Carlos Slim intensifica investimentos em petróleo offshore no México, amplia presença em campos estratégicos e se torna o principal nome do setor privado energético do país.
O avanço de Carlos Slim no setor de petróleo do México ganhou um novo capítulo com a decisão de ampliar sua participação em campos offshore localizados na costa de Campeche.
O movimento mais recente prevê um investimento de US$ 270 milhões para a aquisição das ações restantes desses ativos, reforçando a presença do empresário em uma área estratégica da economia mexicana.
A operação foi anunciada pelo Grupo Carso SAB, conglomerado controlado por Slim. Segundo comunicado divulgado na segunda-feira, a empresa irá adquirir a Fieldwood México, pertencente à russa Lukoil.
-
Petrobras anuncia investimento que vai dobrar a oferta de gás natural do Nordeste
-
Petrobras aprova refinaria de US$ 1,2 bilhão em Cubatão para produzir querosene de avião e diesel a partir de plantas
-
Petrobras fecha contrato de R$ 11 bilhões para construir e operar quatro navios de apoio às plataformas do pré-sal
-
Produção de petróleo cresce no Rio, mas reposição de reservas acende sinal de alerta
Com isso, o grupo passa a deter os 50% restantes dos campos Ichalkil e Pokoch, assumindo controle total das áreas de exploração.
Estratégia no offshore avança após aquisições anteriores
Essa não é a primeira investida do empresário nesses campos. Em 2023, Slim já havia adquirido metade das participações por meio da compra da PetroBal SAPI. Agora, ao completar a operação, consolida uma estratégia clara de expansão no segmento offshore de petróleo, um dos mais promissores do país.
Com esse novo acordo, o volume de recursos destinados ao setor chama atenção. Considerando a transação com a Lukoil, Carlos Slim já investiu mais de US$ 2,4 bilhões em ativos offshore no México. Esse valor o posiciona como o maior investidor privado no petróleo nacional, superando outros grupos empresariais do setor.
Além dos campos, Slim também incorporou profissionais especializados em exploração e produção de petróleo. As aquisições da PetroBal e da unidade mexicana da Talos Energy, sediada em Houston, ampliaram o capital humano do grupo. Atualmente, o empresário controla cerca de 80% da operação mexicana da Talos.
Essa participação garante uma posição relevante no campo de petróleo Zama, considerado um dos maiores do país. A presença nesse projeto reforça a influência do magnata em ativos de alto potencial produtivo e impacto econômico.
Relação com a Pemex se fortalece em meio a dificuldades da estatal
Enquanto Carlos Slim amplia sua atuação, a Petróleos Mexicanos (Pemex) enfrenta desafios estruturais. A estatal lida com uma dívida crescente, queda na produção de petróleo ao longo de décadas e dificuldades operacionais em suas refinarias, que seguem deficitárias.
Nesse cenário, Slim se tornou, de forma discreta, o maior parceiro privado da Pemex. Além dos acordos no setor offshore, o empresário firmou parceria com a estatal para desenvolver o projeto de gás em águas profundas Lakach. Também assinou um contrato estimado em US$ 2 bilhões para a perfuração de poços no campo de gás Ixachi.
A situação financeira da Pemex tem impacto direto na capacidade de investimento. A estatal permanece presa a um ciclo de pagamento de juros sobre sua dívida elevada, o que reduz os recursos disponíveis para ampliar a produção de petróleo ou modernizar suas refinarias.
No fim do ano passado, a Pemex chegou a ceder a operação do campo Zama ao parceiro Harbour Energy. A decisão ocorreu após anos de disputas para assumir o controle do megacampo anteriormente ligado à Talos. Ainda assim, permanece a expectativa sobre o papel que os recursos de Slim podem desempenhar na recuperação do desempenho da estatal.
Carlos Slim, o homem mais rico da América Latina
De acordo com o Bloomberg Billionaires Index, o patrimônio de Carlos Slim é estimado em US$ 114 bilhões, o que o coloca na 16ª posição entre os mais ricos do mundo.

Grande parte dessa fortuna foi construída a partir da América Móvil, uma das maiores empresas de telecomunicações da região. O Grupo Carso, por sua vez, reúne participações em áreas como construção, varejo, mineração e, mais recentemente, petróleo e energia.
Ao longo das décadas, Slim consolidou uma estratégia baseada na diversificação. Sua trajetória começou com a privatização das telecomunicações no México, avançou para setores industriais e, nos últimos anos, passou a incluir investimentos robustos em petróleo.
A ampliação da presença em campos offshore, a participação na Talos Energy e os contratos com a Pemex mostram que o empresário aposta na continuidade do petróleo como setor estratégico. Isso ocorre mesmo em um contexto global marcado pela transição energética e pelo crescimento das fontes renováveis.
Esses movimentos colocam Carlos Slim como um dos investidores privados mais influentes do setor energético mexicano, com impacto direto na produção, nos projetos offshore e na relação entre capital privado e estatal no mercado de petróleo.

