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Tarifa de ônibus em São Paulo pressiona subsídio público com alta dos custos

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 17/12/2025 às 10:15
Alta dos custos operacionais e revisão contratual da SPTrans ampliam o subsídio público e colocam a tarifa de ônibus em debate para 2026.
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Alta dos custos operacionais e revisão contratual da SPTrans ampliam o subsídio público e colocam a tarifa de ônibus em debate para 2026.

A decisão sobre o valor da tarifa de ônibus em São Paulo para 2026 se tornou um dos principais desafios econômicos da atual gestão municipal.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) analisa o tema neste fim de ano, na capital paulista, diante do crescimento acelerado dos custos operacionais do sistema de transporte, que avançaram mais rápido do que a arrecadação tarifária.

O cenário, confirmado por dados da SPTrans, obriga a prefeitura a ampliar o subsídio público para manter o funcionamento da rede, enquanto a esperada revisão contratual com as empresas deve elevar ainda mais as despesas no próximo ano. 

Custos operacionais crescem acima da arrecadação da tarifa de ônibus 

Os números mais recentes da SPTrans mostram um descompasso entre despesas e receitas.

Entre janeiro e outubro deste ano, o custo total do sistema de ônibus aumentou R$ 492,7 milhões em comparação com o mesmo período de 2024. 

No mesmo intervalo, a arrecadação da tarifa de ônibus cresceu R$ 410,3 milhões.

Ainda assim, esse avanço não foi suficiente para cobrir o aumento das despesas, o que forçou a Prefeitura de São Paulo a repassar cerca de R$ 6 bilhões em subsídio público às empresas de transporte até outubro. 

Como resultado direto, o valor do subsídio aumentou em mais de R$ 81 milhões apenas por conta da diferença entre custos e arrecadação. 

Subsídio público atinge maior valor da história da capital 

Em 2025, o custo total do sistema de transporte coletivo já soma R$ 10,34 bilhões.

Por outro lado, a arrecadação tarifária ficou em torno de R$ 4,3 bilhões, reforçando a dependência do sistema em relação ao subsídio público

Os R$ 6 bilhões repassados até outubro representam o maior volume de recursos públicos já destinados ao setor na cidade, mesmo sem considerar os meses de novembro e dezembro.

Segundo dados oficiais, esse montante é R$ 106 milhões superior ao registrado no mesmo período do ano passado. 

Alta dos custos supera a inflação oficial 

Em termos percentuais, os custos operacionais do transporte cresceram cerca de 5% em dez meses. Esse índice supera a inflação acumulada de 3,92% até novembro, medida pelo IPCA, do IBGE. 

Em nota, a SPTrans afirma que a alta real foi de 5,96%, quase o dobro da inflação do período.

Ainda assim, a empresa considera que não houve uma “disparada nos custos”. 

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) reforçou que “a variação de 5,96% registrada entre 2024 e 2025 está dentro do previsto no contrato de concessão e, portanto, não representa nenhum descontrole financeiro”. 

Revisão contratual deve pressionar ainda mais o sistema em 2026 

Além do aumento anual dos custos, o Tribunal de Contas do Município (TCM) autorizou recentemente a revisão contratual dos contratos com as empresas de ônibus.

Essa revisão quadrienal deveria ter ocorrido em maio, mas foi adiada. 

As empresas alegam que o atraso gerou prejuízos superiores a R$ 1 bilhão.

A falta desse repasse foi apontada como um dos motivos para o não pagamento do 13º salário, situação que levou à paralisação dos motoristas no início de dezembro. 

Estudo da Fipe identificou desequilíbrio econômico-financeiro 

Para calcular o reequilíbrio previsto em contrato, a SMT contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por cerca de R$ 1,1 milhão.

O estudo concluiu que a Taxa Interna de Retorno (TIR) deveria ser de 9,88%, acima dos 9,1% atualmente praticados pela SPTrans

A TIR é um indicador que mede a rentabilidade da concessão, considerando custos e retorno financeiro.

Esse tipo de revisão é comum em sistemas de transporte ao redor do mundo e busca ajustar contratos ao longo do tempo. 

Impacto da revisão contratual no orçamento municipal 

Experiências recentes mostram o peso dessas correções.

Em 2023, o governo estadual precisou reconhecer perdas contratuais da ViaQuatro e da ViaMobilidade, totalizando mais de R$ 980 milhões a serem pagos até 2040. 

No caso dos ônibus da capital, a revisão contratual deve gerar novos custos já em 2026.

O orçamento enviado à Câmara prevê R$ 6,2 bilhões em subsídio público, mas não inclui os valores adicionais decorrentes dessa revisão. 

Tarifa de ônibus em 2026 segue indefinida 

tarifa de ônibus ficou congelada em R$ 4,40 durante a pandemia e foi reajustada apenas em janeiro de 2025, quando passou para R$ 5,00, uma alta de 13%. 

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a SPTrans apresentará, após o dia 20 de dezembro, os estudos técnicos que vão embasar a decisão sobre o valor da tarifa em 2026.

“Existe uma questão do equilíbrio”, afirmou o prefeito em entrevista. 

Especialistas criticam modelo baseado em subsídio público 

Para o professor Ciro Biderman, da FGV, o modelo atual não incentiva melhorias no serviço. “O gargalo está no próprio subsídio.

Segundo ele, a consequência é a perda de passageiros, atrasos frequentes e menor preocupação com a qualidade.

“Esse subsídio é muito perverso que acabou ficando em SP”, concluiu. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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