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Taxa das blusinhas saiu de cena, mas o ICMS ficou: entenda por que compras internacionais ainda podem pesar no bolso do consumidor

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 13/06/2026 às 12:13
Atualizado em 13/06/2026 às 12:16
Consumidor navegando em plataforma de compras internacionais pelo computador enquanto consulta produtos importados após mudanças na tributação da taxa das blusinhas e manutenção do ICMS.
Mesmo após a revogação da taxa das blusinhas, consumidores ainda encontram cobrança de ICMS em compras realizadas em plataformas internacionais de comércio eletrônico.
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Cobrança federal sobre encomendas de até US$ 50 foi revogada em maio de 2026, porém estados ainda mantêm tributação sobre importados de baixo valor.

A chamada taxa das blusinhas arrecadou R$ 2,13 bilhões ao governo federal em 2026 antes de ser revogada em maio, segundo dados da Secretaria da Receita Federal.

O valor foi recolhido entre janeiro e meados de maio, principalmente sobre encomendas internacionais de baixo valor.

A arrecadação superou o resultado registrado nos cinco primeiros meses de 2025. Naquele período, com maio completo no cálculo, o governo havia recolhido R$ 1,84 bilhão.

O avanço foi de 15,4% na comparação anual.

Cobrança federal acabou, mas imposto estadual continua

A revogação encerrou o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

O ICMS sobre importados, entretanto, segue sendo cobrado pelos estados. As alíquotas variam de 17% a 20%, conforme cada unidade federativa.

Na prática, consumidores ainda podem pagar tributos em compras feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

Como a taxa das blusinhas começou

A cobrança entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional.

Naquele momento, compras internacionais de até US$ 50 passaram a pagar 20% de imposto de importação.

Antes da mudança, empresas cadastradas no Programa Remessa Conforme tinham isenção federal nessa faixa de valor.

A taxação surgiu como resposta ao crescimento das compras digitais durante a pandemia.

Setores da indústria nacional também cobravam uma redução da diferença tributária entre produtos brasileiros e itens importados vendidos em plataformas online.

Consumidores criticaram o aumento nos preços

A medida provocou forte debate desde o início.

Muitos consumidores reprovaram a cobrança por encarecer produtos populares e reduzir a atratividade de plataformas internacionais.

Críticos também apontaram diferença de tratamento em relação a turistas que compram produtos durante viagens ao exterior.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmaram que o fim do imposto federal teve impacto imediato nos preços.

A mudança afetou diretamente compras internacionais feitas por consumidores brasileiros.

Indústria e varejo defenderam a manutenção da taxa

Representantes da indústria, do comércio e do varejo defenderam a permanência da cobrança.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, então ministro do Desenvolvimento, também apoiou o imposto como forma de proteger a indústria nacional de produtos de baixo valor.

Em manifesto, entidades do setor produtivo afirmaram que a medida reduzia a disparidade tributária entre plataformas estrangeiras e empresas brasileiras.

O documento também declarou que consumidores foram beneficiados.

Segundo o manifesto, os setores de têxteis, vestuário e calçados registraram inflação baixa dentro do IPCA desde julho de 1994, início do Plano Real.

Revogação não encerrou totalmente o debate

A revogação da taxa das blusinhas encerrou a cobrança federal sobre importações de até US$ 50.

O debate sobre compras internacionais, no entanto, continua.

Estados ainda cobram ICMS, mantendo parte do custo tributário sobre produtos importados de baixo valor.

A mudança aliviou a carga federal, mas não eliminou todos os impostos pagos pelo consumidor brasileiro nas compras internacionais.

Você acha que o fim da taxa das blusinhas realmente barateou as compras internacionais, mesmo com a cobrança do ICMS estadual?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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