Criado pela BotBot, startup paulistana fundada em janeiro de 2025, o cérebro artificial chamado BotBrain foi apresentado ao g1 na São Paulo Innovation Week, em maio de 2026. O aluguel custa US$ 1 mil por mês, cerca de R$ 5 mil, sem o robô, vendido à parte.
Uma startup brasileira criou um cérebro artificial que promete deixar robôs mais inteligentes para o trabalho em empresas. Batizado de BotBrain, o dispositivo se acopla a robôs e busca fazer com que eles enxerguem o ambiente ao redor, em tarefas como rondas de segurança, inspeções e monitoramento de áreas de risco. Segundo o g1, que conheceu o projeto durante a São Paulo Innovation Week, em maio de 2026, a tecnologia é da BotBot, startup fundada em janeiro de 2025 na capital paulista.
A proposta é que os robôs deixem de apenas repetir movimentos programados e passem a interpretar informações do que está à sua volta. De acordo com Danielle Santos, chefe de projetos da BotBot, é o uso de inteligência artificial que, nas palavras dela, é “o que realmente deixa o robô mais útil e funcional”. Por enquanto, a tecnologia é voltada para empresas, mas a companhia diz que o caminho pode levar, no futuro, a robôs mais espertos dentro de casa.
O que é o cérebro artificial BotBrain

O cérebro artificial criado pela BotBot é um dispositivo roxo, chamado BotBrain, que fica acoplado ao robô. Segundo Danielle Santos, a tecnologia é compatível com robôs bípedes, os humanoides, com modelos quadrúpedes, no estilo cachorrinho, e com robôs que andam sobre rodinhas. O aparelho reúne câmeras, sensores e caixas de som, e funciona integrado a um software no computador.
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Na prática, um operador humano pode monitorar, configurar e definir as ações do robô que recebe o cérebro artificial. De acordo com a empresa, em alguns robôs o módulo físico é instalado diretamente, mas há fabricantes que não permitem esse tipo de adaptação. Nesses casos, apenas o software do BotBrain é transferido para a máquina, sem a peça roxa.
Para que serve, segundo a empresa
A aposta da BotBot é dar utilidade prática a robôs que hoje fazem pouco mais do que se movimentar. Segundo Danielle Santos, o cérebro artificial permite usar os robôs em rondas patrimoniais, inspeções de segurança e monitoramento de áreas de risco. A ideia, ainda segundo a empresa, é que a máquina circule pelo ambiente para checar, por exemplo, se funcionários usam capacete, ou para detectar vazamentos de gás e princípios de incêndio, algo que robôs comuns não fazem.
O sistema também é apresentado como capaz de tomar decisões a partir de regras definidas antes. A empresa dá como exemplo um robô que mapeia um ambiente com cinco portas que devem permanecer fechadas e, ao encontrar uma aberta durante a ronda, envia um alerta para a central de segurança. Segundo a BotBot, a tecnologia ainda poderia monitorar estruturas como pontes e barragens, com o robô inspecionando e repassando as informações a um humano.
Quanto custa e em que pé está o projeto
Por enquanto, ter um cérebro artificial desses não é barato. Segundo a reportagem, o aluguel do sistema custa US$ 1 mil por mês, cerca de R$ 5 mil, e não inclui o robô, vendido à parte por outros fabricantes. De acordo com Danielle Santos, o preço ainda é alto porque a tecnologia é nova, e os clientes recebem atualizações sempre que o produto melhora.
A BotBot ainda é uma empresa pequena e em busca de crescimento. De acordo com o g1, a startup tem nove funcionários e mantém escritórios em São Paulo e em Portugal. A companhia procura novos investimentos para expandir o negócio e afirma já ter despertado o interesse de empresas do exterior, embora o projeto ainda esteja em estágio inicial.
Uma corrida global por robôs mais inteligentes
A ideia de um cérebro artificial para robôs não é exclusiva da BotBot. Segundo o g1, outras empresas também trabalham para deixar as máquinas mais inteligentes com inteligência artificial. É o caso da Skild AI, fundada em 2023, cujo sistema, de acordo com a Nvidia, parceira da empresa, já teria executado tarefas simples em testes, como limpar uma mesa e guardar um fone de ouvido na própria caixa.
Gigantes do setor também entraram nessa disputa. De acordo com a reportagem, em janeiro de 2026 a Boston Dynamics, uma das maiores fabricantes de robôs do mundo, anunciou uma parceria com o Google DeepMind para tornar humanoides mais inteligentes, com foco em tarefas industriais, a começar pela indústria automotiva. Em entrevista ao g1, em fevereiro de 2026, Marcio Aguiar, diretor da Nvidia para a América Latina, afirmou que o mercado já olha para o “Physical AI”, a integração entre inteligência artificial e sistemas físicos como os robôs.
O cérebro artificial da BotBot mostra que o Brasil também tenta entrar na corrida para tornar robôs mais úteis no dia a dia. A proposta é interessante, sobretudo para tarefas de segurança e inspeção em empresas, e até para monitorar estruturas como pontes e barragens, mas ainda esbarra no preço alto, no estágio inicial do projeto e na concorrência de gigantes globais. O futuro dirá se o BotBrain vai dos eventos de inovação para o uso amplo no mercado.
E você, gostaria de ver robôs com esse tipo de cérebro artificial trabalhando em empresas, ou até dentro de casa? Comente sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o avanço dos robôs inteligentes.

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