Grupo de amigos encontrou 2.584 moedas de prata da época da Conquista Normanda; tesouro de £4,3 milhões virou recorde histórico na Inglaterra.
Em janeiro de 2019, um grupo de sete amigos saiu para um campo agrícola no sudoeste da Inglaterra sem imaginar que faria uma das descobertas arqueológicas mais importantes já registradas no país. O objetivo era simples: testar equipamentos de detecção de metais e passar algumas horas praticando o hobby em uma área rural da região de Somerset. Pouco depois do início das buscas, os detectores começaram a emitir sinais repetidos. O que parecia ser apenas mais uma moeda isolada rapidamente se transformou em um achado extraordinário. Sob a terra estavam enterradas milhares de moedas de prata com quase mil anos de idade, formando o que hoje é conhecido como Chew Valley Hoard, o tesouro mais valioso já encontrado na Inglaterra.
Como um simples passeio para testar equipamentos revelou o maior tesouro já encontrado na Inglaterra
O detectorista Adam Staples relatou que a descoberta começou com um único sinal do aparelho. Após recuperar a primeira moeda, outra apareceu, depois mais uma, e logo ficou evidente que algo muito maior estava escondido no local. Segundo ele, os detectores praticamente não paravam de emitir alertas.
Ao longo da escavação, os sete amigos recuperaram 2.584 moedas de prata cunhadas entre os anos de 1066 e 1068, período que coincide com um dos momentos mais turbulentos da história britânica: a Conquista Normanda da Inglaterra.
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O conjunto foi posteriormente avaliado em £4,3 milhões, equivalente a cerca de US$ 5,6 milhões na época da aquisição pelo governo britânico, tornando-se oficialmente o tesouro de maior valor já registrado no país.
Moedas mostram a transição entre dois reis que mudaram a história inglesa
O aspecto mais importante da descoberta não é apenas o valor financeiro. As moedas registram um momento decisivo da história medieval europeia.
Parte delas apresenta a imagem de Harold II, último rei anglo-saxão da Inglaterra. As demais exibem Guilherme I, conhecido como Guilherme, o Conquistador, líder normando que derrotou Harold na famosa Batalha de Hastings, em 1066.
Especialistas afirmam que a coleção oferece uma rara fotografia econômica e política do período em que a Inglaterra deixou de ser governada pelos saxões e passou ao domínio normando. Muitas moedas foram cunhadas apenas meses após a invasão que transformou o país.
Por que alguém enterrou milhares de moedas de prata e nunca voltou para buscá-las
Arqueólogos acreditam que o tesouro foi escondido durante um período de extrema instabilidade política. Após a vitória normanda, diversas revoltas ocorreram em várias regiões inglesas, especialmente no sudoeste do país.
Pesquisadores do South West Heritage Trust apontam que os proprietários provavelmente enterraram a fortuna para protegê-la dos conflitos que se espalhavam pela região entre 1067 e 1068. Algo, porém, impediu que retornassem para recuperar o dinheiro.
O resultado foi um cofre medieval improvisado que permaneceu escondido por quase dez séculos até ser encontrado pelos detectoristas.
Tesouro passou anos em análise antes de ser adquirido para um museu
Embora tenha sido descoberto em 2019, o conjunto levou vários anos para passar pelos procedimentos exigidos pela legislação britânica sobre tesouros arqueológicos.
Após análise e catalogação, o acervo foi adquirido pelo South West Heritage Trust com recursos do National Lottery Heritage Fund e do Art Fund. As moedas passaram a integrar o patrimônio público britânico e começaram a ser exibidas em museus.

Especialistas classificaram o Chew Valley Hoard como uma das descobertas arqueológicas mais relevantes das últimas décadas por fornecer novas informações sobre o período imediatamente posterior à Conquista Normanda.
Quanto os sete amigos receberam pela descoberta milionária
Pelas regras britânicas, quando um tesouro é oficialmente declarado patrimônio histórico, o valor pago pela aquisição é dividido entre os descobridores e o proprietário da terra onde o material foi encontrado.
No caso do Chew Valley Hoard, metade da quantia foi destinada ao dono do terreno e a outra metade dividida entre os sete detectoristas envolvidos na descoberta. Adam Staples afirmou posteriormente que recebeu algumas centenas de milhares de libras, valor suficiente para comprar uma casa.
Mesmo após a descoberta que mudou sua vida, Staples declarou que não pretende abandonar o hobby que o levou ao maior tesouro da história inglesa.
A história levanta uma pergunta curiosa: quantos outros cofres esquecidos, enterrados durante guerras, invasões e revoltas há séculos

