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Apple e Tesla entram em alerta após ataque cibernético contra fornecedora indiana expor mais de 200 mil arquivos sigilosos, projetos industriais, dados de funcionários e possíveis segredos comerciais na dark web

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 22/06/2026 às 19:11
Atualizado em 22/06/2026 às 19:13
Pessoa segura iPhone branco em referência ao ataque cibernético contra a Tata Electronics e ao vazamento de arquivos sigilosos da Apple.
Ataque cibernético contra a Tata Electronics teria exposto documentos confidenciais, projetos industriais e dados ligados à Apple e à Tesla.
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Vazamento atribuído à Tata Electronics reúne cerca de 630 gigabytes e inclui supostos documentos de fabricação, registros internos e informações pessoais.

Um incidente de segurança cibernética envolvendo a Tata Electronics colocou Apple e Tesla no centro de uma investigação sobre o vazamento de informações confidenciais.

A empresa indiana confirmou o ataque na segunda-feira, 22 de junho de 2026, após pesquisadores identificarem arquivos supostamente ligados às duas companhias na dark web.

Segundo a agência Reuters, o grupo World Leaks divulgou mais de 200 mil arquivos, que somariam aproximadamente 630 gigabytes de dados.

O material incluiria projetos industriais, especificações de fabricação, mensagens eletrônicas, registros internos e cópias de passaportes de funcionários.

A Reuters, entretanto, destacou que não conseguiu verificar imediatamente a autenticidade de todo o conteúdo publicado.

Tata Electronics identificou ataque semanas antes

A Tata Electronics declarou que detectou o incidente algumas semanas antes da confirmação pública.

Protocolos internos de resposta foram acionados imediatamente para investigar e conter o problema.

A fabricante garantiu que suas operações não foram afetadas e continuaram funcionando normalmente em todas as áreas.

Uma fonte familiarizada com o caso informou à Reuters que a Tata recebeu uma exigência de pagamento de resgate relacionada ao ataque.

A companhia indiana recusou-se a comentar a suposta cobrança.

A Apple iniciou uma análise completa da possível violação, conforme outra fonte ouvida pela agência.

Apple e Tesla não responderam aos pedidos de posicionamento encaminhados pela Reuters até a publicação da reportagem.

Arquivos relacionados à Apple aparecem no vazamento

O pesquisador indiano Rajshekhar Rajaharia analisou parte dos documentos disponibilizados pelo World Leaks.

Os arquivos atribuídos à Apple incluiriam:

  • Especificações de materiais e processos de produção;
  • Registros de eventos acumulados durante vários anos;
  • Mensagens eletrônicas e documentos internos;
  • Cópias de passaportes de funcionários;
  • Padrões de inspeção para placas de circuito de iPhones.

Uma pesquisa pelo termo “Apple” teria retornado 181 arquivos e pastas.

Parte do material apresentava a identificação “com.apple.factorydata” e referências a especificações de materiais.

Um documento de 52 páginas detalharia padrões de inspeção de qualidade para componentes usados em placas de circuito do iPhone.

Outros 33 arquivos e pastas mencionavam Hosur, cidade que abriga a principal unidade de montagem de iPhones da Tata, em Tamil Nadu.

Documentos da Tesla citam componentes e projetos

Os pesquisadores também localizaram arquivos que fariam referência a componentes utilizados pela Tesla.

Uma pasta apresentava o nome “NV36 Chargeport Controller – North America”, associado a uma versão atualizada do SUV Model Y.

Outro documento, produzido em 2023, mostraria desenhos relacionados ao projeto Highland, codinome do Model 3 reformulado.

Uma busca pelo termo “Tesla” também revelou possíveis especificações de fabricação e um documento de montagem datado de maio de 2025.

Alguns arquivos traziam avisos indicando que as informações eram confidenciais, proprietárias e classificadas como segredos comerciais da Tesla.

Carro elétrico branco da Tesla estacionado diante de uma unidade da empresa, em referência ao ataque cibernético contra a Tata Electronics.
Veículo elétrico da Tesla estacionado em frente a uma unidade da montadora, em imagem relacionada ao vazamento de supostos documentos sigilosos.

Dados estavam disponíveis desde 10 de junho

O pesquisador Rakesh Krishnan afirmou que os documentos estavam acessíveis na dark web desde, pelo menos, 10 de junho de 2026.

A Tata teria comunicado o vazamento a alguns funcionários das operações de montagem de iPhones na semana anterior à confirmação pública.

O World Leaks afirmou em sua página na dark web que havia roubado e publicado os dados da fabricante indiana.

A Reuters não conseguiu entrar em contato com o grupo nem confirmar de forma independente a origem de todos os arquivos.

Tata ocupa posição estratégica na produção de iPhones

A Tata Electronics responde atualmente por cerca de um terço da produção de iPhones da Apple na Índia.

A Foxconn representa o restante da fabricação dos aparelhos da companhia no país.

A empresa indiana vem se consolidando como uma das principais parceiras industriais da Apple fora da China.

Essa expansão integra o projeto do primeiro-ministro Narendra Modi para transformar a Índia em uma potência na fabricação de produtos eletrônicos.

A cadeia produtiva da Apple no país, porém, já enfrentava questionamentos sobre uma possível contaminação de terras agrícolas próximas de uma fábrica de componentes.

Grupo Tata já enfrentou outro ataque cibernético

O grupo Tata também sofreu, em 2025, um ataque contra a montadora britânica Jaguar Land Rover.

A invasão provocou uma paralisação de aproximadamente seis semanas na produção.

O novo episódio reforça os riscos enfrentados por grandes fabricantes e fornecedores diante de ataques digitais cada vez mais sofisticados.

A Equipe de Resposta a Emergências Computacionais da Índia não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário enviados pela Reuters.

Na sua opinião, grandes empresas deveriam fiscalizar com mais rigor a segurança digital de seus fornecedores? Deixe seu comentário!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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