Estudo conduzido por professora da Universidade de Zaragoza descreve traços de psicopatia, narcisismo, maquiavelismo e sadismo em ambientes corporativos, detalha sinais comportamentais que ajudam a identificar um chefe com perfil sombrio e aponta impactos como exaustão emocional, conflitos interpessoais, queda de desempenho e risco de práticas abusivas nas equipes
Um cientista revelou como identificar se seu chefe pode apresentar traços de personalidade sombrios, como psicopatia, narcisismo, maquiavelismo ou sadismo, e explicou os impactos desses perfis no trabalho, incluindo exaustão emocional, conflitos interpessoais e práticas abusivas.
A professora Elena Fernández-del-Río, da Universidade de Zaragoza, na Espanha, apresentou uma visão geral dos traços de personalidade sombrios na Enciclopédia Internacional de Gestão Empresarial. No artigo, ela detalhou as características de cada perfil e seus efeitos sobre funcionários.
Segundo a pesquisadora, o “lado sombrio” da personalidade humana refere-se a uma predisposição a comportamentos ética, moral e socialmente questionáveis. Cada característica é marcada por traços singulares que influenciam a forma como líderes interagem com subordinados.
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Como identificar um chefe com traços de personalidade sombrios
De acordo com Fernández-del-Río, líderes com traços sombrios podem se mostrar insensíveis, manipuladores, excessivamente exigentes, autoritários, autossuficientes em excesso, distantes, críticos, arrogantes ou com desejo exagerado de agradar.
Essas condutas, afirmou, podem gerar conflitos interpessoais significativos a longo prazo. A presença de um líder oculto com essas características pode afetar diretamente o clima organizacional e as relações entre equipes.
A professora explicou que cada traço apresenta manifestações específicas. A psicopatia é definida por falta de autocontrole, frieza emocional, estilo de vida errático, ausência de culpa e remorso e comportamento antissocial.
Psicopatia, narcisismo, maquiavelismo e sadismo no ambiente de trabalho
No narcisismo, predominam amor-próprio excessivo, grandiosidade, arrogância, senso inflado de importância e necessidade constante de admiração. Esses indivíduos tendem a ser motivados pelo ego.
Já o maquiavelismo envolve competitividade, visão de mundo cínica, manipulação estratégica, insensibilidade e foco em construir e manter reputação positiva. O sadismo é caracterizado por prazer na crueldade, humilhação de outros e comportamentos agressivos ou intimidadores.
A pesquisadora destacou que um chefe com esses traços pode influenciar atitudes e comportamentos de funcionários em níveis hierárquicos mais baixos, impactando diretamente o desempenho coletivo.
Impactos associados a cada perfil de chefe
Um estudo anterior citado no artigo apontou que líderes maquiavélicos estão associados a maior exaustão emocional entre funcionários e menor satisfação com promoções. Já chefes com pontuações mais altas em psicopatia tendem a ter equipes com menor satisfação no trabalho.
Também foram observados pior desempenho da equipe e menor coesão do grupo.
Alguns estudos confirmaram a relação entre personalidade sombria e práticas abusivas por parte de supervisores, especialmente quando possuem traços maquiavélicos ou psicopáticos.
No caso de psicopatas e sádicos em cargos de autoridade, a autora alertou que é preciso cautela. Esses perfis podem representar risco quando exercem poder direto sobre outras pessoas.
Dificuldades de detecção e medidas organizacionais
Fernández-del-Río afirmou que essas tendências podem ser extremamente difíceis de detectar em entrevistas ou questionários. Fingir para ser visto de forma favorável é frequente entre candidatos com traços de personalidade sombrios.
Diante disso, ela considerou essencial que organizações enviem uma mensagem clara de que comportamentos abusivos não serão tolerados. Também recomendou que potenciais vítimas sejam encorajadas a denunciar abusos, com garantia de anonimato e proteção contra represálias.
A autora ressaltou que algumas características desses perfis podem ser vistas como positivas a curto prazo, especialmente em contextos altamente competitivos, com risco elevado ou interações sociais limitadas.
No entanto, em organizações que exigem interação constante e trabalho de longo prazo, personalidades sombrias podem se tornar obstáculo para objetivos organizacionais. Características como autoconfiança, presentes em alguns narcisistas, podem atrair seguidores inicialmente.
Com o tempo, porém, esses indivíduos podem revelar comportamentos hostis e antagônicos, que deixam de ser bem vistos pelo grupo. A pesquisadora concluiu que compreender esses traços é fundamental para mitigar impactos negativos no ambinete de trabalho.
