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Tanquã: a gigantesca área alagada criada por uma barragem no Tietê que virou “minipantanal” paulista, ficou maior que Paris e hoje atrai turistas com 435 espécies de animais e 361 espécies vegetais

Publicado em 11/05/2026 às 12:23
Atualizado em 11/05/2026 às 12:26
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Imagem: Ilustração artística
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Área alagada criada após barragem no Tietê reúne 435 espécies de animais, movimenta turismo de observação de aves e expõe impactos ambientais no interior paulista

Com 140,5 km² e 435 espécies de animais, o minipantanal paulista surgiu no interior de São Paulo após a barragem de Barra Bonita represar o Tietê e transformar o Tanquã em santuário ecológico.

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Área alagada criada por barragem

O Tanquã fica no interior paulista e se tornou conhecido como minipantanal paulista pela semelhança com o Pantanal. A paisagem reúne água, aves, peixes, canais, lagoas e áreas de várzea.

Diferente do Pantanal, o Tanquã não nasceu de forma natural. A área surgiu como resultado inesperado da construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, no Rio Tietê, em 1960.

O enchimento da barragem, em 1963, represou o Tietê e reduziu a velocidade das águas do rio Piracicaba. Esse processo formou a área alagada que deu origem ao Tanquã.

Minipantanal paulista reúne centenas de espécies

O local abriga 435 espécies de animais e 361 espécies vegetais. Entre os animais, o Plano de Manejo da APA catalogou 290 espécies de aves, 89 de peixes, 25 de anfíbios, 19 de mamíferos e 12 de répteis.

A Área de Proteção Ambiental do Tanquã foi reconhecida em 2018. Ela tem 140,5 km², tamanho equivalente a quase 20 mil campos de futebol padrão Fifa.

Cerca de 69% da APA é formada por corpos d’água. O território é 44% maior do que Vitória, no Espírito Santo, e 33% maior que Paris, na França.

A APA se estende por seis municípios paulistas: Anhembi, Botucatu, Dois Córregos, Piracicaba, Santa Maria da Serra e São Pedro. A área inclui trecho do rio Piracicaba, várzea, vegetação nativa e o reservatório de Barra Bonita.

Como o Tanquã se formou

No encontro entre o rio Piracicaba e as águas represadas do Tietê, ocorreu o fenômeno chamado remanso. Ele reduz a velocidade da água e favorece o acúmulo de sedimentos.

É como se a água do Piracicaba voltasse, já que a do Tietê está represada. Esse movimento formou uma grande área alagável, com lagoas, meandros e canais.

O professor Flávio Betin Gandara, da Esalq/USP, em Piracicaba, explica que a barragem de Barra Bonita teve impactos negativos, mas também produziu o efeito positivo do Tanquã.

Entre os pontos negativos, houve floresta alagada, redução de solos férteis e deslocamento de animais e moradores. Ainda assim, o surgimento do Tanquã não havia sido previsto na época.

Memória de quem viu a água chegar

Anísio Evangelista, de 95 anos, chegou ao Tanquã antes da área alagada existir. Ele trabalhou no corte das florestas para a construção da barragem e depois fixou moradia no local.

O aposentado lembra que a barragem foi chegando devagar. A água avançou aos poucos até transformar a paisagem que hoje sustenta pesca, turismo e biodiversididade.

O Tanquã funciona como berçário para peixes e também abriga famílias que vivem da pesca. Algumas vilas de pescadores ficam espalhadas por diferentes cidades dentro da região.

Turismo de aves movimenta a região

O minipantanal paulista atrai turistas do Brasil e de outros países interessados em ecoturismo e observação de aves. Visitantes da América do Norte estão entre os principais públicos dessa atividade.

O guia Demis Bucci, de 42 anos, trabalha com observação de aves há 15 anos. A escolha pelo Tanquã envolve proximidade com a capital paulista, semelhança com o Pantanal e espécies raras.

Entre as aves procuradas estão marrecos, patos, saracuras e sanãs-amarela. Para os observadores, algumas espécies são difíceis de encontrar em outros locais, mas aparecem com mais facilidade no Tanquã.

Barqueiros como Ivanildo Pereira, de 53 anos, vivem do ecoturismo e da pesca. Ele está na região há mais de duas décadas e reconhece de longe aves grandes e pequenas.

Ivanildo abastece o barco, entrega coletes aos turistas e conduz passeios que duram de uma a três horas. O período de agosto a fevereiro é o mais procurado por quem busca aves migratórias.

Mortandade de peixes atingiu moradores

A localização no estado mais industrial do país também trouxe pressão ao Tanquã. Em junho de 2024, um despejo irregular de resíduos industriais matou cerca de 253 mil peixes.

Uma usina de cana-de-açúcar foi apontada como responsável pelo dano ambiental. A mortandade atingiu diretamente moradores que dependem da pesca para manter a renda.

Na vila onde Ivanildo mora, no lado piracicabano, vivem cerca de 12 famílias. O número já foi maior, mas caiu ao longo dos anos e diminuiu mais após a morte dos peixes.

Desde 2025, o Ministério Público de São Paulo negocia com a Usina São José a reparação dos danos ambientais e indenização aos pescadores. As tratativas ainda não tiveram sucesso.

A companhia nega culpa direta e aponta problemas históricos de poluição na região. Mesmo assim, participa das conversas para converter penalidades em ações de recuperação.

Como visitar o Tanquã

O acesso pode ser feito por conta própria, mas guias e agências especializadas ajudam a aproveitar melhor lagoas, trilhas e área navegável. Passeios de barco são suspensos quando chove.

Embora parte do Tanquã esteja em Piracicaba, o local fica a uma hora de carro do centro da cidade. Há um bar na vila de pescadores, mas faltam estadias para turistas.

Demis Bucci afirma que profissionais costumam montar roteiros próprios, com deslocamento, passeios e até estadia em Anhembi, centro urbano mais próximo da vila. Assim, o minipantanal paulista une natureza, pesca e turismo.

Com informações de G1.

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Romário Pereira de Carvalho

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