemente recebe o diagnóstico com alívio, pois entende que ele explica as dificuldades interpessoais e sensoriais vivenciadas ao longo da vida, promovendo maior autocompreensão e aceitação”, explicou a especialista.

Riscos à saúde e comorbidades associadas ao TEA em idosos

Outro ponto de atenção envolve as condições de saúde associadas ao TEA em idosos.

Pessoas que envelhecem dentro do espectro tendem a apresentar redução na expectativa de vida e maior prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão.

Há também maior risco de declínio cognitivo e de doenças clínicas, incluindo problemas cardiovasculares e disfunções metabólicas.

Segundo a pesquisadora, dificuldades de comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez comportamental podem agravar ainda mais o acesso dessa população aos serviços de saúde.

Portanto, o desconhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista na velhice acaba ampliando desigualdades no cuidado e no acompanhamento médico.

Conhecimento é base para políticas públicas eficazes

Para especialistas, mapear a prevalência do TEA no Brasil entre idosos é um passo fundamental para a formulação de políticas públicas mais inclusivas.

“O conhecimento em torno da prevalência do TEA em pessoas idosas no Brasil é o primeiro passo para compreender suas necessidades e assim subsidiar políticas públicas direcionadas a este público”, destacou Uiara Ribeiro.

Enquanto isso, o avanço das pesquisas sobre autismo na terceira idade surge como ferramenta essencial para garantir mais dignidade

diagnóstico adequado e acesso à saúde para uma população que, por décadas, permaneceu invisível.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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