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Submarino russo de 174 metros ‘engole’ um mini-sub nuclear; ele foi convertido de lançador de mísseis soviético em plataforma de propósito especial com propulsão atômica, capaz de operar em grandes profundidades onde passam cabos de fibra óptica estratégicos no fundo do oceano

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 23/02/2026 às 18:15 Atualizado em 23/02/2026 às 18:18
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Submarino russo de 174 metros convertido em plataforma nuclear especial opera no fundo do mar e pode transportar mini-sub profundo.
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Submarino nuclear russo adaptado para operar no fundo do mar combina 174 metros de comprimento, propulsão atômica e capacidade de transportar submersíveis profundos. Plataforma convertida da era soviética atua como “submarino-mãe” em missões discretas ligadas a cabos submarinos e infraestrutura estratégica.

O submarino nuclear russo BS-64 Podmoskovye, com cerca de 174 metros de comprimento, aparece em análises de defesa como uma plataforma “de propósito especial” adaptada para transportar submersíveis menores e apoiar operações discretas no fundo do mar, longe de sensores de superfície.

Registros públicos indicam que o navio foi construído na era soviética como um submarino lançador de mísseis balísticos do projeto 667BDRM, conhecido no Ocidente como classe Delta IV, e anos depois passou por uma conversão extensa para outro perfil de emprego.

A modernização é descrita por especialistas como um processo que substituiu a seção associada aos mísseis por um compartimento especial, abrindo espaço para sistemas de acoplamento e estruturas internas voltadas a veículos submersíveis e a missões que não costumam ser detalhadas oficialmente.

Ainda que nem todas as características estejam disponíveis em documentos abertos, a lógica operacional dessa conversão é recorrente: usar um casco grande, com autonomia de propulsão nuclear, para alcançar áreas remotas e permanecer nelas por longos períodos sem depender de apoio frequente.

Como funciona o conceito de submarino-mãe

Submarino russo de 174 metros convertido em plataforma nuclear especial opera no fundo do mar e pode transportar mini-sub profundo.
Submarino russo de 174 metros convertido em plataforma nuclear especial opera no fundo do mar e pode transportar mini-sub profundo.

A expressão “engolir” um mini-sub, usada de forma figurada, remete ao papel de submarino-mãe, no qual a embarcação maior transporta um submersível acoplado e o leva até a área de interesse com mais discrição, alcance e proteção.

Nessa arquitetura, o veículo menor evita travessias longas por conta própria, reduz exposição durante deslocamentos e pode ser lançado mais perto do ponto de operação, enquanto a plataforma principal oferece suporte, abrigo técnico e uma base para recuperação.

O resultado é uma combinação incomum: um submarino de dimensões associadas à dissuasão estratégica, mas empregado como peça de bastidor para tarefas de alta complexidade, em um ambiente onde monitoramento permanente é difícil e a identificação de ações nem sempre é imediata.

Losharik e operações em grandes profundidades

Entre os nomes mais citados em análises abertas está o AS-12 Losharik, descrito como um submersível nuclear de operação profunda operado por uma diretoria russa voltada a pesquisa e missões no fundo do mar, com pouca divulgação pública de parâmetros exatos.

Submarino russo de 174 metros convertido em plataforma nuclear especial opera no fundo do mar e pode transportar mini-sub profundo.
Submarino russo de 174 metros convertido em plataforma nuclear especial opera no fundo do mar e pode transportar mini-sub profundo.

Analistas costumam destacar um elemento técnico atribuído ao projeto: a presença de módulos internos esféricos de titânio, uma solução mencionada como adequada para resistir à pressão em grandes profundidades, embora detalhes de desempenho permaneçam fora do alcance de fontes abertas.

A atenção fora dos círculos especializados aumentou após o incêndio de 1º de julho de 2019, quando autoridades russas informaram a morte de 14 tripulantes em um submersível descrito como de pesquisa, episódio amplamente coberto pela imprensa internacional.

Na cobertura do caso, diferentes veículos relataram que a embarcação envolvida era associada ao Losharik, enquanto o governo russo divulgou informações limitadas sobre a missão, reforçando a percepção de que há capacidades subaquáticas com grau elevado de sigilo.

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Cabos de fibra óptica e infraestrutura submarina estratégica

A relevância desse tipo de plataforma se conecta à infraestrutura submarina, especialmente aos cabos de fibra óptica, que formam a base física de grande parte do tráfego internacional de dados e sustentam serviços essenciais da economia digital contemporânea.

Embora existam trechos próximos à costa com mais possibilidades de proteção e reparo, análises sobre segurança marítima lembram que, em águas profundas, a escala do oceano e a dispersão dos ativos tornam a vigilância contínua mais custosa e tecnicamente limitada.

Nos últimos anos, governos e organizações internacionais passaram a tratar esse tema de forma mais explícita, com iniciativas voltadas à proteção de infraestrutura subaquática crítica e à coordenação com a indústria, diante do aumento de alertas e incidentes.

Em um cenário assim, a existência de submarinos de propósito especial é citada em estudos como elemento que amplia a capacidade de alcançar o leito oceânico, interagir com equipamentos, mapear áreas e executar tarefas que exigem precisão em profundidade.

Submarino russo de 174 metros convertido em plataforma nuclear especial opera no fundo do mar e pode transportar mini-sub profundo.
Submarino russo de 174 metros convertido em plataforma nuclear especial opera no fundo do mar e pode transportar mini-sub profundo.

Discrição estratégica no fundo do oceano

O Podmoskovye costuma aparecer em compilações e análises como um caso de reaproveitamento de um grande casco soviético, mantendo características de autonomia e alcance associadas à propulsão nuclear, mas direcionando o emprego para missões que privilegiam discrição e persistência.

Esse tipo de capacidade também chama atenção porque o ambiente submarino dificulta a atribuição imediata de responsabilidades, já que eventos em profundidade podem ser percebidos com atraso, investigados com limitações técnicas e, em alguns casos, permanecerem sem explicação pública.

Ainda assim, o debate público tende a crescer quando o assunto envolve infraestrutura civil, como telecomunicações, e quando autoridades apontam riscos de sabotagem ou de ações híbridas, especialmente em áreas de tráfego intenso e relevância econômica.

Sem recorrer a hipóteses sobre operações específicas, o que se pode afirmar com segurança é que a combinação de submarino-mãe e submersível profundo ilustra como o fundo do oceano deixou de ser apenas um espaço de pesquisa e passou a integrar preocupações de segurança.

Se uma embarcação de 174 metros pode levar um submersível a regiões onde cabos e sensores ficam expostos e distantes de qualquer patrulha constante, quais trechos do leito oceânico hoje são tratados como estratégicos sem que a maioria das pessoas sequer saiba onde ficam?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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