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Sem ser capital, município de Santa Catarina arrecada bilhões em tributos, ultrapassa grandes cidades brasileiras e vira destaque no ranking nacional graças à potência portuária e industrial

Publicado em 19/02/2026 às 14:59
Atualizado em 20/02/2026 às 21:27
arrecadação de impostos põe Itajaí no ranking nacional: Porto de Itajaí e investimentos bilionários explicam a força e os riscos.
arrecadação de impostos põe Itajaí no ranking nacional: Porto de Itajaí e investimentos bilionários explicam a força e os riscos.
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Itajaí, em Santa Catarina, arrecadou R$ 27,1 bilhões em tributos em 2024 e apareceu como 9ª no ranking nacional de maiores recolhimentos, à frente de capitais. A combinação de porto, logística e indústria explica a posição, enquanto investimentos públicos e oscilações no PIB mostram riscos e oportunidades para a região

Em 2024, Itajaí, no litoral de Santa Catarina, somou R$ 27,1 bilhões em tributos e entrou no grupo das dez cidades que mais arrecadam impostos no país, de acordo com levantamento da Receita Federal. O dado chama atenção por colocar um município que não é capital à frente de centros urbanos maiores e com estruturas administrativas mais amplas.

Esse salto no ranking não acontece “do nada”: ele conversa com a vocação portuária e industrial, com os fluxos logísticos que passam pela cidade e com a forma como essa atividade se converte em recolhimento de tributos. Ao mesmo tempo, a experiência recente do município mostra como gargalos operacionais podem alterar rapidamente a dinâmica econômica e, por consequência, a percepção de estabilidade.

O que significa entrar no top 10 de arrecadação com bilhões

Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Estar entre os maiores arrecadadores do país, com bilhões concentrados em um único município, é um retrato de escala: em 2024, os dez maiores arrecadadores somaram mais de R$ 1,9 trilhão, e Itajaí ficou na 9ª posição. Não é apenas um “bom desempenho local”, é um posicionamento nacional raro para uma cidade que não é capital.

O ranking de 2024 traz uma sequência que ajuda a dimensionar o cenário: São Paulo liderou com R$ 581,2 bilhões, seguida por Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Osasco, Curitiba, Barueri, Porto Alegre, Itajaí e Campinas. Quando uma cidade como Itajaí aparece nesse recorte, a pergunta prática é inevitável: de onde vêm esses bilhões e o que eles revelam sobre a economia real do lugar?

Porto, logística e indústria como motor dos bilhões em tributos

A explicação central está no desenho econômico: porto, cadeia logística e base industrial criam uma circulação intensa de mercadorias, serviços e operações que, em conjunto, tendem a elevar o volume de tributos associados à atividade.

Itajaí se destaca justamente por estar conectada a rotas e operações que “puxam” arrecadação, mesmo sem ser o maior município em população ou território.

Esse padrão aparece também em cidades médias com polos fortes, que acabam superando capitais de outras regiões.

Na leitura do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), Sudeste e Sul somam 79% do total arrecadado, e municípios com perfil industrial ou logístico como Joinville, Caxias do Sul e Itajaí ganham relevância. Na prática, os bilhões seguem os corredores econômicos, não apenas as fronteiras administrativas.

PIB alto, queda recente e o impacto de uma paralisação portuária

Os bilhões arrecadados convivem com oscilações no Produto Interno Bruto. O levantamento mais recente do IBGE citado para Itajaí indica PIB de R$ 48,1 bilhões em 2023, colocando o município na 29ª posição no ranking nacional, na 4ª na região Sul e como a segunda maior economia de Santa Catarina, atrás de Joinville (R$ 49,8 bilhões).

Aqui entra um ponto-chave para entender risco e dependência: em 2022, Itajaí havia liderado o ranking estadual com R$ 50,8 bilhões, mas perdeu espaço após uma retração de R$ 2,6 bilhões no PIB.

A principal causa apontada foi a paralisação dos terminais de contêineres no Porto de Itajaí, iniciada no fim de 2022, que reduziu a movimentação de cargas e atingiu a cadeia logística.

Quando a engrenagem do porto desacelera, os efeitos se espalham e isso ajuda a explicar por que a discussão sobre infraestrutura pesa tanto em cidades que lidam com volumes econômicos bilionários.

PIB per capita elevado e o que os bilhões sugerem sobre escala econômica

Mesmo com a retração, Itajaí segue entre os 30 maiores municípios do Brasil em volume econômico e aparece na 58ª posição em PIB per capita, com R$ 182,4 mil por habitante.

Esse indicador costuma acender debates porque sugere alta produção de valor na economia local, ainda que isso não signifique, automaticamente, que os benefícios se distribuam da mesma forma para todos.

O ponto objetivo é que bilhões em arrecadação e uma economia grande em termos absolutos criam capacidade fiscal e pressão por entregas: melhora de mobilidade, habitação, requalificação urbana e soluções para gargalos logísticos.

E, em cidades com crescimento acelerado, a pergunta deixa de ser “se há dinheiro circulando” e passa a ser “como a gestão transforma esse volume em resultado consistente”.

Investimentos bilionários, obras estratégicas e gargalos que viram prioridade

A robustez da arrecadação é apresentada como base para um ciclo de investimentos: no último ano, o município consolidou R$ 1,5 bilhão em obras e projetos estratégicos e manteve equilíbrio fiscal com nota A+ no Tesouro Nacional.

Esse tipo de combinação bilhões arrecadados e capacidade de investimento muda o patamar de planejamento, porque amplia o que pode sair do papel.

Entre os projetos citados aparecem intervenções diretamente ligadas à dinâmica logística e ao crescimento urbano: o corredor viário Jorge Lacerda e Antônio Heil, com integração regional até Navegantes, BR-470 e Camboriú; a ligação direta entre Praia Brava e BR-101; obras de conexão da região portuária; a construção de mil moradias populares; o píer de passageiros da Marejada desenvolvido por empresa inglesa; e a modernização do trevo da Jorge Lacerda, descrito como um dos principais gargalos logísticos do país.

Também há preparação para concessão do Morro da Cruz e iniciativas de revitalização urbana em parceria com a iniciativa privada movimentos típicos de cidades que, ao lidar com bilhões, tentam acelerar entregas sem perder o controle fiscal.

Crescimento acelerado, reforma tributária e o desafio de sustentar os bilhões

Os números e projetos foram apresentados em reunião com empresários na Associação Empresarial de Itajaí, com foco nos resultados do primeiro ano de governo e nos desafios trazidos pelo crescimento acelerado e pelos impactos esperados da reforma tributária. Quando a cidade cresce rápido, a conta chega em forma de trânsito, moradia, serviços e pressão por eficiência, e isso costuma exigir decisões duras de prioridade.

Ao mesmo tempo, a experiência recente com a paralisação dos terminais de contêineres funciona como lembrete: depender de uma cadeia logística intensa pode elevar arrecadação em bilhões, mas também expõe o município a choques operacionais.

Sustentar a posição no ranking passa por reduzir gargalos, manter previsibilidade e equilibrar expansão econômica com infraestrutura porque, no fim, arrecadação alta pode ser tanto um prêmio quanto um teste permanente de gestão.

E na sua visão, o que mais explica uma cidade não capital arrecadar bilhões: o porto, a indústria, a logística ou um “combo” difícil de copiar? Se você mora em região portuária ou industrial, já percebeu mudanças reais na cidade quando os investimentos aceleram ou o impacto fica só nos números? E, olhando para o Brasil, quais municípios você acha que podem surpreender e entrar nesse tipo de ranking nos próximos anos, e por quê?

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John
John
21/02/2026 07:33

Cidade muito boa de se morar. Só o povo que ainda não tem muita noção para conviver em sociedade, mas é isso, todos estamos em evolução.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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