Pedidos de reparo de EVs sobem 14% nos EUA e 24% no Canadá em 2025, mais calibrações e peças OEM pressionam prêmios, diz a Mitchell.
Os sinistros envolvendo carros elétricos avançaram com força em 2025 e acenderam o alerta nas seguradoras. De acordo com a Mitchell, os pedidos de reparo por colisão com EVs cresceram 14% nos Estados Unidos e 24% no Canadá, pressionando custos e prazos em toda a cadeia de reparação.
O movimento ocorre no exato momento em que o mercado de EVs desacelera. Estimativas da Cox Automotive apontam queda de cerca de 2% nas vendas de novos elétricos nos EUA, enquanto a S&P Global Mobility registrou recuo de 0,4% nas novas matrículas, em um cenário de fim de incentivos e migração de parte dos consumidores para híbridos.
Segundo Ryan Mandell, executivo da Mitchell, arquiteturas elétricas mais densas, sistemas guiados por software e projetos repletos de sensores exigem diagnósticos e calibrações adicionais, elevando a complexidade e o tempo de conserto. Em 2025, os EVs tiveram, em média, 1,70 calibração por orçamento, ante 1,63 nos híbridos e 1,54 nos veículos a combustão.
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Calibração, nesse contexto, é o processo de reajustar e testar sensores e sistemas eletrônicos do veículo após um reparo. Esse passo extra ajuda a garantir a segurança e o funcionamento adequado dos assistentes de condução, mas adiciona mão de obra, equipamentos e burocracia na oficina.
Custo de reparo, peças originais e efeito na oficina
Há um alívio limitado no meio da pressão. Nos EUA, o custo médio de reparo de EVs caiu 5% em 2025, de cerca de R$ 35 mil para aproximadamente R$ 33,5 mil, de acordo com a Mitchell. No Canadá, a redução foi de 2%, enquanto os veículos a combustão e os híbridos plug-in ficaram praticamente estáveis nos EUA, e os híbridos leves subiram para algo em torno de R$ 26,5 mil.
Outro vetor de custo está nas peças. Nos elétricos, 86% do gasto com componentes fica com itens originais de fábrica, e apenas 13% são considerados reparáveis. Nos carros a combustão, a relação é mais favorável, com 62% de peças originais e 15% reparáveis, segundo o relatório Plugged-In, EV Collision Insights da Mitchell.
Na prática, mais peças originais significam preços mais altos, menor disponibilidade e prazos maiores. Some-se a isso a necessidade de softwares proprietários, equipamentos específicos e técnicos treinados, e a conta do sinistro tende a ficar mais salgada.
Sinistros por tipo de motorização e onde mais acontecem
Os sinistros reparáveis também cresceram entre eletrificados além dos puros elétricos. Os híbridos plug-in avançaram 6% nos EUA e 26% no Canadá, enquanto os híbridos leves subiram 20% e 29%, respectivamente. No caso dos híbridos leves, o salto é parcialmente explicado por um aumento de 28% nas vendas nos EUA, ampliando a base exposta a colisões.
Geograficamente, a maior concentração de reparos de EVs na América do Norte aparece na Colúmbia Britânica, com 8,48% de participação, seguida por Quebec, com 8,21%, e Califórnia, com 6,58%, segundo a Mitchell. Essas regiões combinam frota eletrificada mais numerosa e uso intensivo, o que puxa a demanda por oficinas especializadas.
Tesla perde terreno e os modelos mais envolvidos
Nem a Tesla escapou da mudança de humor do mercado. A fatia da marca nos EUA encolheu de 48,7% para 46,2% em 2025, à medida que rivais ganharam espaço com novos lançamentos e preços mais agressivos.
Entre os modelos, a Tesla ainda domina o volume de colisões reparáveis de elétricos nos Estados Unidos. O Model Y responde por 30,32% dos sinistros de EVs, refletindo seu papel como líder de vendas na categoria.
Logo atrás, o Model 3 concentra 27,01% das ocorrências no mercado americano. A elevada presença dos dois modelos na frota explica parte do peso estatístico.
No Canadá, o padrão se inverte levemente. O Model 3 lidera com 26,03% dos sinistros reparáveis, seguido de perto pelo Model Y, com 25,91%, conforme dados da Mitchell para 2025.
Para as seguradoras, a concentração em poucos modelos facilita a precificação por experiência, mas amplia o risco de severidade em caso de encarecimento de peças, gargalos logísticos ou atualizações de software que exijam novas calibrações.
Perda total e preço de revenda em queda
Quando o sinistro vira perda total, o impacto recai no valor de mercado. Nos EUA, o preço médio de EVs sinistrados como perda total caiu 6%, de cerca de R$ 157,7 mil para aproximadamente R$ 147,5 mil em 2025, segundo a Mitchell.
Os veículos a combustão tiveram recuos mais suaves, com médias próximas de R$ 72,7 mil nos EUA e R$ 62,8 mil no Canadá, enquanto os híbridos ganharam valor nos EUA e perderam terreno no Canadá. Analistas atribuem as quedas mais fortes dos EVs à desvalorização acelerada, à chegada de modelos novos mais baratos e à mudança de humor do consumidor diante da eletrificação em massa.
A combinação de valor residual menor e maior complexidade de reparo pode aumentar a frequência de perdas totais em colisões moderadas. Isso afeta diretamente o custo atuarial, com reflexos sobre franquias, prêmios e políticas de aceitação.
Para o mercado secundário e para leilões de salvados, preços mais baixos podem atrair compradores, mas a necessidade de peças originais e calibrações pós-reparo limita a margem para recondicionamento.
Seguro de carro elétrico, pressão nos prêmios e próximos passos
Com a frequência de sinistros em alta e a severidade puxada por mais calibrações e peças originais, seguradoras tendem a revisar preços e coberturas para EVs. Segundo a Mitchell, os dados consolidados de 2025 indicam uma pressão relevante e persistente sobre o custo do seguro, um efeito que pode se espalhar globalmente conforme a frota eletrificada cresce.
Reduzir o risco passa por ampliar a reparabilidade, estimular cadeias de suprimento com peças alternativas certificadas e treinar mão de obra para diagnósticos e calibrações. No curto prazo, porém, a curva de aprendizado e a disponibilidade de componentes sugerem prêmios ainda pressionados, enquanto Cox Automotive e S&P Global Mobility apontam um mercado em transição mais cautelosa.
O seguro de EV vai ficar mais caro ou as montadoras e oficinas conseguirão derrubar custos rapidamente? Deixe seu comentário e diga quem deveria absorver essa conta na transição, se as seguradoras, as montadoras ou os consumidores. O debate sobre preço de peças, reparabilidade e desvalorização promete balançar o mercado em 2025.

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