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O relógio brasileiro que a NASA escolheu para o pulso dos quatro astronautas da Artemis II ao redor da Lua — e a empresa que ganhou da concorrência mundial fica em São Paulo

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 08/05/2026 às 07:30 Atualizado em 08/05/2026 às 07:32
Relógio brasileiro Artemis II no pulso de astronauta a caminho da Lua
O relógio brasileiro Artemis II monitora sono e ritmo circadiano dos astronautas. Imagem ilustrativa.
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Os quatro astronautas da missão Artemis II, lançada pela NASA em 1º de abril de 2026 para a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de meio século, levaram no pulso um actígrafo desenvolvido no Brasil. Conforme reportagem da Revista Pesquisa Fapesp, é a primeira vez que tecnologia brasileira viaja ao espaço profundo.

O dispositivo se parece com um relógio de pulso comum. Apesar disso, registra continuamente movimento corporal, atividade física, exposição à luz e temperatura. Esses dados ajudam a NASA a entender como o organismo humano se comporta em ambientes extremos.

Quem desenvolveu a tecnologia foi a startup paulista Condor Instruments. A coordenação científica é do professor Mario Pedrazzoli, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. O projeto é fruto de duas décadas de pesquisa em ritmo circadiano.

Como o relógio brasileiro Artemis II monitora os astronautas

O equipamento mede luz melanópica — o espectro azulado emitido por telas e dispositivos eletrônicos. Esse comprimento de onda interfere diretamente na produção de melatonina e na qualidade do sono. Em uma cápsula apertada como a Orion, controlar a luz é controlar o descanso.

Além disso, o aparelho registra temperatura corporal e tem um botão de evento. Os astronautas pressionam esse botão em momentos específicos da missão. Isso permite cruzar os registros biológicos com tarefas operacionais e identificar padrões de fadiga.

Conforme a EACH-USP, o ritmo circadiano regula sono, temperatura, metabolismo e produção hormonal. Um astronauta com ritmo desregulado é um astronauta com risco operacional. Por isso, monitorar essa variável vira prioridade em missões longas.

Como uma startup de São Paulo ganhou da concorrência mundial

Em 2023, a NASA abriu uma chamada internacional para selecionar tecnologias capazes de monitorar o ritmo circadiano dos astronautas. Vários fabricantes globais se candidataram. No fim do processo, o actígrafo brasileiro foi escolhido entre os concorrentes.

A Condor Instruments tem sede em São Paulo. A empresa nasceu como spin-off de pesquisas acadêmicas e cresceu vendendo seu equipamento para hospitais, laboratórios de sono e centros de pesquisa em mais de 20 países. Apesar disso, o contrato com a NASA é o salto mais visível.

Cápsula Orion da Artemis II com relógio brasileiro a bordo
A cápsula Orion levou o relógio brasileiro Artemis II em órbita lunar tripulada. Imagem ilustrativa.

A escolha veio depois de comparações técnicas com dispositivos de centros de pesquisa norte-americanos e europeus. O diferencial foi a sensibilidade do sensor de luz melanópica. Segundo a equipe brasileira, é o detalhe que separa um relógio comum de um instrumento clínico.

Por que medir sono na Lua importa para o petróleo e gás

O Brasil já investe em tecnologia para monitorar trabalhadores em ambientes extremos há décadas. Plataformas offshore da Petrobras operam em ciclos 14×14 e 28×28, com turnos noturnos sob iluminação artificial. O ritmo circadiano da equipe importa para segurança e produtividade.

O mesmo tipo de sensor que está no pulso dos astronautas pode chegar à indústria de óleo e gás. De fato, a Condor Instruments já vende equipamentos para programas de saúde ocupacional em empresas de energia. A diferença para a Lua é apenas a escala da viagem.

Conforme a CNN Brasil, o reconhecimento da NASA tende a abrir mercado para empresas brasileiras de instrumentação científica. É um efeito direto sobre a balança comercial de bens de alta tecnologia.

O detalhe da Orion que poucos brasileiros notaram

A cápsula Orion levou os quatro astronautas da Artemis II ao redor da Lua em uma trajetória de retorno livre. Eles não pousaram. Apesar disso, a missão é o passo final antes da Artemis III, que pousará tripulação na superfície lunar.

Durante todo o voo, os relógios brasileiros gravaram dados em silêncio. Os arquivos voltaram à Terra para análise pela equipe da NASA e da USP. Vão ajudar a desenhar protocolos de sono para a missão de pouso seguinte.

Em última análise, o relógio brasileiro Artemis II é um sensor pequeno em um voo enorme. No entanto, é o primeiro instrumento científico nacional em uma missão tripulada de espaço profundo. A próxima fronteira é Marte, e a Condor Instruments quer estar nela também.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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