Mudança adotada pelo Supermercados BH no Espírito Santo reduziu a rotatividade de funcionários e ampliou o debate sobre fechamento dominical no varejo, em meio à dificuldade de contratação no setor e ao avanço das discussões sobre escalas de trabalho no Brasil.
Pedro Lourenço de Oliveira, o Pedrinho BH, dono do Supermercados BH, passou a defender o fechamento de grandes redes aos domingos como estratégia para reduzir a rotatividade de funcionários e tornar o varejo alimentar mais atrativo para trabalhadores em um momento de dificuldade de contratação no setor.
A discussão ganhou força depois que as 44 unidades da rede no Espírito Santo deixaram de funcionar aos domingos, em 1º de março, após convenção coletiva estadual assinada no ano anterior.
Segundo o empresário, os primeiros efeitos da mudança apareceram rapidamente no ambiente de trabalho e nos indicadores internos da companhia.
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De acordo com a rede, a rotatividade de empregados caiu 10% após a adoção da folga dominical no estado.
Na avaliação de Pedrinho BH, o modelo também pode ajudar a enfrentar um problema recorrente do varejo alimentar: a dificuldade para contratar e manter trabalhadores em funções operacionais, especialmente em áreas que exigem presença física constante nas lojas.
“Minha luta aqui em Minas é trazer essa escala para cá. Meu sonho é que toda loja feche aos domingos, o que seria bom para todos”, disse o empresário à Folha de S.Paulo. Além disso, ele afirmou que a escala “poderia ser em definitivo”.
Fechamento de supermercados aos domingos entra no debate trabalhista
Enquanto o Congresso Nacional discute mudanças relacionadas à jornada de trabalho e à escala 6×1, o fechamento dominical dos supermercados começou a ganhar espaço também entre empresários e representantes do varejo.
Apesar de defender a folga fixa aos domingos, Pedrinho BH faz distinção entre esse modelo e propostas mais amplas de redução de jornada sem flexibilidade operacional.
Segundo o empresário, a necessidade de contratar mais funcionários para cobrir escalas poderia elevar custos e pressionar os preços repassados aos consumidores.
Nesse cenário, a dificuldade de contratação aparece como um dos principais argumentos usados pela rede supermercadista para defender alterações no funcionamento das lojas.
Atualmente, o Supermercados BH informa ter cerca de 4 mil vagas abertas, sem conseguir preencher todos os postos disponíveis em suas operações.
Funções como açougueiro, repositor e outros cargos de atendimento seguem fortemente dependentes de mão de obra presencial, o que mantém a gestão das escalas como um dos maiores desafios do setor.
Supermercados BH quer levar modelo para Minas Gerais
Embora o fechamento aos domingos esteja em vigor apenas no Espírito Santo, Pedrinho BH afirma que pretende defender a adoção do mesmo formato em Minas Gerais, principal mercado de atuação da empresa.
Ainda assim, qualquer mudança depende de negociação coletiva e de entendimento entre empresas e representantes sindicais.
No caso capixaba, a alteração foi viabilizada por meio de convenção coletiva estadual, mecanismo utilizado para estabelecer regras específicas entre trabalhadores e empregadores do setor.
Normalmente, esse tipo de acordo considera características regionais do mercado de trabalho, além das necessidades operacionais das empresas envolvidas.
Para representantes do varejo alimentar, o trabalho aos domingos passou a ser um dos principais obstáculos para atrair novos profissionais, sobretudo em funções que exigem esforço físico elevado e jornadas menos previsíveis.
Com isso, a folga fixa dominical começou a ser vista por parte do setor como um diferencial competitivo na tentativa de reduzir pedidos de demissão e melhorar a retenção de funcionários.
Mesmo assim, a adoção nacional de supermercados fechados aos domingos não depende apenas da decisão isolada de grandes redes varejistas.
Questões relacionadas à legislação trabalhista, concorrência regional, hábitos de consumo e acordos sindicais continuam influenciando diretamente esse tipo de decisão operacional.
Compra da DMA amplia presença do Supermercados BH
O debate sobre escalas de trabalho ocorre justamente no momento em que o Supermercados BH avança em mais uma etapa de expansão no varejo alimentar brasileiro.
Em 28 de abril de 2026, a companhia assinou acordo para comprar a DMA Distribuidora, responsável pelas bandeiras EPA e Mineirão Atacarejo.
Ainda depende de aprovação do Cade, porém, a operação pode formar um grupo com cerca de 600 lojas espalhadas por Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.
Hoje, o Supermercados BH já aparece como a quarta maior rede supermercadista do país em faturamento, ampliando sua relevância nas discussões envolvendo relações de trabalho e funcionamento das unidades.
Caso a integração seja concluída, a empresa deverá fortalecer ainda mais sua presença regional e aumentar participação no mercado nacional de supermercados.
Ao mesmo tempo, o crescimento da companhia amplia os impactos que mudanças operacionais podem provocar sobre funcionários, consumidores, fornecedores e concorrentes em diferentes estados.
Comércio de bairro e delivery reduzem impacto do fechamento
Na avaliação de representantes do setor, o fechamento de grandes supermercados aos domingos pode ter impacto menor atualmente do que teria em décadas anteriores.
Isso acontece porque padarias, mercados de bairro, lojas de conveniência e aplicativos de entrega passaram a ocupar parte importante do consumo realizado aos fins de semana.
Além disso, muitas famílias passaram a concentrar compras maiores durante os dias úteis ou aos sábados, deixando o domingo reservado para aquisições menores e situações emergenciais.
Comportamentos desse tipo reduziram a dependência das grandes redes abertas durante todo o fim de semana, alterando parte da dinâmica tradicional do varejo alimentar.
Por outro lado, consumidores que trabalham em horário comercial ainda podem enfrentar menos opções para realizar compras semanais caso supermercados deixem de funcionar aos domingos.
Esse ponto segue aparecendo nas discussões entre empresas, sindicatos e clientes durante os debates sobre mudanças nas escalas de funcionamento.
Segundo a rede, a experiência adotada no Espírito Santo continuará sendo usada como referência para futuras negociações em outros estados.
Nesse contexto, o resultado informado de queda de 10% na rotatividade reforça o argumento empresarial de que a folga dominical pode contribuir para melhorar a retenção de funcionários.
Apesar disso, o setor ainda aguarda novos dados para medir impactos relacionados a vendas, custos operacionais, geração de empregos e atendimento aos consumidores.
Até o momento, o caso do Espírito Santo segue funcionando como um teste regional de uma mudança que Pedrinho BH pretende defender em escala mais ampla dentro do varejo supermercadista brasileiro.

Porque ele não toma a iniciativa e feche as lojas se sua rede aos domingos independente de Lei?
Simples, porque ele quer obrigar a concorrência a fechar também.
Engraçado como o discurso contrasta com a realidade, o empresário fala que gostaria que a lei fosse aplicada, mas nao precisa da lei, pq ele nao tomou a decisão de fechar ais domingos antes por conta própria? Ridículo empresário vir com conversando fiada qdo na prática faz exatamente o contrário, o olho grande, a arrogância e a falta de empatia… sempre mostrando a verdadeira cara do empresário brasileiro!
Não só o BH fecha aos domingos. Foi fruto de acordo coletivo entre a Associação Capixaba de Supermercados (ACAPS) e Representantes dos empregados.
Nenhuma ação individual dele