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Câncer de mama: diagnóstico tardio em adolescente gera comoção e impulsiona Lei Isla

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 11/02/2026 às 18:33
Atualizado em 11/02/2026 às 18:35
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Caso Isla mobiliza autoridades e pressiona por mudanças legais após atraso no diagnóstico de câncer de mama em adolescente.

Uma adolescente de 17 anos morreu após um diagnóstico tardio de câncer de mama na Escócia, levantando questionamentos sobre falhas no atendimento médico pediátrico. O caso envolve Isla Sneddon, moradora de Airdrie, a cerca de 19 km de Glasgow, que faleceu em março de 2025, apenas seis meses após descobrir a doença. 

A família afirma que a demora na investigação adequada comprometeu as chances de tratamento. Por isso, o episódio agora impulsiona discussões sobre protocolos na oncologia pediátrica. 

Primeiros sinais de câncer de mama foram considerados benignos 

Isla procurou um clínico geral pela primeira vez em julho de 2022, após identificar um caroço no seio. Na ocasião, recebeu a orientação de que provavelmente se tratava de algo benigno. 

“Disseram a ela que era hormonal — um fibroadenoma — e iria desaparecer”, conta seu pai, Mark. 

O fibroadenoma é um nódulo benigno comum em jovens. Contudo, no caso de Isla, os pais acreditam que o diagnóstico inicial contribuiu para o atraso na investigação aprofundada, configurando possível erro médico. 

Evolução rápida expôs diagnóstico tardio 

Dois anos depois, o quadro clínico da jovem se agravou.

O resultado foi um intervalo crítico até a realização da biópsia. 

Assim, após dez semanas internada, em setembro de 2024, veio o diagnóstico: um sarcoma no revestimento do coração, já disseminado para pulmões e nódulos linfáticos. 

Impacto familiar após confirmação do câncer 

“O oncologista nos levou para uma sala e, basicamente, disse: ‘sua filha vai morrer, ela tem de seis meses a um ano de vida’”, relembra Mark. 

Mesmo diante da notícia devastadora, Isla manteve a esperança. “Isla não quis saber, ela só queria viver sua vida da melhor forma. Ela era uma alma muito gentil e nosso mundo passou a girar em torno de fazê-la feliz.” 

Assim, a jovem iniciou quimioterapia e chegou a receber alta. A família decidiu aproveitar cada momento restante junta. 

Fase final e agravamento do quadro 

O pai relata que os médicos disseram que ela era a “pessoa mais doente no hospital”. 

Ainda assim, os pais mantinham esperança de recuperação. Porém, o estado evoluiu até o ponto em que não havia mais possibilidades terapêuticas. 

“Nós cuidamos dela por seis meses de quimioterapia e ela simplesmente morreu no final”, lamenta Mark. “Ela ainda parecia saudável e bonita, mas morreu no hospital, nos nossos braços.” 

Lei Isla: proposta surge após caso de oncologia pediátrica 

Diante da perda, a família iniciou uma campanha por mudanças legais. A proposta, chamada Lei Isla, busca equiparar o tempo de espera de encaminhamentos pediátricos urgentes ao dos adultos. 

Então para os pais, se Isla tivesse recebido o mesmo protocolo de urgência aplicado a adultos com câncer de mama, o desfecho poderia ser diferente. 

Além disso, eles defendem revisão pública sobre atrasos diagnósticos na oncologia pediátrica escocesa, com foco em falhas sistêmicas. 

Sintomas foram associados à ansiedade 

Então Michelle afirma que vários sinais foram minimizados. Em alguns atendimentos, os sintomas chegaram a ser atribuídos à ansiedade. 

Posteriormente, o hospital reconheceu que não havia transtorno psicológico — e sim manifestações do câncer. 

“Se uma criança apresenta um caroço, sintomas de ansiedade, infecções no peito ou amigdalite, o clínico geral deveria seguir um caminho diferente das orientações gerais”, defende Michelle. 

Doença rara e falta de protocolos específicos 

“O câncer de Isla não tinha orientações. Ele era raro e, se alguém tivesse observado um caminho diferente, Isla talvez ainda pudesse estar aqui.” 

Assim a mãe acredita que o tumor permaneceu dormente sob o fibroadenoma, espalhando-se lentamente. Exames mais detalhados, como mamografia ou tomografia, poderiam ter antecipado o diagnóstico tardio. 

Mudanças já começam a ser discutidas 

O governo escocês informou ter atualizado diretrizes de encaminhamento oncológico em agosto. O secretário de Saúde, Neil Gray, deve se reunir com a família. 

“Gostaria de expressar minhas mais profundas condolências à família de Isla Sneddon pela sua perda muito triste.” 

Então ele acrescentou que as novas orientações incluem protocolos para crianças e jovens, visando garantir atendimento adequado no momento certo. 

Resposta do sistema de saúde 

Assim, arwel Williams, diretor de serviços urgentes do NHS Lanarkshire, afirmou que o tratamento seguiu os processos clínicos esperados. 

Ainda assim, reconheceu o impacto do caso: “Mas reconhecemos totalmente como o episódio foi devastador para a família, que permanece com nossos pensamentos e sincera solidariedade.” 

Caso reacende debate global sobre erro médico 

O episódio reforça discussões sobre diagnóstico tardio em jovens. Também dialoga com iniciativas como a “regra de Jess”, criada após a morte de Jessica Brady, diagnosticada apenas depois de 20 consultas. 

“Não quero que nenhuma mãe ou pai sinta o mesmo que Michelle e eu sentimos.” 

Veja mais em: Câncer: ‘Os sintomas da nossa filha foram desprezados pelos médicos porque ela tinha apenas 17 anos’ – BBC News Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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