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Arqueólogos abrem em Saqqara, no Egito, sepultura selada há 4.300 anos com múmia coberta de ouro a 15 metros de profundidade

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 14/05/2026 às 06:15
Atualizado em 14/05/2026 às 06:17
Equipe arqueológica em escavação no poço de 15 metros em Saqqara
Equipe arqueológica em escavação no poço de 15 metros em Saqqara (representação artística).
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Uma missão arqueológica do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito desceu 15 metros em um poço selado na necrópole de Saqqara e abriu o caixão de calcário intocado há 4.300 anos com uma múmia coberta de finas folhas de ouro sobre o rosto e o peito.

A descoberta da múmia coberta de ouro em Saqqara aconteceu durante escavações da equipe da Fundação Zahi Hawass de Arqueologia e Patrimônio em parceria com o Conselho Supremo de Antiguidades.

Segundo a Smithsonian Magazine, o caixão de calcário foi encontrado lacrado no fundo de um poço de 15 metros que ninguém abria desde o Antigo Reino do Egito.

Os arqueólogos identificaram três tumbas adjacentes que pertenceram a um sacerdote chamado Khnumdjedef, a um juiz e escritor chamado Fetek e a um terceiro homem que talvez tenha o nome Messi.

De acordo com a equipe, todos os achados datam da V e VI dinastias do Antigo Reino, entre 2500 e 2100 a.C.

Os túmulos ampliam o que se sabia sobre a elite religiosa e jurídica da época.

Conforme o registro arqueológico, a múmia coberta de ouro é uma das raras descobertas intactas da região, já que a maior parte das tumbas de Saqqara foi violada ao longo dos séculos por saqueadores.

O poço de 15 metros que ficou lacrado por 4.300 anos sob o deserto egípcio

A entrada do poço estava coberta por argamassa antiga, sinal de que o caixão jamais foi tocado depois do enterro.

Em comparação com outras tumbas da região, o nível de preservação chamou a atenção da equipe.

“Esta é uma descoberta extremamente rara, porque o ouro normalmente é arrancado pelos saqueadores na primeira oportunidade”, afirmou Zahi Hawass em comunicado à Daily Galaxy.

Por isso, encontrar o ouro ainda preso à múmia indica que o sítio escapou da ação humana desde o século 25 a.C.

Segundo o Conselho Supremo de Antiguidades, o material áureo foi cortado em folhas finas e fixado sobre as bandagens com resina vegetal, técnica reservada para personagens de alto status.

De acordo com os egiptólogos, na religião do Antigo Reino o ouro era considerado a “carne dos deuses” e protegia o corpo na passagem para o além.

Múmia coberta de ouro em Saqqara foi achada selada em um caixão de calcário a 15 metros de profundidade
Múmia coberta de ouro encontrada em caixão de calcário lacrado a 15 metros sob a necrópole de Saqqara (representação artística).

A múmia coberta de ouro em Saqqara veio com tumbas do sacerdote Khnumdjedef, do juiz Fetek e do sacerdote Messi

O sacerdote Khnumdjedef servia ao culto do faraó Unas, último monarca da V dinastia.

Além disso, Fetek era ao mesmo tempo juiz e escriba, função reservada a homens de alta confiança da casa real.

Como reportou o Egypt Independent, o terceiro nome, lido provisoriamente como Messi, ainda está em estudo porque a inscrição está parcialmente apagada.

Em primeiro lugar, as inscrições falam de oferendas de pão, cerveja e óleo aos deuses Osíris e Anúbis.

Em segundo lugar, há listas de cargos do palácio que oferecem novos dados sobre o cotidiano administrativo do Antigo Reino.

Por outro lado, parte dos hieróglifos pintados está esmaecida pela umidade infiltrada no túmulo, e a equipe vai usar fotografia multiespectral nas próximas semanas.

Por que a múmia coberta de ouro em Saqqara muda o entendimento do Antigo Reino

Saqqara fica a cerca de 30 quilômetros ao sul do Cairo e serviu de necrópole real durante mais de três mil anos.

Conforme arqueólogos da Universidade do Cairo, o sítio guarda hoje a Pirâmide Escalonada de Djoser e centenas de tumbas que ainda não foram completamente catalogadas.

Na prática, achados como a múmia coberta de ouro em Saqqara permitem datar com precisão os rituais funerários de cada dinastia.

Para entender o impacto, vale lembrar que muitos elementos atribuídos ao reinado de Tutancâmon, da XVIII dinastia, na verdade já existiam séculos antes nas tumbas do Antigo Reino.

Como reportou a equipe egípcia, este sítio em particular pode revelar uma rede inteira de tumbas associadas ao culto do faraó Unas e dos seus altos funcionários.

  • Profundidade: 15 metros, com argamassa original ainda lacrando a entrada
  • Data: entre 2500 e 2100 a.C., V e VI dinastias do Antigo Reino
  • Pessoas: sacerdote Khnumdjedef, juiz Fetek e provavelmente o sacerdote Messi
  • Material: folhas finas de ouro fixadas sobre bandagens com resina vegetal
A múmia coberta de ouro em Saqqara estava em câmara funerária com hieróglifos sobre o sacerdote Khnumdjedef
Câmara funerária de Khnumdjedef no complexo de Saqqara com hieróglifos parcialmente preservados (representação artística).

O Egito anuncia descobertas em série e prepara abertura do Grande Museu Egípcio

De acordo com o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito, o país acumulou nos últimos 18 meses mais de uma dezena de descobertas relevantes em Saqqara, Luxor e Giza.

Em maio de 2026, Zahi Hawass anunciou que outra revelação ainda mais surpreendente sobre a Grande Pirâmide vai ser feita ainda neste ano.

Posteriormente, em novembro de 2025, o governo abriu oficialmente o Grande Museu Egípcio em Gizé com 100 mil artefatos em exposição.

Conforme o cronograma do governo, o complexo do museu ocupa 50 hectares e custou US$ 1,2 bilhão, com 5.398 peças apenas da coleção Tutancâmon.

Como pano de fundo dessas descobertas, o turismo arqueológico atingiu 15,7 milhões de visitantes em 2025 e gerou US$ 14,2 bilhões em receita, segundo o Banco Central do Egito.

O paralelo brasileiro do trabalhador escondido e a corrida do pré-sal

Em comparação com a tradição egípcia, o Brasil ainda começa a contar a história dos trabalhadores anônimos que constroem a riqueza do país.

De fato, museus dedicados aos operários do pré-sal e do polo industrial do Recôncavo Baiano são raros e pouco visitados.

Da mesma forma, milhões de horas de trabalho técnico em plataformas offshore brasileiras nunca foram registradas em arquivo permanente.

Por isso, projetos como o museu do petróleo no Brasil, citado no acervo do CPG, ganham importância à medida que a indústria envelhece.

O mesmo movimento aparece nos esforços de preservação do patrimônio arqueológico brasileiro, registrado no acervo do CPG, que sofre com falta de orçamento federal.

A múmia coberta de ouro em Saqqara fica próxima à Pirâmide Escalonada de Djoser
Vista aérea da necrópole de Saqqara com a Pirâmide Escalonada de Djoser e os sítios em escavação (representação artística).

Os próximos passos da equipe de Hawass e a divulgação científica

A equipe vai usar tomografia computadorizada para examinar o corpo sem desfazer a múmia.

Em seguida, os hieróglifos serão fotografados com multiespectral para revelar pigmentos apagados pelo tempo.

Por fim, os resultados completos da expedição serão publicados em periódicos científicos ao longo de 2026.

Os pesquisadores também vão devolver o caixão original à câmara, com sistema de controle de umidade, para preservar as folhas de ouro fixadas com resina.

Porém, há quem questione o protagonismo de Zahi Hawass, criticado por outros arqueólogos pelo estilo midiático dos anúncios.

Ainda assim, a equipe defende que o ritmo de descobertas justifica a divulgação ampla.

O achado a 15 metros sob Saqqara abre uma nova janela para o Antigo Reino que ficou fechada por 43 séculos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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