Submarino nuclear russo adaptado para operar no fundo do mar combina 174 metros de comprimento, propulsão atômica e capacidade de transportar submersíveis profundos. Plataforma convertida da era soviética atua como “submarino-mãe” em missões discretas ligadas a cabos submarinos e infraestrutura estratégica.
O submarino nuclear russo BS-64 Podmoskovye, com cerca de 174 metros de comprimento, aparece em análises de defesa como uma plataforma “de propósito especial” adaptada para transportar submersíveis menores e apoiar operações discretas no fundo do mar, longe de sensores de superfície.
Registros públicos indicam que o navio foi construído na era soviética como um submarino lançador de mísseis balísticos do projeto 667BDRM, conhecido no Ocidente como classe Delta IV, e anos depois passou por uma conversão extensa para outro perfil de emprego.
A modernização é descrita por especialistas como um processo que substituiu a seção associada aos mísseis por um compartimento especial, abrindo espaço para sistemas de acoplamento e estruturas internas voltadas a veículos submersíveis e a missões que não costumam ser detalhadas oficialmente.
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Ainda que nem todas as características estejam disponíveis em documentos abertos, a lógica operacional dessa conversão é recorrente: usar um casco grande, com autonomia de propulsão nuclear, para alcançar áreas remotas e permanecer nelas por longos períodos sem depender de apoio frequente.
Como funciona o conceito de submarino-mãe

A expressão “engolir” um mini-sub, usada de forma figurada, remete ao papel de submarino-mãe, no qual a embarcação maior transporta um submersível acoplado e o leva até a área de interesse com mais discrição, alcance e proteção.
Nessa arquitetura, o veículo menor evita travessias longas por conta própria, reduz exposição durante deslocamentos e pode ser lançado mais perto do ponto de operação, enquanto a plataforma principal oferece suporte, abrigo técnico e uma base para recuperação.
O resultado é uma combinação incomum: um submarino de dimensões associadas à dissuasão estratégica, mas empregado como peça de bastidor para tarefas de alta complexidade, em um ambiente onde monitoramento permanente é difícil e a identificação de ações nem sempre é imediata.
Losharik e operações em grandes profundidades
Entre os nomes mais citados em análises abertas está o AS-12 Losharik, descrito como um submersível nuclear de operação profunda operado por uma diretoria russa voltada a pesquisa e missões no fundo do mar, com pouca divulgação pública de parâmetros exatos.

Analistas costumam destacar um elemento técnico atribuído ao projeto: a presença de módulos internos esféricos de titânio, uma solução mencionada como adequada para resistir à pressão em grandes profundidades, embora detalhes de desempenho permaneçam fora do alcance de fontes abertas.
A atenção fora dos círculos especializados aumentou após o incêndio de 1º de julho de 2019, quando autoridades russas informaram a morte de 14 tripulantes em um submersível descrito como de pesquisa, episódio amplamente coberto pela imprensa internacional.
Na cobertura do caso, diferentes veículos relataram que a embarcação envolvida era associada ao Losharik, enquanto o governo russo divulgou informações limitadas sobre a missão, reforçando a percepção de que há capacidades subaquáticas com grau elevado de sigilo.
Cabos de fibra óptica e infraestrutura submarina estratégica
A relevância desse tipo de plataforma se conecta à infraestrutura submarina, especialmente aos cabos de fibra óptica, que formam a base física de grande parte do tráfego internacional de dados e sustentam serviços essenciais da economia digital contemporânea.
Embora existam trechos próximos à costa com mais possibilidades de proteção e reparo, análises sobre segurança marítima lembram que, em águas profundas, a escala do oceano e a dispersão dos ativos tornam a vigilância contínua mais custosa e tecnicamente limitada.
Nos últimos anos, governos e organizações internacionais passaram a tratar esse tema de forma mais explícita, com iniciativas voltadas à proteção de infraestrutura subaquática crítica e à coordenação com a indústria, diante do aumento de alertas e incidentes.
Em um cenário assim, a existência de submarinos de propósito especial é citada em estudos como elemento que amplia a capacidade de alcançar o leito oceânico, interagir com equipamentos, mapear áreas e executar tarefas que exigem precisão em profundidade.

Discrição estratégica no fundo do oceano
O Podmoskovye costuma aparecer em compilações e análises como um caso de reaproveitamento de um grande casco soviético, mantendo características de autonomia e alcance associadas à propulsão nuclear, mas direcionando o emprego para missões que privilegiam discrição e persistência.
Esse tipo de capacidade também chama atenção porque o ambiente submarino dificulta a atribuição imediata de responsabilidades, já que eventos em profundidade podem ser percebidos com atraso, investigados com limitações técnicas e, em alguns casos, permanecerem sem explicação pública.
Ainda assim, o debate público tende a crescer quando o assunto envolve infraestrutura civil, como telecomunicações, e quando autoridades apontam riscos de sabotagem ou de ações híbridas, especialmente em áreas de tráfego intenso e relevância econômica.
Sem recorrer a hipóteses sobre operações específicas, o que se pode afirmar com segurança é que a combinação de submarino-mãe e submersível profundo ilustra como o fundo do oceano deixou de ser apenas um espaço de pesquisa e passou a integrar preocupações de segurança.
Se uma embarcação de 174 metros pode levar um submersível a regiões onde cabos e sensores ficam expostos e distantes de qualquer patrulha constante, quais trechos do leito oceânico hoje são tratados como estratégicos sem que a maioria das pessoas sequer saiba onde ficam?

