Shineray coloca Pernambuco no centro de um novo ciclo industrial com expansão em Suape, aumento de capacidade, abertura de vagas e instalação do primeiro laboratório próprio de controle de emissões do Nordeste para acelerar lançamentos e reduzir custos operacionais
A Shineray anunciou um ciclo de investimentos de R$ 300 milhões no Brasil até 2030, com a maior parte dos recursos direcionada a Pernambuco, onde a montadora mantém sua operação fabril no Complexo Industrial de Suape, no Cabo de Santo Agostinho. O movimento inclui a ampliação da fábrica, que receberá R$ 77 milhões, e a implantação de um laboratório próprio de controle de emissões de poluentes, estrutura que representa um aporte de R$ 200 milhões e deve ficar pronta no primeiro trimestre de 2027.
O plano chama atenção pelo tamanho, pela velocidade das obras e pelo impacto industrial projetado. A unidade de Suape, inaugurada em 2015, é hoje a única grande fabricante de motos fora da Zona Franca de Manaus. Com a expansão, a área da fábrica vai passar de 54 mil m² para 76 mil m², enquanto a capacidade de produção anual, hoje em 180 mil unidades em apenas um turno, deve subir para 250 mil. Ao mesmo tempo, a empresa aposta em tecnologia, logística e ampliação de mercado para ganhar escala no país.
O que está por trás do novo avanço da Shineray em Suape
A Shineray vive um dos mais importantes ciclos de ampliação desde a inauguração da fábrica em Suape, em 2015. O investimento ocorre em um momento de crescimento consistente do mercado de duas rodas no Brasil e reforça a estratégia da companhia de transformar o Nordeste em um polo industrial e tecnológico do setor.
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A operação brasileira da marca está centralizada no complexo pernambucano, que atende o mercado nacional a partir de Suape. Segundo a empresa, o objetivo da ampliação é expandir a produção e melhorar a logística de distribuição para centenas de concessionárias espalhadas pelo país.
Os números que explicam o tamanho do projeto

O plano reúne cifras e metas que ajudam a dimensionar o salto projetado pela Shineray. O investimento total anunciado para a operação brasileira até 2030 é de R$ 300 milhões. Dentro desse pacote, R$ 77 milhões estão sendo aplicados na expansão do parque fabril de Suape.
A área da unidade vai crescer de 54 mil m² para 76 mil m², em obras que começaram em outubro de 2024 e têm conclusão prevista para o fim de 2026. A capacidade de produção, que hoje é de 180 mil unidades por ano em um turno, deve chegar a 250 mil unidades anuais após a ampliação.
Os números de mercado também ajudam a entender o momento da empresa. Em 2025, a marca comercializou 180.912 produtos, acima das 120.117 unidades vendidas em 2024. A empresa afirma ainda deter 6% do mercado nacional e diz que a meta de curto prazo é alcançar participação de dois dígitos.
Por que o laboratório de emissões pode mudar o jogo no Nordeste
Além da expansão física da fábrica, a Shineray está implantando em Suape um laboratório próprio de controle de emissões de poluentes. A estrutura, segundo a empresa, será a primeira do Nordeste e representa sozinha um investimento de R$ 200 milhões.
Na prática, esse laboratório deve permitir mais rapidez nas análises e certificações de conformidade ambiental, exigidas para fabricantes. A expectativa é reduzir burocracias, cortar custos operacionais e acelerar o lançamento de novos modelos, já que parte das inspeções poderá ser feita dentro das instalações da própria fábrica.
Hoje, esse tipo de estrutura está restrito a locais como Manaus e São Paulo, de acordo com a empresa. Com o novo centro tecnológico, a certificação deixará de depender de processos longos em outros estados ou até mesmo no exterior. A previsão é que o laboratório fique pronto no primeiro trimestre de 2027, dentro da mesma área de expansão de Suape.
O que muda na prática com a ampliação da fábrica da Shineray
A expansão da unidade pernambucana deve impactar diretamente a produção, a logística e a capacidade de abastecimento da rede comercial. A Shineray afirma que quer atender o Brasil a partir de Suape com mais eficiência, encurtando processos internos e ampliando a resposta ao crescimento da demanda.
Esse avanço também pode tornar a operação mais competitiva. Com mais espaço, mais capacidade produtiva e laboratório próprio, a empresa ganha condições de lançar produtos com mais velocidade e de reduzir parte da dependência de estruturas externas para certificações e testes.
Empregos, qualificação e o efeito direto do investimento
O crescimento da Shineray em Suape também deve aparecer no mercado de trabalho. Atualmente, a empresa conta com cerca de 600 funcionários, sendo aproximadamente 300 na fábrica. Com a ampliação, a previsão é contratar mais 100 profissionais.
A empresa destaca que parte dessa expansão exigirá qualificação técnica, principalmente para o laboratório. Ao mesmo tempo, reconhece dificuldades na formação de mão de obra em áreas como eletricista, mecânico e montador de motocicleta, o que vem tornando o treinamento contínuo uma parte importante da rotina operacional.
Por que a Shineray aposta tanto no mercado brasileiro

A Shineray pertence ao grupo chinês Shineray Group, sediado em Chongqing, na China. No Brasil, a marca é representada pela Shineray do Brasil, empresa de capital nacional que detém o direito de uso da marca e a montagem dos veículos no país.
A montadora é hoje a terceira maior do Brasil em volume de emplacamentos, atrás apenas de Honda e Yamaha, segundo a base enviada. A empresa já conta com 450 concessionárias no país e prevê abrir mais 200 ainda neste ano. Também estima que as cerca de 130 mil motos da marca em circulação no mercado brasileiro possam chegar a 600 mil até 2030.
O que sustenta o crescimento do setor de duas rodas
A empresa avalia que o mercado de duas rodas vem crescendo de forma ampla no país. Entre os fatores citados estão a dificuldade no transporte coletivo, principalmente nas cidades do interior, e o avanço das entregas por motocicleta.
Em termos regionais, o Nordeste segue como principal mercado consumidor da marca, com destaque também para o Pará. A empresa aponta ainda forte presença em São Paulo e crescimento relevante no Centro-Oeste, regiões que devem ganhar mais atenção nos próximos ciclos de expansão.
Inovação, portfólio amplo e aposta em novas tecnologias
A Shineray afirma ter mais de 50 modelos no portfólio, incluindo triciclos, quadriciclos, carros de golfe, bicicletas elétricas, veículos off-road, além de motocicletas elétricas e a combustão, com cilindradas de 50 a 400, e futuramente também de 600 cilindradas.
Os preços variam de R$ 9 mil a R$ 160 mil, o que amplia o alcance da marca para diferentes perfis de consumidor, do trabalhador urbano ao cliente corporativo. Entre os próximos movimentos, a empresa destaca a preparação de motos flex, citadas como uma resposta à demanda regional e à relevância do etanol.
O que está em jogo para Pernambuco e para Suape
O plano da Shineray reforça o peso de Suape como base industrial fora do eixo tradicional da motocicleta no Brasil. Em um setor fortemente associado a Manaus, a permanência e a expansão da operação em Pernambuco ganham relevância econômica e estratégica para a região.
Ao mesmo tempo, a empresa demonstra preocupação com possíveis mudanças ligadas à reforma tributária e à redução de incentivos fiscais para o setor no Nordeste. Mesmo assim, reafirma o compromisso com Suape, onde mantém toda a sua operação fabril e logística.
As próximas etapas do plano até 2030
A agenda da Shineray já tem marcos definidos. As obras de ampliação da fábrica começaram em outubro de 2024 e devem ser concluídas no fim de 2026. Já o laboratório de controle de emissões tem previsão de entrega no primeiro trimestre de 2027.
Até 2030, a companhia quer consolidar esse novo ciclo com aumento de produção, expansão da rede de concessionárias, mais presença nacional e crescimento da base de veículos em circulação. O plano também mira ganhos de participação de mercado e mais velocidade no lançamento de produtos.
Com fábrica ampliada, laboratório inédito no Nordeste e meta de crescer até 2030, você acredita que a Shineray conseguirá mudar o mapa da indústria de motos no Brasil?

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