Cidade do Leão, submersa há 1.300 anos, surge intacta no fundo de um lago chinês com ruas, templos e portões preservados como uma cápsula do tempo subaquática.
A China abriga uma das descobertas arqueológicas subaquáticas mais surpreendentes do mundo: a Cidade do Leão, também chamada de Shi Cheng, um antigo centro urbano construído há mais de 1.300 anos, durante a Dinastia Han Oriental.
Enterrada não pelo tempo, mas pela água, a cidade foi completamente submersa nos anos 1950 após a construção da barragem que formou o Lago Qiandao, um reservatório artificial com mais de mil ilhas. O que os especialistas não imaginavam é que, décadas depois, a cidade estaria quase intacta sob cerca de 40 metros de profundidade, preservando templos, arcos, ruas pavimentadas e esculturas com detalhes impressionantes.
Hoje, Shi Cheng é considerada uma das cidades submersas mais bem preservadas do planeta — uma verdadeira cápsula do tempo que intriga arqueólogos e se tornou um tesouro para historiadores e mergulhadores profissionais.
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Uma metrópole milenar preservada pela água: templos, portões e arquitetura intacta
Ao contrário de outras ruínas antigas expostas ao clima, Shi Cheng ficou protegida da erosão. A água fria e calma do Lago Qiandao funcionou como um escudo natural, mantendo:
- estruturas de madeira fossilizadas,
- fachadas completas de pedra esculpida,
- ruas pavimentadas claramente visíveis,
- templos budistas e portões cerimoniais,
- inscrições em chinês tradicional ainda legíveis.
As câmeras subaquáticas que registraram Shi Cheng revelam cenas impressionantes:
portões monumentais decorados, escadarias inteiras, muros perfeitamente alinhados e até ornamentos arquitetônicos típicos da dinastia Ming, apesar de a cidade ter origens ainda mais antigas.
Não se trata apenas de ruínas: trata-se de uma cidade inteira congelada no tempo.
A construção da barragem que silenciou uma cidade e criou um mistério arqueológico
Nos anos 1950, o governo chinês iniciou a construção da Usina Hidrelétrica de Xin’an, que exigiu o alagamento de uma vasta área da província de Zhejiang. A antiga Shi Cheng, que já era considerada um importante centro regional, ficou totalmente submersa.
O que parecia ser o fim da cidade acabou se tornando sua salvação histórica. Sem exposição ao vento, chuva ou vandalismo, Shi Cheng permaneceu intocada e por muito tempo esquecida.
Somente em 2001, expedições de mergulho começaram a documentar o que estava escondido no fundo do lago. As imagens surpreenderam especialistas: os arcos cerimoniais ainda exibiam entalhes complexos, e as paredes permaneciam eretas, sugerindo um nível raro de conservação.
Por que a Cidade do Leão permaneceu tão preservada? A ciência tem uma resposta
Arqueólogos atribuem a preservação de Shi Cheng a três fatores principais:
Água fria e profunda
Os 40 metros de profundidade criam um ambiente com pouca luz e temperatura estável, impedindo:
- degradação por fungos,
- ação de micro-organismos,
- desintegração de materiais orgânicos.
Ausência de oxigênio suficiente para corroer estruturas
Em ambientes com baixa oxigenação, processos de deterioração são drasticamente reduzidos.
Proteção física contra erosão e saqueadores
Ao contrário de cidades arruinadas na superfície, Shi Cheng ficou protegida da ação humana. Essas condições transformaram a cidade em um laboratório arqueológico subaquático único.
Explorações revelam que a cidade é maior e mais complexa do que se imaginava
Mapeamentos recentes usando sonar e drones subaquáticos indicam que Shi Cheng possui:
- cinco grandes portões municipais,
- mais de uma dúzia de templos,
- quarteirões completos preservados,
- estruturas administrativas de época,
- ruas largas com orientação geométrica perfeita.
É tão bem preservada que mergulhadores afirmam ser possível “nadar por ruas inteiras intactas”, como se o tempo tivesse sido pausado no momento exato da inundação.
A nova fronteira do turismo arqueológico subaquático na China
Embora o acesso seja restrito para preservar as ruínas, a China passou a promover mergulhos controlados em Shi Cheng. As imagens divulgadas impressionam:
- fachadas com esculturas de dragões,
- símbolos imperiais,
- pilares cerimoniais de pedra,
- arcos ornamentados que lembram portões de cidades imperiais.
Shi Cheng ganhou o apelido de “Atlântida da China”, mas ao contrário do mito, esta é real e está excepcionalmente preservada.

