Seu Neinho tem 62 anos, mora sozinho na zona rural de Marmelópolis, cria cabras, vacas, coelhos e aves, planta milho na mão e vive em paz na roça
Em Marmelópolis, no sul de Minas Gerais, a vida segue em um ritmo próprio. É ali que vive Seu Neinho, agricultor de 62 anos que nasceu, cresceu e nunca deixou a terra onde construiu sua história.
Sozinho na casa simples, ele mantém uma rotina marcada pelo cuidado com os animais, pela produção do próprio alimento e por uma tranquilidade que dificilmente se encontra na cidade.
Uma rotina que começa com leite tirado na roça
Logo cedo, Seu Neinho está na lida. Ele tira leite das cabras todos os dias, aproveitando cerca de 2 litros de leite diários para consumo próprio.
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O leite é usado no café da manhã, no preparo de bolos, pães e para acompanhar a alimentação simples do dia a dia. Ele conta que gosta muito de leite e que isso faz parte da sua força e disposição.
Vida simples, mas nunca solitária
Apesar de morar sozinho, Seu Neinho não se sente só. Ele mantém uma relação próxima com as irmãs e os sobrinhos, que moram nas proximidades e oferecem apoio sempre que necessário.
A irmã, que trabalha na prefeitura de Delfim Moreira, ajuda com comida e compras na cidade. Quando ela não pode ir, ele mesmo cozinha arroz, feijão e carne guardada na gordura, como aprendeu desde cedo.
Animais fazem parte da família e da identidade
No quintal e nos pastos ao redor da casa, a diversidade chama atenção. Cabras, vacas, porcos, coelhos, codornas, pombas e até lebre fazem parte da rotina.
Ele trata os animais com cuidado, usando milho, fubá, soro e ração. Alguns são criados para consumo, outros apenas por gosto. Segundo ele, matar um animal saudável dói, mas faz parte da vida na roça.
Plantio feito na mão e alimento garantido o ano inteiro
Seu Neinho planta milho e capina na enxada. Parte do serviço mais pesado é feita com ajuda de trator, mas grande parte do trabalho ainda é manual.
O milho é armazenado em silos improvisados, cobertos com lona, garantindo ração para os animais ao longo do ano. Nada é desperdiçado.
Uma terra que atravessa gerações da mesma família
A propriedade pertence à família há gerações. Foi ali que Seu Neinho nasceu, em uma casa construída pelo próprio pai.
Ele conta que saiu por pouco tempo quando jovem, aos 17 anos, mas logo voltou. Desde então, nunca mais deixou o lugar. Hoje, as terras seguem unidas entre irmãos, sem divisão formal, em um acordo baseado em respeito.
Marmelópolis e a história do marmelo na região
A região onde vive carrega história. Seu Neinho explica que Marmelópolis recebeu esse nome por causa da produção de marmelo, fruta usada para doces, sopa e até para aromatizar cachaça.
Na propriedade ainda existem estruturas antigas usadas pelo pai para trabalhar com o marmelo, lembranças de um tempo em que a fruta era base da economia local.
Ferramentas simples, tradição e adaptação ao tempo
No galpão, foices, roçadeira, motosserra e uma antiga sanfona guardada como relíquia contam a história de quem sempre viveu da terra.
A sanfona, herdada do pai, não é vendida por dinheiro algum. Para ele, tem valor sentimental e representa a memória da família.
Tranquilidade, natureza e a escolha de permanecer
Seu Neinho diz que gosta da roça, dos animais e da liberdade de viver no próprio ritmo. Vai pouco à cidade e prefere a calmaria do campo.
Mesmo com a idade avançando, ele segue ativo, cuidando do que é seu e mantendo viva uma forma de viver que resiste ao tempo.
A história de Seu Neinho revela mais do que uma rotina rural. Mostra pertencimento, simplicidade e uma vida construída com paciência. Em Marmelópolis, cercado pela natureza e pelos animais, ele segue vivendo do jeito que sempre viveu, com dignidade, tranquilidade e orgulho da própria história.
Fonte: É DU CAMPO e EDUARDO PÁDUA


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