Cientistas registram tarântula dominada por fungo zumbi na Amazônia. Fenômeno raro revela a complexidade da biodiversidade brasileira.
Um fungo parasita capaz de transformar uma tarântula em um verdadeiro “zumbi” foi registrado por pesquisadores em plena Floresta Amazônica, perto de Manaus, confundindo curiosos e especialistas nas redes sociais.
O fenômeno foi capturado em vídeo por cientistas durante uma expedição de campo, mostrando o organismo dominando o corpo do animal e despertando comparações com o universo ficcional de zumbis, embora não represente risco para humanos.
Como o fungo age no hospedeiro?
Pesquisadores brasileiros e dinamarqueses identificaram uma tarântula gigantesca da espécie Theraphosa blondi coberta por um fungo do gênero Cordyceps, conhecido coloquialmente como fungo “zumbi” por sua capacidade de assumir o controle de seu hospedeiro e manipulá-lo de forma metabólica e comportamental.
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O registro foi feito durante atividades de campo do Tropical Mycology Field Course, um curso intensivo em micologia (estudo de fungos) realizado na Reserva Ducke, próxima a Manaus.
O fungo infiltra o corpo da tarântula por meio de esporos, aderindo ao exoesqueleto e entrando no organismo com uma combinação de processos mecânicos e enzimáticos.
Assim que está dentro do corpo, a estrutura parasita consome tecidos internos e interfere no sistema nervoso da aranha, levando a alterações comportamentais antes da morte do animal.
Esse processo lembra, em parte, mecanismos observados em outras espécies de fungos que manipulam seus hospedeiros, como o Ophiocordyceps unilateralis, famoso por transformar formigas em “formigas-zumbi” em florestas tropicais.
Após a morte da tarântula, o fungo cresce externamente e apresenta estruturas reprodutivas alaranjadas, que produzem esporos prontos para infectar novos organismos.
O pesquisador explica que o flagrante ocorreu quando o fungo já havia concluído praticamente todo o seu processo de parasitismo.
Nesse ponto, o organismo havia consumido por completo as estruturas internas da tarântula e passado a se desenvolver externamente, etapa que antecede sua multiplicação no ambiente por meio da produção de esporos.
“Os esporos vão ser liberados e vão infectar outras aranhas gigantes da Amazônia”, explica o pesquisador, no vídeo.
Por que o fenômeno é comparado a zumbis?
Apesar da aparência incomum e até perturbadora, os cientistas ressaltam que esse tipo de interação entre fungos e artrópodes faz parte da dinâmica natural de ecossistemas ricos em biodiversidade.
O que torna o caso excepcional não é o fenômeno em si, mas o fato de ele ter sido registrado de forma tão clara em uma espécie de grande porte.
Em um segundo vídeo, Drechsler-Santos amplia o significado da descoberta e destaca seu impacto para além da ciência. “Documentar essa riqueza nos nossos ecossistemas naturais representa um avanço científico, social e econômico, além de ser uma questão de soberania nacional”, explica.
Para o pesquisador, a raridade do achado ajuda a dimensionar o quanto ainda se conhece pouco sobre os fungos brasileiros e sua relação com o meio ambiente.
“Por isso, a minha emoção em encontrar uma espécie tão rara. Registrar a diversidade de fungos do Brasil é entender também o estado de conservação da nossa funga.”
A ideia de “zumbi” vem do fato de que o fungo assume o controle fisiológico do hospedeiro até a morte, um cenário frequentemente retratado na cultura pop — especialmente na série e videogame The Last of Us, em que um fungo mutante infecta humanos e os transforma em criaturas erráticas e violentas.
Na vida real, fungos parasitas reais não infectam seres humanos, e especialistas reforçam que o achado não representa risco para a população.
Importância ecológica e científica do achado
Os fungos desempenham um papel fundamental nos ecossistemas naturais, atuando no ciclo de nutrientes e como reguladores de populações de animais pequenos e insetos.
Para os pesquisadores, registrar um caso tão explícito de parasitismo em uma tarântula tão grande amplia o entendimento sobre a diversidade fúngica da Amazônia — região que abriga uma enorme variedade de espécies ainda pouco estudadas.
Esse tipo de descoberta também pode gerar insights sobre interações ecológicas complexas entre fungos e artrópodes, além de potencial interesse em pesquisas médicas e biotecnológicas, já que fungos produzem compostos bioativos usados, por exemplo, em antibióticos como a penicilina.
Embora a imagem de um fungo transformando uma tarântula em “zumbi” pareça algo saído de um filme, o fenômeno é um exemplo real de como certos fungos manipulam e exploram seus hospedeiros na natureza.
Especialistas destacam que, apesar da semelhança superficial com histórias de ficção, não há evidências de que esses fungos possam infectar humanos ou causar efeitos parecidos nos mamíferos.
Assim, a ocorrência serve como um alerta sobre a complexidade da vida natural e a importância de preservarmos habitats ricos em biodiversidade, como a Floresta Amazônica, onde ainda há muitos mistérios biológicos para serem descobertos.
Fonte: Revista Galileu

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