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Sítio escondido em Candeias, Minas Gerais, vira paraíso com roda d’água, móveis de madeira reaproveitada, jardim de orquídeas e artesão que garante viver 80% melhor na roça que na cidade

Escrito por Carla Teles
Publicado em 02/03/2026 às 22:28
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No interior de Minas, sítio em Candeias mostra vida na roça com madeira reaproveitada, jardim de orquídeas e um sítio cheio de criatividade. Imagem: A Vida Rural
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No interior de Minas Gerais, sítio em Candeias mostra uma vida na roça com madeira reaproveitada, jardim de orquídeas e qualidade de vida muito acima da cidade

No sítio Voz do Votão, em Candeias, Minas Gerais, o artesão Elso transformou cinco alqueires em um cenário de paz com roda d’água, catavento, pomar carregado, tanque de peixes e um jardim de orquídeas apoiadas em raízes que iriam para a fogueira. Em vez de concreto e barulho de trânsito, a rotina por ali é feita de madeira reaproveitada, água correndo e tempo para sentar no banco debaixo das árvores.

Para muita gente, é “apenas” um sítio pequeno no interior. Para o dono, é um projeto de vida pensado para a família inteira, batizado em homenagem aos pais e preparado com carinho para os filhos e netos herdarem no futuro. Ele garante que a qualidade de vida no sítio é 80% melhor do que na cidade, com menos problema e muito mais sentido no dia a dia.

Um sítio pequeno que virou paraíso de família

O sítio Voz do Votão fica em Candeias, no interior de Minas Gerais, com cerca de cinco alqueires divididos em pasto, pomar, represa, terreiro de café e área de lazer.

Elso gosta de brincar que o lugar é pequeno, mas basta caminhar alguns minutos para perceber o contrário.

São cerca de 15 cabeças de gado cruzado espalhadas pelos piquetes, porco só para o gasto, galinhas ciscando por perto, tanque com tilápia e surubim, pomar com lichia, acerola, maçã, pera e pitanga. Ele diz rindo que “finge ser fazendeiro”, porque tem um pouco de tudo em um sítio compacto, mas totalmente aproveitado.

O nome Voz do Votão não veio por acaso. Elso batizou o sítio em homenagem aos pais, pensando nos filhos e netos.

Assim, quando eles herdarem a propriedade, o nome já estará ligado aos avós para sempre, sem precisar mudar. Os filhos gostam do sítio, a filha vai com frequência e o neto corre solto pelo parquinho e pelas trilhas.

Sítio com roda d’água, catavento e tanque de peixes

Logo na parte baixa do sítio, uma roda d’água chama a atenção. Não é apenas enfeite: a roda foi projetada e construída pelo próprio Elso para bombear água da cisterna até o tanque de peixes.

O fabricante da bomba chegou a dizer que não funcionaria. Elso não acreditou, montou o sistema do jeito dele e provou o contrário.

A roda puxa a água, forma uma pequena cascata e alimenta o tanque onde vivem tilápias e um surubim de cerca de 5 kg, usado para “controlar a bagunça” da reprodução dos peixes menores.

Perto dali, um catavento completa o cenário. Ele também bombeia água de uma cisterna para o tanque, garantindo abastecimento mesmo em dias de calor. A água corre, cai em pequenas fontes, decanta e volta limpa para o tanque, num ciclo simples e eficiente que mantém o sítio sempre vivo.

Além disso, há poço, caixas d’água e cisternas espalhadas pelo terreno. O sítio foi pensado para aproveitar cada gota, tanto para consumo quanto para irrigação e criação.

Curral, terreiro de café e pasto limpo no sítio

O sítio tem um curral pequeno, mas bem montado, pensado para as 15 cabeças que a propriedade comporta. Elso fala que o gado dele quase põe o rabo no vizinho de tão cercado por fazendas maiores, com rebanhos de 700 cabeças de cada lado.

O terreiro de café, em piso limpo e organizado, recebe a colheita para secagem ao sol. Nos piquetes, o pasto impressiona pela limpeza: quase nada de lixo, pouca sujeira, cercas bem cuidadas. Ele admite que às vezes a chuva atrapalha a roçada, mas deixa claro que tenta manter o sítio sempre em ordem, do curral à porteira.

Entre uma visita ao curral e outra ao terreiro, é comum parar debaixo de um ipê amarelo cercado, de mudas novas protegidas e de raízes deixadas estrategicamente no chão, esperando virar banco, suporte ou peça de jardim. Nada é jogado fora sem antes ser observado com atenção.

Jardim de orquídeas e raízes reaproveitadas

Um dos pontos mais marcantes do sítio é o jardim de orquídeas montado com raízes, troncos e pedaços de madeira que iriam para a queima. Muitas dessas peças vieram de vizinhos que iam colocar fogo em raízes e tocos considerados “inúteis”.

Elso foi recolhendo tudo e transformando em suporte. Quase todas as madeiras do jardim abrigam orquídeas ou rosas-do-deserto, que crescem agarradas às raízes como se sempre tivessem feito parte delas.

Há coxos antigos de fazenda usados como floreiras, raízes inteiras cortadas e lixadas para virar porta-vasos, troncos adaptados como bases de bancos e totens cheios de orquídeas coloridas. Em muitos casos, ele usa bolachas de sucupira como apoio para vasos, aproveitando a textura da madeira rústica.

Perto da casa, uma fonte comprada em Tiradentes, namorada por três anos até finalmente ser levada para o sítio, se integra ao cenário. O som da água correndo combina com as flores, com a bicicleta antiga Monark usada como peça de decoração e com o gramado que emoldura o jardim.

A regra é simples: não queimar madeira boa. Se pode virar paisagismo, vira. Se pode virar banco, mesa ou suporte, ganha uma segunda vida no sítio.

Móveis rústicos de madeira reaproveitada no sítio

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Do lado de fora da casa, o sítio exibe móveis que dão cara de cenário de filme rural. Vários bancos e mesas foram feitos pelo próprio Elso, sempre com madeira reaproveitada e peças antigas de carro de boi.

Um dos bancos mais marcantes é montado com duas cangas originais, correntes de tração e um pranchão de pequizeiro.

Nos pés, troncos de sucupira sustentam tudo com folga. O resultado é um banco pesado, rústico e confortável, que carrega história em cada desgaste da madeira.

Outro xodó é a mesa para café da manhã, com tampo em bolacha de sucupira, pés metálicos mandados fazer sob medida e bancos combinando.

Ele quase sempre consegue a madeira de amigos vizinhos, que doam pranchas e troncos que seriam descartados, enquanto as ferragens são encomendadas para encaixar na ideia original.

Dentro de casa, as réguas quebradas do curral viram moldura de quadro, lareira a álcool rústica e detalhes de acabamento em móveis gourmet. Tudo é feito em ritmo de hobby, no tempo livre, mas com olhar de marceneiro artesão.

Como se não bastasse, o parquinho do neto e do filho do caseiro também foi construído com madeira tratada de eucalipto. Escorregador de fibra, estrutura robusta, balanços e escadas fazem parte do espaço infantil, que termina com risadas, bumbum molhado de piscina e escorregador quente de sol.

Um sítio com paisagismo e história em cada canto

Pelos caminhos do sítio, aparecem detalhes que mostram o cuidado com o visual e a memória. Na frente da casa, uma canga de carro de boi antiga virou peça central de decoração. No telhado, um pequeno carro de boi em miniatura foi colocado perto de um barril de pinga.

Relógios antigos, leme de navio, peças retrô e objetos garimpados completam o cenário e dialogam com os bancos rústicos, o gramado aparado e a vista para o lago. Cada canto parece pensado para sentar, olhar a paisagem e deixar o tempo passar mais devagar.

A piscina, o pergolado com vista para a represa, a escada feita com dormentes de trilho de trem e as raízes espalhadas pelo gramado fecham o conjunto. Não é um sítio de luxo, e sim um sítio cheio de significado, onde cada escolha conversa com a história da roça e com o desejo de preservar o ambiente.

Vida na roça 80% melhor que na cidade

Elso vive de forma definitiva no sítio há sete anos. Ele conta que, quando era jovem, não gostava de roça e só foi pegar gosto depois de mais velho. Hoje, diz que vai à cidade e fica louco para voltar para casa.

Na avaliação dele, a qualidade de vida na roça é 80% melhor do que na cidade. Os problemas existem, mas são pequenos perto do que se ganha em tranquilidade, contato com a natureza e autonomia.

Poder tirar comida do próprio quintal, ver o gado no pasto, colher fruta no pé e sentar em um banco que ele mesmo construiu tem um peso difícil de medir.

Para ele, o maior luxo é poder acordar, olhar para o sítio inteiro, ver que tudo ali foi cuidado por suas mãos e saber que está preparando um lugar para filhos e netos continuarem essa história.

No fim das contas, o sítio Voz do Votão não é só um pedaço de terra, mas um resumo de tudo o que ele valoriza: família, trabalho manual, respeito ao meio ambiente e um estilo de vida simples, mas cheio de propósito.

E você, trocaria a vida da cidade por um sítio assim, com roda d’água, madeira reaproveitada e jardim de orquídeas em Candeias, Minas Gerais?

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Zandher
Zandher
10/04/2026 10:39

A natureza é divina, sem ela não haveria vida, parecem p/pensar na verdade o planeta terra é uma imensa terra é, que Homem com sua inteligência que Deus lhe concedeu, vivemos no Mundo atual, más nós Homens sempre queremos nos destacar no meio da multidão.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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