Microsoft apresenta o chip quântico Majorana 2 com avanços em estabilidade e IA, acelerando a computação avançada rumo ao mercado.
A Microsoft anunciou durante a conferência Build 2026, realizada em São Francisco, o novo chip quântico Majorana 2. O lançamento representa um dos avanços mais relevantes da computação quântica nos últimos anos e reforça a aposta da empresa em uma arquitetura considerada mais resistente a falhas.
O novo processador opera com 12 qubits, contra os 8 qubits da geração anterior, e apresentou um salto expressivo em estabilidade. Segundo a companhia em publicação no dia 2 de junho, os qubits agora conseguem permanecer operacionais por mais de 20 segundos, um avanço significativo em comparação aos menos de 12 milissegundos registrados anteriormente.
Além da evolução do hardware, a Microsoft destacou o uso de inteligência artificial para acelerar pesquisas, desenvolvimento de materiais e processos científicos. A empresa acredita que esses avanços podem permitir a criação de um computador quântico comercialmente viável até 2029, reduzindo pela metade o cronograma previsto anteriormente.
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Microsoft revela o chip quântico Majorana 2 com maior estabilidade e muda seu cronograma para 2029
O anúncio do Majorana 2 não trouxe apenas melhorias técnicas. A Microsoft também surpreendeu o mercado ao revisar sua previsão para a chegada de sistemas quânticos comercialmente úteis.
Segundo Chetan Nayak, responsável pelo programa de hardware quântico da empresa, o progresso obtido nos últimos meses permitiu reduzir pela metade o cronograma originalmente estimado. Agora, a expectativa é alcançar um computador quântico funcional até 2029.
A mudança demonstra a confiança da companhia em sua abordagem baseada em qubits topológicos, uma estratégia diferente daquela adotada por concorrentes como Google e IBM.
O salto de 8 para 12 qubits veio acompanhado por uma evolução ainda mais importante
Embora o aumento de 8 para 12 qubits seja relevante, a Microsoft afirma que o principal avanço está relacionado à confiabilidade do sistema.
Os qubits do Majorana 2 permaneceram estáveis por mais de 20 segundos durante os testes divulgados pela empresa. No modelo anterior, esse tempo ficava abaixo de 12 milissegundos.
Para especialistas do setor, a estabilidade é um dos fatores mais importantes para transformar a computação quântica em uma tecnologia realmente utilizável fora dos laboratórios.
Entre as mudanças implementadas estão:
- Utilização de um supercondutor de chumbo;
- Alterações na arquitetura física do chip;
- Melhor controle dos estados quânticos;
- Aperfeiçoamento dos materiais semicondutores.
Microsoft revela o chip quântico Majorana 2 baseado em qubits topológicos
A estratégia da Microsoft continua centrada nos chamados qubits topológicos, considerados uma das abordagens mais promissoras da computação quântica.
Esses qubits recebem inspiração teórica nos trabalhos do físico italiano Ettore Majorana, que deu nome às quasipartículas exploradas pela empresa.
A principal vantagem dessa arquitetura está na possibilidade de reduzir naturalmente a incidência de erros. Esse problema é um dos maiores obstáculos enfrentados atualmente pela indústria quântica.
Enquanto qubits convencionais podem perder informações com facilidade devido a pequenas interferências externas, os qubits topológicos foram concebidos para oferecer uma proteção adicional contra esse tipo de falha.

Como a inteligência artificial participou do desenvolvimento do novo processador
Outro aspecto que chamou atenção durante o anúncio foi o papel desempenhado pela inteligência artificial.
De acordo com a Microsoft, tecnologias de IA agente passaram a integrar praticamente todas as etapas do desenvolvimento do Majorana 2, desde a pesquisa científica até a análise de materiais.
Segundo Nayak, a IA se tornou uma ferramenta natural dentro dos processos da equipe responsável pelo projeto.
As aplicações incluem:
- Simulações avançadas;
- Análise de grandes volumes de dados;
- Identificação de padrões em experimentos;
- Otimização de processos de fabricação;
- Aceleração de descobertas científicas.
Essa integração entre computação quântica e inteligência artificial é vista por muitos especialistas como uma das tendências tecnológicas mais importantes da década.
Supervisão da DARPA busca reforçar credibilidade do projeto
A Microsoft também destacou o acompanhamento realizado pela DARPA, agência de pesquisa avançada vinculada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Segundo Zulfi Alam, pesquisador da companhia, os dados técnicos do projeto vêm sendo compartilhados com a agência para avaliação contínua.
A estratégia ganhou importância após o lançamento da primeira geração do Majorana, que enfrentou questionamentos por parte da comunidade científica.
Nos últimos anos, alguns estudos relacionados à pesquisa quântica apoiada pela empresa foram alvo de revisões e críticas, aumentando a necessidade de validação externa.
A participação da DARPA busca justamente ampliar a confiança nos resultados obtidos.
O que diferencia o Majorana 2 dos projetos de Google e IBM
A corrida pela liderança da computação quântica está cada vez mais intensa.
Google, IBM, Amazon e outras gigantes do setor investem bilhões de dólares em pesquisas para superar as limitações atuais da tecnologia.
A diferença é que a Microsoft segue um caminho próprio baseado em qubits topológicos.
A empresa acredita que essa abordagem poderá oferecer:
- Menor taxa de erros;
- Maior estabilidade operacional;
- Escalabilidade mais eficiente;
- Menor necessidade de correções complexas;
- Sistemas mais robustos no longo prazo.
Caso a estratégia funcione como esperado, ela poderá representar uma vantagem competitiva significativa nos próximos anos.
Majorana 2 amplia expectativas para diversos setores
A computação quântica é considerada uma tecnologia estratégica porque pode resolver problemas extremamente complexos que estão além da capacidade dos computadores tradicionais.
Entre os setores que podem ser impactados estão:
- Medicina e descoberta de medicamentos;
- Finanças e modelagem de risco;
- Desenvolvimento de novos materiais;
- Pesquisa energética;
- Logística e transporte;
- Segurança digital;
- Criptografia avançada.
Por esse motivo, cada avanço relevante é acompanhado de perto por governos, universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia.
O passo que pode aproximar a computação quântica do mercado
O Majorana 2 surge como uma das iniciativas mais ambiciosas da Microsoft na área de computação quântica. O aumento para 12 qubits, a estabilidade superior a 20 segundos, a utilização de inteligência artificial e a supervisão da DARPA indicam que a empresa busca acelerar a transição dessa tecnologia para aplicações reais.
Ainda existem desafios técnicos importantes pela frente, mas o anúncio reforça que a corrida global pela computação quântica entrou em uma nova fase. Se a meta estabelecida para 2029 for alcançada, o Majorana 2 poderá se tornar um dos marcos mais importantes da evolução da computação nas próximas décadas.
Com informações de Microsoft

