Evidências fósseis analisadas a partir de 183 vértebras encontradas no estado de Falcón, na Venezuela, indicam que as sucuris já haviam atingido seu porte máximo há 12,4 milhões de anos e mantiveram dimensões estáveis, mesmo após mudanças climáticas que extinguiram outros répteis gigantes do Mioceno
Pesquisa liderada pela Universidade de Cambridge analisou 183 vértebras fósseis na Venezuela e concluiu que sucuris alcançaram seu porte máximo há 12,4 milhões de anos, mantendo tamanho estável até hoje, apesar de mudanças ambientais que eliminaram outros gigantes do Mioceno.
Evidências fósseis indicam estabilidade corporal ao longo de milhões de anos
Evidências fósseis da Venezuela mostram que as sucuris atingiram tamanho gigante há mais de 12 milhões de anos e permaneceram notavelmente consistentes desde então. O estudo conclui que o gigantismo surgiu cedo na história evolutiva do grupo e não foi seguido por expansão adicional.
Um grupo de pesquisa examinou fósseis de sucuris gigantes da América do Sul e determinou que essas serpentes atingiram o tamanho corporal máximo há cerca de 12,4 milhões de anos. As descobertas indicam manutenção do grande porte ao longo de toda a história evolutiva conhecida.
-
Um estudo propõe transformar a Lua numa espécie de centro de quarentena para amostras trazidas de Marte e de outros mundos, criando uma barreira estéril e isolada que filtraria qualquer organismo desconhecido antes de o material chegar à Terra e aos seus ecossistemas
-
Caderno de cera cai em latrina há 800 anos, sobrevive intacto na Alemanha e revela anotações em latim que podem expor a rotina de um comerciante medieval de alto status
-
Depois de mais de 11 anos orbitando Marte, a NASA declarou perdida a sonda MAVEN, que sumiu ao passar por trás do Planeta Vermelho em dezembro, começou a girar de forma anormal, esgotou as baterias e nunca mais respondeu aos controladores na Terra
-
China cria cápsula com inteligência artificial que escaneia o estômago em apenas 8 minutos e pode reduzir custos em até R$ 1.400, abrindo caminho para uma nova era dos diagnósticos gastrointestinais sem tubos, sedação e desconforto aos pacientes
Durante o intervalo entre 12,4 e 5,3 milhões de anos, chamado Mioceno Médio a Superior, muitos animais cresceram além de seus equivalentes modernos. Temperaturas globais mais elevadas, extensas áreas úmidas e abundância de alimentos contribuíram para esse padrão.
Apesar desse contexto, as sucuris não ultrapassaram o porte observado hoje. O registro fóssil analisado não indica crescimento adicional após o surgimento inicial do gigantismo, contrariando expectativas baseadas no clima mais quente do período.
Comparação com outros répteis gigantes do Mioceno
Outros répteis gigantes do Mioceno incluíam o jacaré-açu de 12 metros, Purusaurus, e a tartaruga-gigante-de-água-doce de 3,2 metros, Stupendemys. Essas espécies desapareceram posteriormente, diferentemente das sucuris do gênero Eunectes.
O estudo aponta que, enquanto esses grandes répteis foram extintos, as sucuris sobreviveram mantendo o tamanho gigante. Em vez de encolherem ou desaparecerem, persistiram com dimensões semelhantes às atuais ao longo de milhões de anos.
A permanência do gigantismo sugere elevada capacidade de resistência ambiental. A pesquisa associa a sobrevivência das sucuris à continuidade de habitats adequados e disponibilidade de presas ao longo do tempo geológico.
Medições de vértebras revelam o comprimento das cobras antigas
A equipe mediu 183 vértebras fossilizadas de sucuris, representando pelo menos 32 serpentes, descobertas no estado de Falcón, na Venezuela. As medições forneceram base quantitativa para estimar o comprimento corporal.
As sucuris possuem mais de 300 vértebras na coluna vertebral. Por isso, medições de vértebras fossilizadas individuais fornecem indicação confiável do comprimento total da cobra, mesmo quando o esqueleto completo não está preservado.
Atualmente, as sucuris estão entre as maiores serpentes do mundo. Elas geralmente atingem de quatro a cinco metros de comprimento, com raros indivíduos chegando a medir até sete metros.
Ao combinar as medidas dos fósseis de Falcón com registros de outros sítios sul-americanos, os cientistas concluíram que as sucuris antigas também mediam aproximadamente quatro a cinco metros, tamanho semelhante ao observado hoje, reforçndo a estabilidade corporal.
Publicação científica e abordagem metodológica
A pesquisa foi publicada em 1º de dezembro no Journal of Vertebrate Paleontology. O estudo utilizou análises métricas detalhadas e comparação com registros fósseis adicionais da América do Sul.
Para confirmar os resultados, o autor principal aplicou uma segunda abordagem chamada reconstrução do estado ancestral. A técnica utiliza uma árvore genealógica de serpentes relacionadas para estimar o comprimento corporal de ancestrais e espécies modernas.
A análise incluiu parentes como jiboias-arborícolas e jiboias-arco-íris. Os resultados mostraram que as primeiras sucuris já mediam de quatro a cinco metros quando surgiram durante o Mioceno, sem evidência de fases posteriores de crescimento.
Sobrevivência das sucuris frente a mudanças ambientais
Segundo Andrés Alfonso-Rojas, outras espécies gigantes foram extintas desde o Mioceno, provavelmente devido ao resfriamento das temperaturas globais e à redução de habitats. As sucuris gigantes, porém, sobreviveram e mantiveram o grande porte.
Ele afirmou que as sucuris desenvolveram grande porte corporal logo após surgirem na América do Sul tropical, há cerca de 12,4 milhões de anos. Desde então, o tamanho não mudou, conforme indicado pelas medições fósseis.
Atualmente, as sucuris vivem em pântanos, brejos e grandes sistemas fluviais como o Amazonas. Durante o Mioceno, o norte da América do Sul era semelhante à atual bacia amazônica, permitindo ocupação territorial mais ampla.
Embora a distribuição tenha se restringido ao longo do tempo, ainda existe habitat adequado e presas suficientes, incluindo peixes e capivaras, para sustentar o grande porte das sucuris modernas.
Expectativas contrariadas pelo registro fóssil
Antes desta pesquisa, cientistas presumiam que sucuris antigas teriam crescido mais do que as atuais, devido ao clima mais quente do Mioceno e à sensibilidade das serpentes à temperatura ambiental.
O estudo, porém, não encontrou evidência de sucuris com sete ou oito metros de comprimento nesse período. Mesmo com temperaturas globais mais altas, o tamanho corporal máximo permaneceu dentro do intervalo observado atualmente.
Esse resultado foi considerado surpreendente pelos pesquisadores, pois contradiz a expectativa de gigantismo progressivo associado a climas mais quentes. O registro fóssil analisado não sustenta essa hipótese.
Coleta de fósseis e contribuição institucional
Os fósseis utilizados no estudo foram coletados ao longo de várias temporadas de campo por colaboradores da Universidade de Zurique e do Museu Paleontológico de Urumaco, na Venezuela.
Antes desse trabalho, não havia material fóssil suficiente para determinar quando as sucuris se tornaram gigantes. A grande quantidade de vértebras analisadas permitiu estabelecer uma linha temporal clara para o início do gigantismo.
A pesquisa conclui que o gigantismo das sucuris é um traço antigo, estável e resistente a mudanças climáticas significativas, diferindo do destino de outros répteis gigantes do Mioceno que não sobreviveram às transformações ambientais.

-
-
-
-
-
-
58 pessoas reagiram a isso.