Com olivas em colheita em mais de 110 municípios, o Rio Grande do Sul prevê 1 milhão de litros na safra 2026 e quer colocar o azeite brasileiro na mesa do país.
Os pomares de olivas do Rio Grande do Sul entraram na fase de colheita e, desta vez, o clima é de alívio no campo. Depois de dois anos bem ruins, a safra 2026 chega com cara de virada, com produtores comemorando produtividade e qualidade dos frutos.
A previsão para 2026 aponta para 1 milhão de litros de azeite no estado. E o impacto vai além do número: essa colheita grande dá fôlego para o setor respirar e, ao mesmo tempo, aumenta uma esperança antiga de quem produz aqui, a de ver o azeite brasileiro virar escolha real no mercado interno. Porque não basta colher bem, tem que vender bem também.
Por que a safra 2026 de olivas virou assunto no RS

Em todo o Rio Grande do Sul, mais de 110 municípios cultivam olivas e, segundo a Secretaria Estadual da Agricultura, são mais de 6.000 hectares plantados. O peso do estado é grande: cerca de 75% do azeite de oliva brasileiro tem origem em pomares gaúchos.
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O que faz 2026 chamar atenção é justamente a sensação de recuperação. O setor fala em super safra depois de uma sequência que apertou o produtor. E quando a colheita vem forte, ela muda o humor, o planejamento e até o apetite para investir.
Os números que mostram a montanha-russa recente

A base traz uma sequência que deixa bem claro por que a safra 2026 está sendo tratada como virada:
2023: 580.228 litros
2024: 193.500 litros
2025: 190.300 litros
2026: previsão de 1 milhão de litros
Para quem vive de oliveiras e azeite, isso não é só estatística. É a diferença entre passar o ano contando moeda e passar o ano respirando com mais calma.
O clima que ajudou as olivas a “pegarem” melhor
O clima aparece como o principal empurrão nessa safra. O relato aponta inverno bastante frio no ano anterior, primavera com temperaturas consideradas ótimas e chuvas bem distribuídas. Isso ajudou na floração e no pegamento dos frutos.
Em outras palavras, foi aquele tipo de sequência que o produtor sabe reconhecer: quando o tempo ajuda na hora certa, a lavoura responde.
Um retrato do trabalho: colheita por meses e indústria quase sem parar
No pomar da Lagar Há, em Cachoeira do Sul, a base descreve 28.000 pés de oliveiras, de oito variedades, plantados em 170 hectares. O plantio começou em 2014 e a primeira safra foi colhida em 2020.
A colheita dura cerca de três meses, entre fevereiro e abril, e envolve maquinário e mão de obra que pode chegar a 30 trabalhadores. A previsão citada é colher 400 toneladas de azeitonas, que resultariam em 40.000 litros de azeite.
Do lado industrial, o trabalho é descrito como quase ininterrupto. As frutas são separadas de folhas e impurezas, higienizadas e passam por processos automatizados até virar produto final. Quando a safra vem grande, a engrenagem gira sem folga.
Qualidade, troféus e a barreira que ainda falta quebrar
A base menciona testagens, experimentos e o aval de especialistas antes do azeite ir para venda, além de troféus nacionais e internacionais que comprovam qualidade.
Mesmo assim, o desafio maior ainda é cultural e de mercado. A fala citada aponta que o azeite brasileiro precisa ser mais reconhecido e consumido pelos próprios brasileiros, e que a melhor forma de quebrar resistência é provar, comparar e sentir diferença. Existe até a ideia de “complexo de vira-lata”, como se o que é feito aqui fosse sempre inferior.
E tem um dado que coloca tudo em perspectiva: mesmo uma super safra de 1 milhão de litros não chega a 1% do azeite que o Brasil consome. Ou seja, espaço para crescer existe, mas depende de o consumidor pedir, escolher e repetir a compra.
E agora, falando como quem está no mercado e não só olhando de longe: você já deu uma chance para azeite feito com olivas do RS, ou ainda fica no importado por hábito e por confiança?

