Mesmo com tecnologia agrícola, setor sucroenergético enfrenta desafios na produtividade agrícola e busca mais eficiência industrial.
Mesmo com fortes investimentos em tecnologia agrícola, o setor sucroenergético brasileiro ainda enfrenta dificuldades para ampliar a produtividade agrícola, especialmente diante das variações climáticas.
A constatação é resultado de análises recentes conduzidas por consultorias e empresas de auditoria, com base em dados de usinas avaliadas nos últimos anos.
O levantamento mostra que, embora haja avanços na eficiência industrial, fatores externos continuam impactando o desempenho das lavouras e das operações.
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O estudo mais recente, conduzido pela Benri — joint venture entre Fermentec e Datagro —, analisou 155 usinas em todo o país.
A avaliação ocorreu nos últimos três anos e classificou as unidades em diferentes níveis de desempenho, com base em indicadores agrícolas e operacionais.
Indicadores revelam gargalos na produtividade agrícola do setor sucroenergético
A análise da Benri organizou as usinas em 12 categorias, variando de AAA (maior eficiência) até D (menor desempenho). A partir dessa classificação, foi utilizada a média do rating B para avaliar dez indicadores essenciais do campo.
Entre os principais pontos analisados estão fatores diretamente ligados à produtividade agrícola, como falhas no plantio mecanizado, rendimento das colhedoras e idade média do canavial.
Além disso, também foram considerados aspectos como consumo de diesel, infestação de pragas e aproveitamento de resíduos industriais.
Esses indicadores mostram que, apesar do avanço da tecnologia agrícola, ainda existem limitações operacionais e ambientais.
O clima, por exemplo, segue como um dos principais obstáculos para ganhos consistentes de produtividade.
Crise do passado moldou novo cenário de eficiência industrial
Para entender o momento atual do setor sucroenergético, é necessário voltar à década de 2000. Nesse período, cerca de 24% das usinas brasileiras enfrentaram falência ou recuperação judicial, segundo dados da RPA Consultoria.
De acordo com Ricardo Soares de Arruda Pinto, diretor da consultoria, o cenário foi resultado de uma combinação de fatores econômicos e estratégicos.
“Obviamente, não há como desconsiderar também os problemas de gestão nas usinas afetadas, especialmente da gestão de risco”, afirma.
Além disso, a crise financeira global de 2008, somada ao aumento do endividamento e às políticas de controle de preços dos combustíveis, afetou diretamente a competitividade do etanol brasileiro.
Tecnologia agrícola impulsiona eficiência industrial no setor sucroenergético
Apesar das dificuldades do passado, o cenário atual é mais positivo. Segundo Haroldo Torres, gestor do Pecege, houve uma transformação estrutural no setor.
“Embora o setor tenha enfrentado grandes desafios na década de 2010, a recuperação e os avanços tecnológicos levaram a um ambiente de maior eficiência e sustentabilidade”, explica.
Nesse contexto, a adoção de tecnologia agrícola e melhorias na gestão contribuíram para elevar a eficiência industrial das usinas. Processos mais modernos, mecanização e uso de dados tornaram as operações mais precisas e competitivas.
Setor sucroenergético se fortalece com mercado e políticas públicas
Outro fator determinante para o crescimento do setor sucroenergético é o ambiente econômico mais favorável. A demanda global por açúcar e etanol brasileiro segue aquecida, impulsionando exportações e produção.
Além disso, políticas públicas como o RenovaBio têm incentivado o uso de biocombustíveis. Isso fortalece o papel do etanol na matriz energética e garante maior previsibilidade ao setor.
Torres destaca ainda o movimento de consolidação. Segundo ele, fusões e aquisições permitiram que usinas mais eficientes absorvessem operações fragilizadas, tornando o setor mais robusto.
Brasil lidera produção global com apoio da tecnologia agrícola
Atualmente, o Brasil ocupa posição de destaque no cenário mundial. O país é o maior produtor de açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
A produção de etanol brasileiro deve alcançar 37,35 bilhões de litros nas próximas safras, segundo estimativas de mercado. Já o açúcar segue com participação dominante, representando cerca de 25% da produção global.
Esse desempenho está diretamente ligado ao avanço da tecnologia agrícola e à melhoria contínua da eficiência industrial.
Inovação e sustentabilidade ampliam competitividade do setor sucroenergético
Empresas do setor também reforçam o papel da inovação. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, a Tereos destacou a importância da modernização produtiva.
“Acreditamos que a modernização de processos produtivos, desde o plantio até a produção, eleva a eficiência operacional, a competitividade e a sustentabilidade das usinas”, afirmou a empresa.
Além disso, práticas sustentáveis vêm ganhando espaço. O uso de biomassa, a redução de emissões e o reaproveitamento de resíduos contribuem para um modelo mais limpo e eficiente.
“Práticas como o uso de biomassa para geração de energia, a redução das emissões de carbono e o reaproveitamento de resíduos agrícolas transformam o modelo produtivo em um ciclo mais limpo e sustentável”, destacou.
Produtividade agrícola ainda é desafio central do setor sucroenergético
Apesar dos avanços, a produtividade agrícola ainda é o principal desafio do setor sucroenergético. O impacto das condições climáticas e as limitações no campo continuam exigindo atenção.
Por outro lado, o avanço da tecnologia agrícola e a evolução da eficiência industrial indicam um caminho promissor. A tendência é que o setor siga crescendo, com maior resiliência e competitividade global.
Veja mais em: Mesmo com avanços tecnológicos, usinas têm dificuldade para aumentar produtividade e Avanços em tecnologia e gestão melhoram eficiência de usinas… – Notícias Agrícolas

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