A Shell e a INEOS furaram a rocha a oito quilômetros abaixo do leito do Golfo do México e encontraram petróleo de alta qualidade numa das formações mais promissoras que a bacia tem a oferecer em 2026
O campo está localizado a aproximadamente 130 quilômetros ao sul de New Orleans, dentro das águas profundas do Golfo, onde a lâmina d’água já passa de mil metros antes de a broca sequer tocar no fundo da formação sedimentar. A Shell opera o projeto com participação majoritária; a INEOS, gigante petroquímica britânica liderada pelo bilionário Jim Ratcliffe, entrou como sócia minoritária numa aposta clara de que o Golfo do México ainda tem reservatórios de primeira linha para revelar.
A denominação “Far South” já diz algo sobre a estratégia: a indústria foi empurrada cada vez mais para o sul e para profundidades maiores à medida que os campos rasos do Golfo envelheceram. Hoje, as operações mais relevantes ficam em regiões como a Walker Ridge, a Keathley Canyon e o Mississippi Canyon — áreas onde a pressão e a temperatura do subsolo exigem equipamentos de perfuração de última geração e onde os riscos de poço são exponencialmente maiores do que nas primeiras gerações de projetos offshore americanos.
O petróleo encontrado no Far South foi descrito pelas companhias como de alta qualidade, o que na linguagem técnica significa densidade API elevada, baixo teor de enxofre e boa fluidez a temperatura de reservatório. Esse perfil simplifica o refino e amplia a margem de lucro por barril, diferente do petróleo pesado e viscoso que exige processamento intensivo antes de se transformar em combustíveis de transporte.
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A relevância da descoberta vai além do volume estimado. O Golfo do México é a espinha dorsal da produção offshore dos Estados Unidos — responsável por cerca de 15% do petróleo que o país produz todos os dias. Mas a curva de produção do Golfo tem sofrido com o declínio natural de campos antigos, e a indústria precisava de grandes descobertas para sustentar o crescimento da produção americana no médio prazo. O Far South chega num momento em que Washington debate a expansão do leasing offshore e o papel do Golfo na estratégia de segurança energética dos EUA.
A aprovação do campo Kaskida, da BP — o primeiro campo novo da empresa no Golfo desde o desastre do Deepwater Horizon em 2010 — e agora o Far South da Shell sinalizam que o Golfo voltou ao radar das grandes companhias para investimentos de longa maturação. Os dois projetos juntos representam bilhões de dólares em capital comprometido e décadas de produção potencial.
Para a Shell, a descoberta reforça a posição da empresa como uma das maiores operadoras deepwater do planeta, ao lado de projetos como Appomattox, Vito e Whale, todos no Golfo. A companhia tem investido pesado em tecnologia de perfuração para reduzir o custo por barril descoberto em águas ultra-profundas, e o Far South é mais um resultado dessa estratégia de longo prazo.
A pergunta que o mercado faz agora é quanto petróleo o Far South realmente tem. As estimativas iniciais de grandes descobertas deepwater costumam ser revisadas conforme a campanha de avaliação avança — às vezes para cima, como aconteceu com Buzios no Brasil, às vezes para baixo, quando a heterogeneidade do reservatório frustra as projeções. Com o preço do petróleo pressionado pela OPÉP+ aumentando oferta, o breakeven de um projeto deepwater precisa ser muito bem calculado antes de qualquer decisão de desenvolvimento.
Qual é a sua aposta: o Far South vai virar um dos maiores campos do Golfo ou vai ficar só no papel como promessa que não se cumpre? Comenta aqui.
