Novas ferramentas de monitoramento, alertas em tempo real e reforço operacional ampliam a estratégia paulista contra incêndios florestais durante a fase vermelha da Operação SP Sem Fogo 2026.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo passou a usar inteligência artificial, câmeras integradas, monitoramento por satélite e alertas enviados por motoristas no Waze para reforçar a prevenção e o combate a incêndios florestais durante a fase vermelha da Operação SP Sem Fogo 2026.
O período concentra maior atenção do poder público por causa da estiagem, da baixa umidade e do aumento do risco de queimadas em diferentes regiões do estado.
As medidas foram apresentadas em 2 de junho, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, dentro do plano estadual de contingência para a temporada de incêndios.
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Segundo o governo paulista, a estratégia combina tecnologia, equipamentos, capacitação de equipes municipais e integração entre órgãos estaduais.
O principal recurso anunciado é o Painel de Inteligência SP Sem Fogo, plataforma que reúne dados meteorológicos, mapas de risco, registros de ocorrências e informações de monitoramento em tempo real.
Com apoio de inteligência artificial, o sistema cruza essas bases para orientar decisões operacionais, como o deslocamento de equipes e a definição de áreas prioritárias.
Também serão usados dados de satélites para identificar focos de incêndio em estágio inicial, conforme informou a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo.
A ferramenta tem como função ampliar a capacidade de monitoramento em áreas rurais, unidades de conservação, margens de rodovias e regiões com histórico de queimadas.
Monitoramento por satélite, câmeras e Waze na Operação SP Sem Fogo
A chamada Muralha do Fogo é outra frente incorporada à Operação SP Sem Fogo.
O sistema utilizará imagens das câmeras do programa Muralha Paulista, já distribuídas pelo estado, para auxiliar na identificação de fumaça e focos de incêndio.
A rede de monitoramento será complementada por equipamentos instalados em rodovias administradas por concessionárias e pelo Departamento de Estradas de Rodagem.
Com isso, imagens de estruturas já usadas na segurança e no acompanhamento viário passarão a compor o trabalho de prevenção e resposta a ocorrências ambientais.
A Defesa Civil também anunciou uma parceria com o Waze.
Pelo aplicativo, motoristas poderão registrar focos de incêndio ativos durante deslocamentos, e essas informações serão encaminhadas para avaliação das equipes responsáveis pelo monitoramento.
O uso de dados enviados pela população não substitui a verificação técnica das ocorrências.
Segundo o governo estadual, os avisos funcionarão como mais uma fonte de informação para apoiar o acompanhamento das estradas e das áreas próximas à vegetação.
“Estamos fortalecendo a operação SP Sem Fogo com inteligência, monitoramento em tempo real e ampliação da capacidade operacional dos municípios para reduzir riscos e responder rápida e eficientemente aos novos focos de incêndios”, afirmou o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro.
Plano de contingência contra queimadas em São Paulo
O plano de contingência de 2026 prevê atuação em 613 municípios paulistas, número 55% maior que o registrado em 2024, de acordo com o governo estadual.
A estrutura reúne mais de 3 mil agentes e inclui a compra de 100 caminhões-pipa, 23 viaturas, 220 kits de combate a incêndios e mais de 300 equipamentos.
Entre os itens previstos estão capacetes, torres de iluminação e sopradores para apoio às equipes em campo.
A distribuição dos recursos busca atender municípios com maior exposição a incêndios em vegetação e melhorar a resposta local diante de novas ocorrências.
Antes da fase mais crítica da operação, a Defesa Civil promoveu 16 treinamentos presenciais em todas as regiões do estado.
As capacitações reuniram agentes multiplicadores e equipes municipais, com orientações sobre prevenção, estratégias operacionais, monitoramento e resposta rápida.
O governo estadual informou que a atuação dos municípios é considerada parte central do plano.
Em muitas ocorrências, as equipes locais são as primeiras a chegar aos pontos de fogo e repassam informações para a mobilização de estruturas regionais ou estaduais.
Fase vermelha reforça combate e fiscalização ambiental
A Operação São Paulo Sem Fogo ocorre de forma permanente ao longo do ano, mas é dividida em fases de acordo com o nível de risco.
A fase verde reúne ações de planejamento e avaliação; a fase amarela prioriza prevenção e preparação; e a fase vermelha, de junho a outubro, reforça combate, fiscalização e comunicação preventiva.
Nesse intervalo, a redução das chuvas, a vegetação seca e a baixa umidade aumentam o risco de propagação do fogo.
Técnicos da área ambiental e de defesa civil apontam que a ação humana, intencional ou acidental, também está entre os fatores associados às queimadas.
A operação é conduzida de forma integrada pelas secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Segurança Pública e Defesa Civil.
Também participam o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a Cetesb, o DER e a Fundação Florestal.
A coordenação entre os órgãos permite reunir fiscalização ambiental, atendimento emergencial, monitoramento de rodovias e acompanhamento de áreas protegidas.
Cada instituição atua dentro de suas atribuições, mas com compartilhamento de dados e comunicação operacional.

Unidades de conservação terão monitoramento reforçado
A Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental e a Fundação Florestal atuarão no monitoramento presencial de 24 unidades de conservação classificadas como áreas de alto risco para incêndios florestais.
As atividades começaram ainda na fase amarela, antes do período mais crítico.
Segundo o governo estadual, as equipes realizaram 72 horas de vistorias técnicas, percorreram mais de 1.100 quilômetros e emitiram 23 notificações a rodovias e concessionárias.
As ações envolveram inspeção de áreas sensíveis e verificação de condições que podem favorecer a propagação do fogo.
A Fundação Florestal também informou que ampliará o uso de inteligência artificial, sensoriamento remoto e ferramentas de ciência de dados.
Entre os recursos previstos estão mapas automatizados de severidade do fogo, painéis operacionais, integração de plataformas satelitais nacionais e internacionais, drones com câmeras termais e aplicativos móveis para registro georreferenciado de ocorrências em campo.
Essas ferramentas serão usadas para registrar áreas atingidas, acompanhar focos ativos e orientar equipes em locais de difícil acesso.
No caso dos drones com câmeras termais, a tecnologia permite identificar variações de calor que podem indicar pontos de fogo ou reignição.
El Niño em 2026 e risco de incêndios florestais
A preparação paulista ocorre em meio ao monitoramento internacional sobre a formação do El Niño em 2026.
O boletim do Centro de Previsão Climática da NOAA, divulgado em 14 de maio, indicou 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho e 96% de probabilidade de continuidade entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
A própria NOAA, no entanto, afirmou que ainda havia incerteza relevante sobre a intensidade máxima do evento.
Por esse motivo, a classificação de El Niño severo deve ser tratada como cenário de risco citado em previsões climáticas, não como confirmação definitiva.
A Organização Meteorológica Mundial também alertou para a possibilidade de um El Niño forte em 2026, mas manteve ressalvas sobre o grau de intensidade.
Em comunicados recentes, o órgão destacou que o fenômeno pode elevar temperaturas globais e influenciar eventos extremos em diferentes regiões.
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região e o período do ano.
Especialistas em meteorologia costumam associar o fenômeno a mudanças nos padrões de chuva e temperatura, mas as consequências locais dependem de outros fatores atmosféricos e oceânicos.
Em São Paulo, a preocupação operacional recai sobre a combinação de estiagem, calor, baixa umidade, vegetação seca e ação humana.
A Operação SP Sem Fogo concentra recursos para detectar focos, mobilizar equipes e reduzir danos em áreas urbanas, rurais e ambientais.


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